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Champions League: Joelinton, ex-Sport, virou destaque na Bundesliga e encara o Manchester City

Destaque do Hoffenheim neste começo de temporada, Joelinton fez apenas 38 partidas na equipe profissional do Sport antes de ir para a Alemanha, em 2015. Ele rendeu cerca de R$ 7 milhões, sendo uma das maiores vendas da história da equipe pernambucana.

O atacante de 22 anos, que tem quatro gols em oito jogos nesta temporada, deverá ser titular no jogo contra o Manchester City válido pela segunda rodada da fase de grupos da Uefa Champions League.

“Sem dúvidas é o melhor torneio de clubes do mundo. É indescritível a sensação de poder atuar contra os grandes nomes do futebol mundial, e isso é uma motivação para qualquer atleta. Quando entramos em campo e escutamos o hino do torneio, dá um arrepio e triplica a nossa vontade de dar o melhor na partida", disse, ao ESPN.com.br.

A partida contra a equipe inglesa será realizada na Alemanha, nesta terça-feira (02/09), às 13h55 (de Brasília).

“Sabemos que o próximo jogo, contra o Manchester City, será muito difícil, como qualquer jogo de Champions. Temos noção da qualidade do elenco deles, mas confiamos no nosso grupo, sabemos do nosso potencial e jogadores diante da nossa torcida, então vamos atrás dos três pontos”, garantiu.

O Hoffenheim empatou na estreia com o Shakhtar Donetsk, enquanto o City perdeu para o Lyon na Inglaterra.

Vizinho de engenho

Joelinton Cassio Apolinário de Lira nasceu na cidade de Aliança-PE e morava ao lado dos engenhos e da usina de cana-de-açúcar. Seu pai trabalhava na Paraíba e passava somente os finais de semana com a família.

"Meu pai nunca deixou faltar nada para gente. Com meus 12 anos eu vendia cachorro-quente e pastel com a minha tia. Nunca precisei fazer outras coisas e gostava muito de jogar futebol", afirmou.

Ele fez uma peneira no Sport e foi morar no alojamento do clube. O atacante subiu aos profissionais em 2013, mas só estreou no ano seguinte.

"Foi uma emoção enorme e a realização de um sonho. Estreei em um clássico na semifinal na Copa do Nordeste no estádio do Arruda. Estava bom para gente, estávamos ganhando e com um jogador a mais. Atuei uns 10 minutos na partida. Fomos para a final e depois viramos campeões", contou.

Ele ainda voltou aos juniores depois disso e só se firmou de vez na equipe principal nas últimas sete rodadas do Campeonato Brasileiro.

"Meu primeiro gol foi no jogo contra o Fluminense na Arena Pernambuco, era meu terceiro jogo no Brasileiro. Empatamos por 2 a 2 e joguei bem. Nem sei te explicar a sensação de ter balançado as redes", recordou.

"Fiz alguns bons jogos, mas oscilei bastante por ser jovem. O [técnico] Eduardo Baptista sempre falava para ter calma que iria passar por aquilo. Ele me ajudou demais. Tenho muito carinho e sou grato ao Sport que me abriu as portas", agradeceu.

Após fazer apenas cinco partidas pelo Nacional, o jogador foi vendido ao Hoffenheim, da Alemanha.

"Eu tive algumas sondagens de clubes no Brasil, mas nunca chegou nada concreto. Quando veio a chance de ir para Alemanha eu pensei muito se era a hora certa. Mas sempre gostei de desafios e resolvi encarar. Era o melhor para mim e minha família", explicou.

Auxílio de Firmino

Antes de decidir seu destino, Joeltinton teve uma conversa importante com Roberto Firmino, que foi destaque na equipe alemã e atualmente defende o Liverpool.

"Ele me falou que era um grande clube com estrutura boa e que o começo foi difícil para ele por causa do clima e idioma. Mas com o tempo eu ia superar se trabalhasse forte", disse o atleta.

Por atuar na frente e pela nacionalidade, o atacante sofreu um pouco com as comparações. "Às vezes falavam que era o ‘novo Firmino' por causa disso, mas tinha que explicar que ele tinha feito a história dele e jogado muito bem, não tinha nada a ver. Disse que minhas características são diferentes das dele dentro de campo e que iria batalhar por meu espaço", analisou.

A primeira temporada no futebol alemão foi difícil para o centroavante, que atuou em apenas uma partida. "Foi um ano mais de adaptação. Joguei só cinco minutos contra o Schalke 04. Aprendi muito, foi bom também", garantiu.

Fora de campo, ele sofria um pouco para conseguir fazer as atividades de um cidadão comum. "Para comer era bem difícil, pedia uma coisa e vinha outra (risos). Depois aprendi umas palavras e deu certo", relatou.

"Eu ia cortar o cabelo tive que ir a três cabeleireiros diferentes. Eu e o Vargas [ex-atacante do Grêmio] não conseguíamos cortar do jeito que gostávamos. Daí, não ficava bom e éramos zoados pela galera", riu.

Como teve pouco espaço no Hoffenheim, Joelinton foi emprestado por uma temporada ao Rapid Viena para pegar mais experiência, chegando à Liga Europa.

“Acho que os dois anos que passei atuando no Rapid Viena foram importantes para que eu evoluísse tanto como profissional, como pessoa também. Amadureci muito e aprendi muito taticamente tendo essa experiência para que pudesse voltar ao Hoffenheim com uma bagagem e uma melhor noção do que é o futebol europeu”, contou.

Volta à Alemanha

O brasileiro usou a experiência adquirida no período para se firmar como titular e virar destaque na Alemanha.

“Foi um momento especial e uma sensação de que o trabalho na Áustria foi realizado com sucesso. Voltei para o Hoffenheim e sinto que tenho a confiança de todos os profissionais do clube, o que me motiva a cada dia dar o meu melhor nos treinamentos e nos jogos. Sei da importância de estar no clube que terminou na terceira posição da última Bundesliga, então espero corresponder às expectativas”, projetou.

Além de voltar mais maduro, Joelinton conseguiu quebrar a barreira da comunição, que o atrapalhou na primeira passagem pelo país.

“Sem dúvidas, quando cheguei na Alemanha a questão do idioma foi um fator que me atrapalhou bastante. O alemão é uma língua muito diferente, difícil de aprender. Agora, depois de dois anos atuando na Áustria, ficou um pouco mais fácil. Não falo o alemão fluente, mas consigo me comunicar perfeitamente com os meus companheiros e isso faz toda a diferença no dia a dia e durante as partidas”, garantiu.

“O curioso é que todos do clube ficaram surpresos com a facilidade com a qual estou me comunicando, e eles sempre dão risadas pelo fato do dialeto da Áustria ser diferente do da Alemanha”, relatou.

Além de jogar em uma das maiores ligas do mundo e na Champions League, ele realizou outro desejo: com o dinheiro ganho até aqui na Europa terminou de construir a casa de sua mãe.