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'VAR da NFL' é mais flexível e abrangente que o do futebol; veja diferenças do melhor caso de sucesso na área

A adoção do VAR ainda engatinha no futebol. Apesar de ter sido sucesso na Copa do Mundo de 2018, o juiz assistente de vídeo não é adotado por algumas das ligas mais tradicionais do mundo, como a Premier League, da Inglaterra, e o Campeonato Brasileiro.

Já outros esportes como o basquete (na NBA), o beisebol, o cricket, o vôlei e o tênis, entre outros, já adotam avaliação de imagens há mais ou menos tempo. Mas o caso de maior sucesso, sem dúvida, é o do futebol americano.

O "VAR" da NFL se chama Instant Replay. Na liga norte-americana, todos os jogos contam com a avaliação de imagens por parte da arbitragem. Em 2017, apenas 429 marcações, dentre 39.967 jogadas, sofreram revisões. Desde 1999, 37% das marcações em campo foram alteradas após avaliação. Em média, as avaliações levam 1:44 minuto para serem feitas.

QUANDO PODE TER VAR NO FUTEBOL

Por aqui, apenas o Copa do Brasil já conta com a tecnologia. O que não impediu, por exemplo, a polêmica em Palmeiras x Cruzeiro, na última quarta (12), pela semifinal da competição.

Muito do debate em torno do lance em questão se deveu ao desconhecimento sobre quando o VAR pode ser utilizado. Na atualidade, há quatro circunstâncias que permitem VAR:

- Verificar legalidade de gols anotados ou anulados;

- Verificar existência ou não de faltas que levariam a penalidades máximas;

- Avaliar se um jogador deveria ou não ter sido expulso diretamente em algum lance;

- Identificar corretamente os autores de infrações que necessitem ser advertidos ou expulsos

Pelo procedimento estabelecido pela Fifa, tanto o juiz quanto a sala de comando do VAR em cada estádio sinalizam que um incidente deve ser checado. A sala de comando avalia a filmagem e se comunica com o árbitro por fone. O árbitro assiste ao vídeo no monitor na lateral do campo ou acata, sem assistir, a recomendação da sala de comando.

Lances de falta, como a apitada por Wagner Reway, antes do gol de Antônio Carlos, na quarta-feira, não são passíveis de VAR. Como o juiz interrompe a jogada antes do gol do Palmeiras, o gol não foi anulado. Ele simplesmente, não ocorreu, pois a jogada estava parada.

COMO É NA NFL

A principal diferença começa já no modo como as infrações são sinalizadas. Diferentemente do futebol, no futebol americano, as ocorrência são sinalizadas com o arremesso de uma flanela no campo. De modo que a jogada não é interrompida pela suspeita de algo que possa impedi-la posteriormente com um apito.

Em segundo lugar, vem o fato de os técnicos poderem desafiar algumas decisões já sacramentadas pela arbitragem, arremessando uma flanela no gramado. Os técnicos têm dois desafios por jogo cada. E se um técnico acertar os seus dois desafios pré-concedidos - ou seja, se o árbitro reverter a própria marcação após aviso do técnico duas vezes -, ele ganha direito um terceiro desafio.

Como no futebol, faltas também não podem ser desafiadas. Mas os árbitros podem escolher rever os lances se assim quiserem. Nos dois minutos finais de cada tempo, não há desafios.

Outra diferença importante está no fato de que todas os roubos de posse de bola (turnovers) também são revisadas. Bem como todas as marcações de pontos - field goals (chutes que passam por dentro do Y) e touchdowns.

Outro grande detalhe é o fato de haver uma central única, no escritório central da NFL, para revisão de jogadas. Num dia de jogos, a mesma equipe, com a participação inclusive do vice-presidente da comissão de arbitragem, Albert Riveron, é responsável por todas as revisões da rodada.

Enquanto isso, no campo, todos os cinco juízes estão reunidos para discutir o lance. Então, um monitor é levado ao juiz principal com os replays, e a decisão final é tomada e anunciada, via microfone, para todo o estádio, deixando claro o que havia sido anotado e o que ficou decidido após a revisão - permanência ou reversão da marcação.

HISTÓRICO

Enquanto o mundo do futebol ainda se habitua, o futebol americano já está plenamente acostumado com as checagens na tela para confirmar marcações da arbitragem. Isso, certamente, tem a ver com o tempo de uso. Houve resistência no começo, por receio de que a tecnologia tiraria o "calor humano" e suas possíveis falhas da equação do jogo.

A NFL, liga de Futebol Americano dos EUA, começou seus experimentos com a tecnologia, chamada de "Instant Replay" em 1976. Mas, apenas em 1985, ela começou a ser aplicada em jogos oficiais, nos playoffs daquela temporada.

A partir de 1986, todos os jogos passaram a ter a possibilidade. Mas votações passaram a ser feitas periodicamente para renovação. Até que, em 2007, após alguns períodos de hiato, o Instant Replay passou a ser parte fixa da regra do jogo no nível profissional.

Hoje, já é inconcebível a NFL sem o Instant Replay.