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Real Madrid só tem seca de gols pior que a do Dijon, da França, que tem atacante que era 'rei da bocha'

Após a derrota por 1 a 0 para o Alavés, no último final de semana, o Real Madrid chegou a uma marca extremamente negativa para os padrões do clube: 409 minutos sem marcar um golzinho sequer.

Nesta segunda-feira, o jornal Marca levantou os números e viu que só há uma equipe com pontaria pior do que a dos merengues nas cinco grandes ligas da Europa (Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha e França).

Trata-se do modesto Dijon, 16º colocado da Ligue 1, que não balança as redes há incríveis 437 minutos.

O time comandado por Olivier Dall'Oglio não solta um grito de gol desde que anotou na derrota por 3 a 1 para o Angers, em 15 de setembro - ou seja, há quase um mês.

Desde que Wesley Said colocou a bola na rede naquele dia, o Dijon empatou por 0 a 0 com o Reims e perdeu por 3 a 0 para o Lyon, novamente por 3 a 0 para o Strasbourg e por 1 a 0 para o Amiens.

O péssimo desempenho nas últimas rodadas fez o time da terra da mostarda despencar as primeiras posições do Francês, ocupando agora as proximidades da zona do rebaixamento.

"Chegamos perto do gol, mas não cruzamos, e nossos chutes são muito ruins. Toda semana nós treinamos a pontaria, mas está faltando confiança. Não colocamos medo em ninguém atualmente", admitiu o técnico do Dijon.

O Marca ainda mostra outra história interessante sobre a equipe francesa: o atacante Júlio Tavares, principal esperança de gols da equipe, tem uma trajetória bastante curiosa no futebol.

O africano de 29 anos é o maior artilheiro da história do pequeno clube, com 67 gols em 206 partidas, mas não encontra o caminho das redes desde que marcou duas vezes na vitória por 2 a 0 sobre o Nantes, ainda em 18 de agosto.

Antes disso, porém, ele quase foi ganhar a vida em outro esporte, já que, na juventude, era um craque na pétanque (esporte conhecido como bocha no Brasil), modalidade bastante popular na França, para onde imigrou com a família, vindo de Cabo Verde.

Ele foi campeão regional de bocha da província de Ain, no Leste francês, antes de resolver se arriscar no futebol. Assinou com o Dijon apenas quando tinha 23 anos, idade em que muitos jogadores já até mesmo desistiram de se firmar como boleiros.

"Comecei a jogar bocha com alguns amigos e, um tempo depois, alcançamos um nível muito bom. É um esporte que requer precisão e concentração, como no futebol, quando você está cara a cara diante do goleiro", contou Tavares, ao site da Fifa.

E ainda antes de virar atacante, o africano atuou como goleiro em pequenos clubes de Ain. Depois, porém, foi para a linha e se mostrou um centroavante letal, sendo contratado pelo Dijon e virando um dos maiores ídolos da história de Les Rouges.