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Catimba de ex-Boca e Valdivia diferente: o que espera Corinthians no Chile segundo 'espião' brasileiro

Colo-Colo e Corinthians se enfrentam nas oitavas de final da Copa Libertadores Divulgação Colo-Colo/Getty

O Corinthians não será o primeiro brasileiro a cruzar o Colo-Colo nesta edição da Copa Libertadores. Hoje sem clube, Vinícius Eutrópio, ex-Fluminense, encarou os chilenos na primeira fase, como técnico do Bolívar-BOL, e ajudou a desvendar o que espera o técnico Osmar Loss ao ESPN.com.br.

Eutrópio, aliás, já atuou informalmente como “espião” para ajudar brasileiros em confrontos sul-americanos. Foi assim quando o Vasco encarou o Jorge Wilstermann-BOL nesta Libertadores ou nos jogos de Fluminense e Bahia na Sul-Americana, contra Nacional Potosí-BOL e Blooming-BOL.

Nos jogos contra o Bolívar, de Eutrópio, os chilenos conseguiram um empate e uma vitória.

“Uma característica bem marcante do Colo-Colo é a experiência, demonstraram isso no jogo em La Paz, na altitude, souberam levar bastante o jogo para que o tempo passasse. No segundo jogo, em Santiago, que eles tinham que tomar mais as decisões do jogo, se mostraram uma equipe com boa posse de bola, boa qualidade técnica. E, sobretudo, nesse jogo, chamou a atenção a média de idade deles, foi uma equipe de 31 anos, muito experiente”, alertou Eutrópio.

De fato, a equipe chilena é bem mais velha que a corintiana. Os prováveis titulares do técnico Hector Tapia nesta quarta têm média de idade de 31,7 anos, cinco de diferença para 11 alvinegros: 26,5.

Em relação às características táticas do Colo-Colo, Eutrópio teve pela frente uma equipe armada no 4-2-3-1, sob o comando, contudo, ainda de Pablo Guede. Os chilenos trocaram de treinador no meio da fase de grupos da Libertadores e, com Tapia, passaram a atuar mais no 4-4-2, com dois homens de referência na frente, o artilheiro Esteban Paredes e Lucas Barrios, ex-Grêmio e Palmeiras.

“Time melhorou muito a questão tática defensiva, compactou mais os setores, as duas linhas se estreitaram mais. Quando o time do Colo-Colo é atacado, o adversário entra do meio-campo para frente, eles praticamente isolam o lado contrário, deixam o lado contrário bem livre e compactam um bloco bem homogêneo do lado da bola. Trabalhei as viradas longas”, avaliou Eutrópio.

“O time melhorou muito nisso, estavam tomando muitos gols, passaram a ser solidários, os volantes passaram a se fixar mais, porque os dois zagueiros não são tão rápidos. E eles liberam os dois laterais, principalmente em casa, ao mesmo tempo, fixando os volantes. Trabalhei meu time para pegar o contra-ataque. Eles se expõem um pouco dessa forma”, acrescentou.

Valdivia, aliás, também é diferente daquele que defendeu o Palmeiras, segundo o brasileiro. “No Palmeiras, ele voltava um pouco mais para tentar organizar o setor. Contra mim, como esse enganche, ele procurou ficar mais nas costas dos meus volantes, fazendo aquele entrelinhas, procurando trabalhar, encostar no Paredes, nas costas dos meus volantes. E revezando um pouco, quando a bola está centralizada, com os extremos”, disse.

“Agora, nesse 4-4-2, temos que ver. Mas ele saiu um pouco daquela característica do Palmeiras, de tentar vim, armar, buscar o jogo e ficou mais próximo e mais fixo, movimentando atrás dos volantes adversários, mais encostado no atacante central, que era o Paredes”, completou.

Além de Valdivia e Barrios, o Corinthians terá pela frente um outro velho conhecido, o goleiro Agustín Orión, de 37 anos. Era ele o titular do Boca Juniors na final de 2012, no único título alvinegro na Copa Libertadores. Já nos confrontos com Eutrópio, ele chamou atenção pela “cera”.

“O Orion tem um histórico interessante. Quando foi jogar em La Paz, com o Boca, atrasou muito o jogo. Fizeram uma avaliação, e jogo ficou parado 14 minutos a mais do que o normal, só em bola com ele. Isso há quatro anos, contra o Boca. Agora, com o Colo-Colo, estávamos alertas, alertamos a arbitragem, mas resumiu em nada, ele levou amarelo com uns 10, 15 minutos. Lá na altitude, eles levaram com uma experiência danada”, comentou.

Já em relação ao lado do Corinthians, o “técnico-espião” aposta que o atual esquema que vem sendo utilizado por Loss, sem ter tanto uma referência na frente, com Pedrinho, Jadson, Ángel Romero e Clayson flutuando mais no ataque, pode ser arma importante para a vitória. Na defesa, a preocupação é pelo alto.

“Esse atacante pode flutuar nas costas dos volantes e, nos contra-ataques, cair nas dos laterais, que sobem os dois ao mesmo tempo, para os meias entrarem. Acho que seria melhor a maneira, seguindo o que vem sendo feito e a melhor forma para enfrentar esse adversário.”

"Com os avanços dos laterais, os extremos fechando, vai haver muitos cruzamentos. E, com cruzamentos, eles contam com dois homens fixos, o Paredes (1,78m) e o Barrios (1,87m). Eles vão utilizar. Lá, são 35, 40 mil pessoas, bola rápida, campo rápido e pressão nessas bola aéreas. O Corinthians tem que se preparar bem para isso."