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Irlandês, McClean recusa prestar homenagem a 'heróis de guerra' britânicos; entenda

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O início do mês de novembro marca um período especial no futebol inglês. É nessa época em que se prestam homenagens aos britânicos mortos em guerras, numa forma de refletir e agradecer pelo sacrifício daqueles que perderam suas vidas com o objetivo de manter o país seguro.

Para isso, os clubes da Premier League e de divisões menores, utilizam uma papoula, que virou um símbolo dessa comemoração, já que essas flores enchiam os campos de batalha do norte da Europa, onde tantos perderam suas vidas entre 1914 e 1918, na região central na camisa em seus jogos no período.

Porém, nem todos os jogadores consideram essa causa nobre a ponto de aderirem. Um desses é James McClean, jogador de 29 anos e que atualmente defende o Stoke City. Isso porque o atleta de 29 anos é natural de Derry, cidade na Irlanda do Norte onde, em 1972, soldados britânicos mataram 13 manifestantes civis durante o 'Bloody Sunday', um dos eventos mais significativos do conflito entre os países, quando soldados britânicos atiraram em 28 civis desarmados durante uma passeata pacífica.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira, o Stoke confirmou que seus outros jogadores terão a flor em suas camisas: "Como clube, vamos apoiar o Poppy Appeal da Royal British Legion vestindo a papoula na nossa camisa diante do Middlesbrough, no dia 3 de novembro, e também no confronto contra o Nottingham Forest, em 10 de novembro. O clube está orgulhoso de suas estreitas relações com as forças armadas e também convidou membros das forças armadas para se juntarem à nossa delegação no jogo contra o Middlesbrough", disse, destacando ainda que o Stoke dá aos seus jogadores o direito de usar ou não o adereço.

"No entanto, reconhecemos que a papoula significa coisas diferentes para indivíduos e comunidades e não acreditamos que alguém deva ser forçado ou mesmo pressionado a usar a papoula contra a sua vontade. James nos informou que ele não usará o adereço em nossos próximos dois jogos. Nós respeitamos sua decisão e seu direito de seguir suas próprias convicções", completou.

Isso não chega a ser uma novidade na carreira de McClean, que tomou medidas semelhantes quando defendeu Sunderland, Wigan Athletic e West Bromwich Albion. Em sua passagem pelo último clube, em 2015, ele explicou sua posição: "As pessoas dizem que estou sendo desrespeitoso, mas não perguntam o motivo de eu escolher não usar. Se a papoula fosse simplesmente sobre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, eu a usaria sem nenhum problema e usaria todos os dias do ano. Mas não é bem assim. Isso representa todos os conflitos em que a Grã-Bretanha esteve envolvida. Por causa da história de onde eu venho, não posso usar algo que represente isso".