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Modric: Brasileiro lembra timidez do melhor jogador do mundo no começo de carreira

Eleito melhor jogador do mundo pela Fifa, Luka Modric foi um dos principais nomes do Real Madrid tricampeão da Uefa Champions League e da Croácia vice-campeã da Copa do Mundo de 2018.

Dono de muitos títulos, "o Cruyff dos balcãs" é conhecido por ser um sujeito discreto fora dos campos, mas capaz de sozinho dominar o meio de campo. E quem o conhece desde o começo de carreira garante que ele pouco mudou desde então.

"Tive essa sorte e a felicidade jogar com Modric. Ele tinha muita qualidade naquela época, mas hoje é bem mais jogador do que antes. Desde novo já demonstrava ter muita técnica. Era a minha primeira opção de passe, quando ficava difícil eu dava a bola nele porque sempre saía alguma coisa. Ele sempre tirava algum coelho da cartola", contou o zagueiro Carlos Santos, ao ESPN.com.br.

O brasileiro revelado no São Paulo e o croata atuaram juntos no Dínamo de Zagreb, da Croácia, entre 2005 e 2008, vencendo o tricampeonato da Liga Croata.

“Fizemos várias tabelas e criamos algumas oportunidades de gol. Lembro muito bem de uma jogada que fizemos contra o Hadjuk Split no meu primeiro clássico no país", afirmou.

"Ele sempre me chamava de ‘Burrito’ porque sempre como eu era primeira opção de passe. Eu jogava ao lado dele e como sempre ele queria que tocasse para ele. Quando não tocava ele me chamava de Burrito (risos)”, recordou.

Esse lado mais descontraído de Modric vinha da intensa convivência com os brasileiros na equipe croata.

“No dia a dia ele era muito quieto. Ele não é aquele cara de falar muito. Era gente boa pra caramba e brincava às vezes, mas era uma pessoa mais tímida. Ele aprendeu bastante coisa em português. Na época que eu cheguei ele já sabia muitas coisas porque o [ex-atacante do Flamengo] Eduardo da Silva estava lá há uns três anos. Ele ensinou algumas palavras para ele, inclusive, claro os palavrões”, relatou.

“Apesar dele ser um cara muito tímido e quieto fora de campo, dentro de campo ele se transformava. Sempre xingava nós brasileiros com os palavrões típicos nossos. Era muito engraçado ver um europeu nos xingando no nosso idioma. A gente ao invés de ficar bravos, nós dávamos risada”, garantiu.

Após começar na base do Zadar (Croácia), ele chegou ao Dínamo de Zagreb, no qual foi revelado. Após ser emprestado para o Zrinjski Mostar (Bósnia-Herzgovina) e Inter Zapresic (Croácia) antes de explodir para o futebol.

Com ótimas atuações e espírito de liderança, virou capitão do Dínamo com apenas 21 anos depois que Eduardo da Silva saiu para o Arsenal, em 2008.

“A timidez fora de campo era totalmente diferente do comportamento dentro de campo. Ele se transformava, tinha muita liderança e até os mais velhos o respeitavam muito. Não só pelo talento, mas por ser um cara profissional e exemplar. Ele não era só o capitão da equipe, mas o líder dos jogadores. A palavra dele tinha um peso muito grande no grupo”, relatou.

Modric demonstrou capacidade não somente com a bola nos pés, mas também basquete.

"Além do futebol eu joguei basquete que eu realmente gostei muito. Todo ano quando eu voltava de férias eu brincava com meus amigos”, contou o croata.

Em sua cidade natal, Zadar, o esporte é bastante popular. Em diversas vezes, o meia mostrou seu amor pela NBA.

“Ele jogava bastante basquete antes dos treinos. Um dia, eu o vi jogando e fui desafiá-lo. Fui escolher logo baixinho achando que ia ganhar (risos). Acabei perdendo e tive pagar um jantar para ele (risos)”, relatou Carlos.

A parceria entre eles acabou em 2008, quando Modric foi vendido para o Tottenham por 21 milhões de euros. Em 2012, ele foi para o Real Madrid por 30 milhões de euros e venceu quatro vezes a Champions League, três Mundiais de Clubes, além de uma LaLiga.

“Modric é um cara excepcional e simples para caramba, uma boa pessoa e acolhedor. Continua até hoje sendo a mesma pessoa, nem parece que virou jogador do Real Madrid”, finalizou.