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Ryan Mason, ex-Hull City, diz que precisou colocar 14 placas de metal e 28 parafusos no crânio após traumatismo em jogo contra o Chelsea

No dia 22 de janeiro de 2017, uma imagem chocante marcou o duelo entre Chelsea e Hull City, pela Premier League. Aos 13 minutos do primeiro tempo, um choque de cabeça entre Ryan Mason, meia do Hull, e Gary Cahill, zagueiro do Chelsea, deixou ambos os jogadores no chão.

Cahill conseguiu ficar em campo e até marcou o gol que selou a vitória dos Blues por 2 a 0, mas Mason precisou sair de maca e foi levado ao hospital. O meia foi diagnosticado com um traumatismo craniano e, meses após a recuperação, foi forçado a pendurar as chuteiras.

Recuperado do trauma, Mason relembrou o ocorrido em matéria da revista britânica FourFourTwo e explicou que, atualmente, tem 14 placas de metal no crânio e 28 parafusos para mantê-las no lugar.

“Eu sabia que tinha pontos e placas de metal na minha cabeça, mas, só seis meses depois, os médicos vieram me explicar exatamente o que tinham feito. Foi tudo tão severo, que eles tentaram não me sobrecarregar. Não sei se teria aguentado tudo isso. Ao todo, tenho 14 placas de metal no crânio e 28 parafusos que as mantêm no lugar. Tomei 45 pontos para fechar a ferida na minha cabeça. Não foi agradável quando tiraram os pontos".

O ex-jogador relembrou como foi o começo da partida e o momento da lesão. Segundo ele, o Hull entrou bem no jogo. Mason estava marcando N'Golo Kanté e destacou que a batalha estava boa, muito leal.

“Então, aos 13 minutos, aconteceu. Houve um escanteio. A bola veio, saltei e, subitamente, senti uma força enorme esmagar minha cabeça. Foi uma dor impossível de imaginar."

Apesar de ter sofrido um forte choque na cabeça, Mason ressaltou que se lembra de tudo que aconteceu no momento da pancada e durante o atendimento médico.

"As pessoas pensam que não lembro, mas me recordo de tudo. Lembro do médico vir correndo, da dor imensa, de fazerem aquelas verificações após uma lesão na cabeça. O corpo passa por um estado de pânico e por uma fase de autopreservação quando sofremos um ferimento grave. Ele sabe que algo de errado está acontecendo. A dor era insuportável, era como se tivesse uma bomba explodindo na cabeça, na têmpora direita".

O jogador precisou lutar pela vida e destacou a gratidão que tem pelo médico do clube, que tomou uma decisão muito importante e que, provavelmente, salvou a vida de Mason.

“Ele percebeu que eu tinha fraturado o crânio e que podia ter lesões cerebrais, porque o lado direito do meu rosto estava paralisado. O motorista da ambulância queria me levar para o hospital mais próximo, mas o Dr. Mark Waller recusou e insistiu que me levassem para o St. Mary's. Passamos por dois hospitais antes de chegarmos lá."

O meia explicou que, se tivesse ido para um dos outros hospitais, provavelmente, teria feito uma radiografia e seria encaminhado para o St. Mary's. Dessa forma, perderia um tempo precioso. "Se estivesse em outro lugar, as coisas podiam ter terminado de forma diferente. 61 minutos depois da lesão eu estava sendo operado."

De acordo com Mason, após a operação, foi necessário levá-lo para um quarto particular, porque estava sensível ao barulho e não suportava qualquer ruído, por menor que fosse. Segundo ele, até o som das enfermeiras sussurrando no corredor parecia que estavam gritando em seu ouvido.

O ex-jogador lembra que a recuperação foi longa. Mason dormia entre 20 a 22 horas por dia e era acordado para fazer testes e medir a tensão arterial. Mas, o atleta passava a maior parte do tempo dormindo.

Mason ainda voltou a treinar com o intuito de regressar ao futebol, mas uma tomografia acabou por mudar-lhe os planos "Me disseram que se voltasse a cabecear uma bola durante um ano ou mesmo seis meses, havia sérios riscos de sofrer de demência ou epilepsia antes dos 29 anos."

Com isso, Mason optou pela aposentadoria, aos 26 anos, mas apenas como jogador. Hoje, trabalha com jovens na base do Tottenham, clube que o revelou e também é comentarista na televisão.