<
>

Pedro Botelho lembra surpresa ao ser recebido por Ronaldinho no Atlético-MG: 'Ele se preocupou comigo'

Campeão da Copa do Brasil de 2014, Pedro Botelho viveu um dos momentos mais alegres de sua carreira quando chegou ao Atlético-MG. O lateral-esquerdo, que havia se destacado na temporada anterior pelo Atlético-PR, foi recepcionado no time alvinegro por ninguém menos do que Ronaldinho Gaúcho.

"Por incrível que pareça, ele foi a primeira pessoa que eu tive contato no Galo. Eu estava no hotel em Belo Horizonte, acabou um treino e o Ronaldinho passou pelo corredor. Quando me viu, puxou papo. Perguntou de onde eu era, se estava tudo bem e se conhecia alguém no clube”, disse o jogador, ao ESPN.com.br.

“Eu comecei a falar e só depois que a minha ficha caiu: ‘Pô, eu estou conversando com o Ronaldinho! O cara que mudou a história do Barcelona, que foi eleito melhor jogador do mundo. Campeão da Copa!’ (risos). Ele é humilde demais, um cara que ganhou tudo e se preocupou comigo, queria saber se estava bem e se precisava de alguma coisa”, relatou.

Sem qualquer tipo de marra, o craque do Atlético-MG fazia questão de reunir os jogadores em sua casa, nos arredores de Belo Horizonte.

“Ele convidada todo mundo, é um cara muito gente e boa e de grupo. Ficávamos por lá falando de futebol e do dia a dia. Foi uma relação muito boa. Ele merece tudo que conquistou na vida”, relembrou.

Pedro Botelho também viu as qualidades que fizeram o craque virar um dos maiores ídolos do Atlético-MG.

“O Ronaldinho é um cara sensacional dentre de campo e fora de campo também. É muito diferenciado. Fazia coisas nos treinos inacreditáveis. Ele acertava o travessão do meio de campo. Os domínios que ele fazia com a bola eram brincadeira. A gente ficava só admirando”, recordou.

Ronaldinho saiu do Galo no meio de 2014, logo após a conquista da Recopa Sul-Americana, contra o Lanús, da Argentina. Pedro ainda permaneceu mais um ano no time mineiro e faturou a Copa do Brasil, tendo atuado em duas partidas naquela competição.

“Nosso time tinha muitas feras. Me marcou demais essa passagem”, relatou.

Desemprego

No meio de 2015, Pedro Botelho se transferiu para o Estoril, de Portugal, mas sua trajetória na Europa durou pouco tempo.

“Fui bem por lá no segundo turno do Português e tive propostas de outros times, mas eu tive uma briga com o meu empresário na época e voltei ao Brasil. Eu fiquei sete meses desempregado. Eu não desejo isso para ninguém. É muito difícil você ter tudo, clubes atrás de você e por uma briga você acaba fechando as portas para outros clubes”, disse.

O lateral viveu um dos momentos mais difíceis da vida profissional e cogitou até mesmo largar o futebol.

“Sentia muita falta de ficar dentro de campo e de exercer aquilo amo e sei fazer. Não ir aos treinos e falar com os companheiros foi dolorido. Me apeguei muito à minha família. Até deixar o futebol tinha passado pela minha cabeça. Foram momentos muito duros. De uma hora para outra ficar em casa é muito complicado”, lamentou.

“Eu treinava por conta pensando que ia aparecer algo. Mas o tempo foi passando e não chegava nada, nenhuma proposta. Em alguns dias eu acordava desanimado, não ia treinar e nem queria falar com ninguém. Tive minha família e meu empresário ao meu lado me dando força. Graças a Deus consegui reverter isso”, relatou.

Recomeço

A chance para o lateral recomeçar a carreira só veio no começo de 2017, no Boavista, que jogava a 1ª Divisão do Campeonato Carioca. No time de Saquarema, ele foi comandado pelo folclórico Joel Santana.

“No começo foi complicado, mas fui recebido muito bem. Fiz grandes amigos por lá até hoje. Eu fui treinado pelo ‘Papai’ Joel, gente boa demais. É um cara fora de série na resenha. Se parar para ouvir é história o dia todo”, contou.

Após o fim do Estadual, o jogador foi para o CRB-AL para atuar na Série B, mas não teve muitas oportunidades. Mesmo assim, foi contrayado pelo Vitória em 2018.

“Assim que o contrato acabou, meu empresário, o Otacílio [ex-volante do Corinthians], e eu tivermos uma conversa com Erasmo Damiani, que cuidava do Figueirense na minha época, e o Vágner Mancini, que havia me treinado no Atlético-PR. São pessoas que me conhecem muito e me deram uma oportunidade de jogar na elite do futebol", relatou.

Após jogar o primeiro semestre no Barrdão, Pedro Btelho foi para o São Banto, que joga a Série B do Brasileiro.