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Guarani diz que Palmeiras não pode provar que cedeu jogadores e se recusa a pagar empréstimos

O meia Ramos no dia do anúncio de sua contratação pelo Guarani, em 2014 Guarani FC

O Guarani, atualmente na 7ª colocação da Série B, entrou com três ações na Justiça questionando empréstimos de atletas feitos pelo Palmeiras em 2014 e se recusando a pagar.

O time da capital paulista cobra R$ 26.011,46, R$ 12.869,77 e 5.547,72 pelas cessões do meia Ramos, do goleiro Borges e do atacante Tutinha ao "Bugre" há quatro anos.

O clube de Campinas, porém, alega nos processos que o Palmeiras não pode provar que de fato emprestou o trio.

"O clube exequente nem ao menos comprovou a utilização do atleta pelo clube executado e muito menos que o atleta tenha atuado pelo executado", escreveu o Guarani, em trecho de um dos processos, aos quais a ESPN teve acesso.

"Embora o exequente tenha acostado aos autos o contrato de cessão temporária de atleta firmado entre as partes, é certo que o exequente não acostou aos autos qualquer documentos que esta cessão tenha efetivamente ocorrido e que o atleta tenha atuado pelo clube embargante", explica.

"Portanto, necessária se faz a exibição dos documentos para comprovar a real cessão do atleta mencionado na inicial", complementa.

O "Bugre" ainda discorda dos cálculos de cobranças feitos pela equipe da capital paulista.

"Inexiste qualquer demonstração contábil de como chegaram-se a tais quantias, donde inequívoco está que os mesmos foram efetuados unilateralmente pelo embargado", reclama.

"Somando-se a isso, em momento algum foi apresentada pelo embargado, nos autos da execução embargada, um demonstrativo de cálculo com minuciosa descrição do suposto débito", acrescenta.

Por fim, o Guarani pede a extinção da ação de execução de dívida movida pelo Palmeiras e também que a agremiação palestrina seja obrigada a arcar com o pagamento de custas e honorários advocatícios a serem arbitrados.

Segundo advogados ouvidos pela reportagem, as ações da equipe do interior paulista não têm qualquer fundamento, já que os atletas comprovadamente atuaram pelo "Bugre" (leia mais abaixo).

Os especialistas enxergam os processos como uma tentativa de "enrolar" o Palmeiras e adiar os pagamentos o maior tempo possível, evitando uma penhora dos bens do clube.

As três ações correm na 1ª Vara Cível de São Paulo e serão julgadas pela juíza Paula Regina Schempf Cattan.

Na última quinta-feira, a magistrada deu 15 dias ao Guarani para comprovar a "real impossibilidade de pagamento das custas processuais". Caso o time não o faça, as ações serão indeferidas pela Justiça.

Procurado, o Palmeiras disse que não comenta questões judiciais em andamento.

JOGADORES FORAM CEDIDOS AO GUARANI

Apesar das alegações do Guarani, Ramos, Tutinha e Borges foram, sim, emprestados ao clube pelo Palmeiras.

Os três jogadores apareceram no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em abril de 2014 como atletas cedidos ao "Bugre" por empréstimo, como mostra a foto acima.

O único que entrou em campo, no entanto, foi Ramos, que disputou sete partidas pelos campineiros no Campeonato Brasileiro da Série C em 2014, sem marcar gols.

Sua estreia foi em 24 de abril e o último jogo foi em 4 de outubro.

Já Tutinha e Borges também foram contratados, mas não chegaram a atuar.