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Manchester United: Quase R$ 2 bi em reforços e só com títulos 'secundários'; Mourinho inicia ano que costuma ser trágico

Um dos grandes técnicos do futebol mundial, José Mourinho é sinônimo de títulos. É assim desde o Porto, onde ganhou fama e partiu para treinar alguns dos maiores clubes do mundo. No Manchester United, onde ele está desde 2016, não é diferente, já que ele ergueu três taças. Porém, a depender do retrospecto do português, a temporada que se inicia nesta sexta-feira será bastante preocupante para o torcedor do gigante inglês. Isso porque, assim como as taças, outra característica nada agradável acompanha Mourinho ao longo da carreira: o péssimo terceiro ano de trabalho.

CHELSEA E O INÍCIO DA 'MALDIÇÃO'

Isso é assim desde o Chelsea, clube que assumiu pela primeira vez em 2004, após levar o Porto ao surpreendente título da Champions League. Nos dois primeiros anos, o treinador deu mostras de que seria uma estrela do futebol mundial, ao conduzir a equipe ao bicampeonato da Premier League, não dando chances para tradicionais rivais como Manchester United, ainda com Alex Ferguson e Arsenal, que vinha de uma campanha de título invicta.

Em seu terceiro ano, porém, as coisas mudaram e apenas títulos menores vieram, como o da FA Cup e da Copa da Liga, com a equipe perdendo a Premier League para o Manchester United e a Liga dos Campeões depois de uma eliminação para o Liverpool nas semifinais. Ao término da temporada, foi muito cogitada uma demissão, com Roman Abramovich estando "afixionado" em tornar o seu time o melhor da Europa. Mas isso só foi acontecer alguns meses depois, em setembro de 2007, após um mal início de temporada.

A TRÉGUA NA INTER DE MILÃO

Após algum tempo, Mourinho foi confirmado pela Inter de Milão. O clube italiano talvez tenha sido o único em que ele não teve problemas. Muitos acreditam que isso seja pelo fato de que ele ficou apenas dois anos. No período, ele foi campeão italiano duas vezes, ganhou a Copa da Itália, a Supercopa e ainda a Champions League.

Depois de tanto sucesso e ser eleito o melhor treinador do mundo, ele foi contratado a peso de ouro pelo Real Madrid, que, assim como o Chelsea, queria um técnico capaz de fazer o time reconquistar a Europa.

FRACASSO NO REAL MADRID

Na primeira temporada, ele conseguiu apenas o título da Copa do Rey e ainda amargou uma eliminação para o rival Barcelona nas semifinais na maior competição de clubes do mundo. No segundo ano, mais uma queda nas semifinais, dessa vez para o Bayern de Munique. Porém, como "consolação", o Real Madrid foi campeão espanhol.

Já o terceiro ano foi trágico. O Real Madrid terminou o Campeonato Espanhol 15 pontos atrás do Barcelona e, na Champions, foi eliminado novamente na semifinal, após uma derrota por 4 a 1 para o Borussia Dortmund. Antes mesmo da final da temporada, o presidente Florentino Pérez já confirmava que Mourinho seria demitido, decretando um fim bastante trágico para a passagem dele pela Espanha.

A HISTÓRIA SE REPETE NO CHELSEA

Isso, porém, não fez com que ele perdesse moral na Europa. Tanto é que ele permaneceu menos de um mês desempregado e já assumiu o Chelsea pela segunda vez na carreira. Na primeira temporada, a equipe terminou a Premier League quatro pontos atrás do campeão Manchester City, enquanto na Champions, Mourinho, pela quarta vez consecutiva, foi eliminado nas semifinais.

Já no segundo ano, a queda na competição europeia foi mais precoce, nas oitavas de final, para o Paris Saint-Germain. Na Premier League, porém, o Chelsea foi campeão, decretando o oitavo título de liga nacional na carreira do português.

Mas aí veio a temida terceira temporada. E esse, provavelmente foi seu pior ano em toda a carreira. Isso porque a equipe foi precocemente eliminada da Copa da Liga e ostentava a vexatória 16ª posição do Campeonato Inglês em dezembro, quando foi demitido.

UNITED E A 'ROTA DE COLISÃO'

Seis meses depois, foi contratado pelo Manchester United, que vivia fase de transição depois dos quase 30 anos com Alex Ferguson e algumas apostas erradas em nomes como David Moyes e Louis Van Gaal. Porém, ao contrário de todas as suas passagens anteriores por grandes clubes, dois anos já se passaram e ele ainda não ganhou nenhum título de ponta.

O máximo que conseguiu foi a taça da Europa League, além de uma Copa da Liga e uma Supercopa. No Campeonato Inglês, o melhor resultado foi o segundo lugar em 2017/2018, 19 pontos atrás do rival Manchester City. Na Champions League na mesma temporada, a equipe protagonizou a maior zebra das oitavas de final, ao ser eliminada pelo Sevilla.

Se os dois primeiros anos já não foram grande coisa, mesmo tendo gasto incríveis 349 milhões de euros, aproximadamente R$ 1,5 bilhão na cotação atual, em jogadores como Paul Pogba, Romelu Lukaku e Nemanja Matic, a tendência, pensando no retrospecto de Mourinho, é que as coisas piorem ainda mais para o maior campeão inglês.

A ver pela pré-temporada, isso já está acontecendo. Isso porque o português não ficou nada feliz com poucas contratações feitas pelo clube para a próxima temporada. Dos três que chegaram, apenas o brasileiro Fred, que veio do Shakhtar por 59 milhões de euros, deve ser titular absoluto. Para Mourinho, isso é muito pouco, principalmente pelo investimento alto feito pelos rivais.

"Os clubes que competem contra nós são realmente muito fortes. Existem grandes equipes, como Chelsea, Tottenham e Manchester City. Ou estão investindo massivamente, como o Liverpool, que está comprando tudo e todos. Se não melhorarmos nossa equipe, será uma temporada difícil", comentou o treinador, ainda durante excursão pelos Estados Unidos.

Os dias passaram, a janela chegou ao fim e nada do United fazer uma contratação de impacto. O Manchester Evening, jornal da cidade, já fala até em uma "rota de colisão" entre o treinador e a diretoria, que deseja conter os gastos e não mais comprar vários jogadores por quantias elevadas.