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Corinthians desiste de contratar Juninho depois de repercussão negativa com a torcida

Juninho com a camisa do Sport Gazeta Press

O Corinthians desistiu de contratar o atacante Juninho, um dia depois de o Sport anunciar o negócio e a torcida reagir negativamente nas redes sociais. O jogador, de 19 anos, que chegaria para reforçar a equipe sub-20 inicialmente, responde processo agressão, ameaça e injúria a uma ex-namorada.

Na última quarta-feira, o clube chegou a informar, em nota oficial, que havia feito “exigências relativas ao seu comportamento extracampo” para que a contratação fosse confirmada ou não. A desistência foi confirmada também através de comunicado, assinado pelo presidente Andrés Sanchez.

“Ao entabular negociações com o atleta Juninho, o Corinthians visava não só atrair um promissor talento futebolístico, mas também encetar um processo de ressocialização dele. Sabedor de antecedentes desabonadores no seu passado, acreditamos que um jovem devidamente orientado teria condições de mudar de banda e, em vez de frequentar o grupo dos que tratam como corriqueira a agressão à mulher, pudesse se tornar um exemplo de evolução moral”, inicia a nota

“Ou seja, o episódio deveria representar um passo avante naquela que é bandeira sagrada do Timão: lutar contra qualquer forma de discriminação, abominar a violência, aliar-se aos mais fracos. Entretanto, considerando as inúmeras manifestações de torcedoras e torcedores contrários à eventual contratação de Juninho, informamos que ele não fará parte de nosso quadro de funcionários. O momento exige que o congraçamento de mentes em torno da causa feminista se sobreponha a quaisquer outras considerações”, segue.

“Ademais, estaremos aumentando a importância do enfrentamento pelo Corinthians de um tema sensível como esse em um ambiente sabidamente machista como o futebol. Atuaremos no sentido de difundir por todas as instâncias do Clube essa doutrina para evitar ocorrências como essa e formaremos parcerias com instituições que também cuidem da ressocialização dos agressores homens para que a violência contra a mulher acabe no Brasil”, encerra.

Pouco antes do comunicado do Corinthians, Juninho havia desembarcado em São Paulo e concedeu entrevista ao “Globo Esporte”, negando as acusações. “Isso é conversa dela. Se tivesse tido agressão, o (exame) corpo de delito teria pego e eu estava preso. Isso não existiu não. Eu não gosto nem de tocar no assunto, a gente sabe que tem mentiras e tem verdades, né? A verdade é que eu estou pagando por uma coisa que eu não fiz, entendeu?”

“Muita menina fala comigo, às vezes me xinga, outras falam que me entendem, que sabe como é mulher que é trocada. Eu respondo com carinho e agradeço a quem me apoia e relevo quem me xinga e quem tenta bater em mim”, completou.

Na terça, antes do anúncio da contratação pelo Sport, o Corinthians havia usado suas redes sociais para lembrar os 12 anos da aprovação da Lei Maria da Penha, que combate a violência contra a mulher. Mais tarde, também na internet, a torcida cobrou o clube, com campanha contra Juninho.

No Twitter, a hashtag “JuninhoNoCorinthiansNão” figurou entre as mais comentadas durante a noite de terça no Brasil. Neste ano, o Corinthians encampou diversas iniciativas em defesa das mulheres, como a campanha “Respeita as Minas”, lançada na semana do dia 8 de março.

Juninho é uma das maiores revelações das categorias de base do Sport e ganhou espaço em 2016. Em 2017, fez 28 partidas pelo profissional, mas acabou afastado por indisciplina no início de 2018. Acabou emprestado para o Ceará, só que também teve problemas, atuando apenas cinco jogos.

Em Fortaleza, Juninho também enfrentou muita resistência da torcida, em virtude de processo aberto na justiça pernambucana, em que ele é acusado de agressão, ameaça e injúria contra uma ex-namorada. O caso aconteceu em novembro de 2017.