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Belletti diz por que trocou Barcelona pelo Chelsea: 'Premier League é diferente'

Belletti supreendeu o mundo ao trocar o Barcelona pelo Chelsea apenas uma temporada depois de ter se tornado herói da conquista da Uefa Champions League de 2006, quando marcou o gol - quase sem ângulo - da vitória por 2 a 1 na final sobre o Arsenal, em Paris.

Quase 11 anos depois, o ex-jogador explicou à ESPN os motivos que o levaram para a Inglaterra. Em Stamford Brigde, ele faturou uma Premier League, duas Copas da Inglaterra e foi vice-campeão da Liga dos Campeões.

"Joguei três temporadas no Barça e tenho uma relação mágica com o clube. Tenho chuteira no museu, as pessoas me admiram. Um dia, o Mourinho mostrou desejo de me contratar e me ligou. Eu estava disputando posição com o Zambrotta e tinha feito uma baita pré-temporada. Todo mundo falando que seria o meu ano. Daí vem Mourinho, Chelsea, Londres e a Premier League. Juntando tudo isso eu pensei: 'Não posso perder essa chance'", contou.

O brasileiro queria disputar o campeonato nacional mais rico do mundo.

"Fui para a melhor competição de clubes que existe. A Premier League é diferente. Ela foi criada para ser muito atrativa não só para os torcedores, mas para os jogadores. Existe um ambiente especial, tanto nos jogos como nos treinos, na relação com a imprensa e os torcedores", analisou.

Belletti acredita que o maior equilíbrio do Campeonato Inglês se comparado com LaLiga é um dos principais atrativos para os grandes jogadores.

"Mesmo jogando em casa contra um time da parte de baixo da tabela é jogão. É bom de jogar, muito corrido e agressivo no bom sentido, que é o que eu gosto. A arbitragem é boa e tem respeito. É isso que atrai. Você tem grandes jogadores em time pequenos e médios. Sistemas bons. Alguns jogos faltam nível técnico, mas a competitividade não vai faltar" analisou.

"No futebol espanhol, o Barça pegava um time da parte de baixo e não era a mesma coisa. Não é ruim jogar na Espanha, ao contrário, mas é diferente. Não vai ter o mesmo nível competitivo".

Em sua passagem de três temporadas pelo Chelsea, Belletti fez 94 partidas e anotou cinco gols.

Final contra o United

Logo em sua primeira temporada na Inglaterra, Belletti ajudou ao Chelsea a chegar em sua primeira final de Uefa Champions League na história. Depois de eliminar o Liverpool - de forma dramática - nas semifinais, o adversário foi o poderoso Manchester United, em Moscou.

A partida foi na terra natal de Roman Abramovich, bilionário dono dos Blues. Tudo parecia conspirar para uma vitória épica...

"Desde que o Abramovich comprou o Chelsea não era segredo que o objetivo era ganhar a Champions. Ele trouxe grandes nomes para a Inglaterra. Naquele ano, tínhamos perdido o Mourinho e o Avram Grant, que era diretor, assumiu como treinador. Vencemos o Liverpool na semifinal e foi difícil demais. Pegamos um dos maiores time da história em Moscou, na casa do nosso chefe", recordou.

Após Cristiano Ronaldo abrir o placar para o Manchester United. Lampard deixou tudo igual. Na prorrogação, Drogba, principal cobrador de pênaltis dos Blues, foi expulso após confusão com Tévez.

Após novo empate, as equipes decidiram o título nas penalidades. Belletti foi o terceiro batedor da equipe londrina e não esquece

"Não existente momento mais tenso do que bater pênalti em final. Eu havia treinado muito e fui o primeiro a me oferecer para bater. Aquela caminhada do meio de campo até a bola é o momento mais nervoso. Você tenta tirar da cabeça o pênalti. Eu pensava: ‘Está chovendo, treinei para caramba, esquece o público’. Mas faltava ar (risos). Quando peguei a bola tudo isso parou. Eu tinha treinado e não ia errar. Tinha muita confiança", garantiu.

"Eu sempre batia olhando para o goleiro e atrasando um pouco o chute na perna direita. Eu esperei que o Van der Sar, goleiro do United daquele tamanhão, definisse um canto. Ele se mexeu um pouco e eu bati no outro canto. Nisso, comemorei. Não de alegria, mas de alívio (risos)", contou.

Dos nove primeiros batedores, apenas Cristiano Ronaldo havia errado sua cobrança. A penalidade que poderia definir o título ficou o zagueiro John Terry.

"A última cobrança seria do Drogba, que tinha sido expulso, daí foi o Terry que não batia pênalti. Ele foi certo, mas escorregou e perdeu [a bola bateu na trave]. Se fizesse o gol, a gente seria campeão", lamentou.

Nas penalidades alternadas, Anelka parou nas mãos de Edwin van der Sar e o Manchester United venceu a Champions League. Terry, capitão do Chelsea e um dos maiores ídolos da história da equipe, ficou inconsolável.

"Perder é muito triste ainda mais quando estava nas nossas mãos. A gente tentava consolar o cara e não conseguia, no campo, no vestiário. Está todo mundo muito triste. Lembro também do Ballack muito abalado porque tinha chegado à muitas finais. O Lampard também estava arrasado. Foi o último jogo da temporada e cada um tentou assimilar a derrota cada um do seu jeito", lamentou.

A equipe londrina finalmente conquistaria a Liga dos Campeões na temporada 2011/12, quando derrotou - também nos pênaltis - o Bayern de Munique em plena Allianz Arena.

"O Chelsea estava sendo criado para isso. Não foi na minha geração, mas foi em outra. Eu fiquei feliz por eles terem vencido a Champions, porque o trabalho lá é para isso. Ser competitivo", finalizou.