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Hugo Lloris, capitão da França, adora jogar na linha: 'Fã de Ronaldinho e Ronaldo Fenômeno'

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Titular e capitão da França na Copa do Mundo da Rússia, o goleiro Hugo Lloris foi o responsável por erguer a taça de campeão no estádio Luzhniki, neste domingo (15/07).

Ele tinha apenas 11 anos quando Zinedine Zidane comandou o país à conquista da Copa de 1998, após vitória por 3 a 0 sobre o Brasil na final. Em 2006, já com 19 anos e começando a se firmar entre os profissionais do Nice, acompanhou à distância Zidane e companhia chegarem a mais uma decisão. Desta vez, com derrota para a Itália na decisão, mas novamente deixando os brasileiros pelo caminho.

As duas vitórias sobre o Brasil em Copas do Mundo representam dois dos pontos mais altos da história da seleção francesa. Mas também não foram episódios capazes de abalar a admiração pelo lado perdedor nestas ocasiões.

"Ele dizia que admirava muito os jogadores brasileiros como Ronaldo e Ronaldinho por serem caras habilidosos", diz ao ESPN.com.br o meia-atacante Ederson, que está no Flamengo, mas que foi companheiro de Lloris no futebol francês. "Talvez poucas pessoas saibam disso, mas ele joga muito bem com os pés, é um canhoto com habilidade. Nos treinos mais descontraídos, ele jogava na linha e era impressionante."

Apesar disso, o arqueiro, que vinha fazendo uma Copa do Mundo praticamente perfeita, cometeu uma falha quando justamente quando foi sair com os pés. Ele foi desarmado por Mandzukic, que fez um dos gols da Croácia na vitória francesa por 4 a 2.

Amigos desde o Nice

As trajetórias dos dois se tinham acabado de se cruzar na época da Copa de 2006. Alguns meses antes de Thierry Henry empurrar a bola para o fundo das redes de Dida naquela confronto pelas quartas de final do Mundial da Alemanha, Lloris fez sua estreia como profissional na Ligue 1. Isso aconteceu em março. Dali para frente foram mais quatro atuações como titular no gol do Nice, que tinha Ederson na linha de frente.

"Ele se destacou muito rápido, vi que logo ia fazer sucesso virar titular mesmo", conta Ederson. "Ele entrou na equipe e quando se firmou virou indiscutível. Teve uma evolução muito rápida."

Foi bem rápida mesmo. Tanto que dois anos depois Lloris já estava sendo convocado para defender o gol da seleção francesa. Uma outra consequência natural de suas boas atuações pelo Nice foi o interesse que despertou de grandes clubes europeus naquele ano. O Tottenham, seu atual time, já queria levá-lo naquela época. Quem também estava na disputa era o Milan, que buscava uma alternativa para Dida. Mas quem levou a melhor foi o Lyon, onde reencontrou o atacante brasileiro.

"Eu tinha sido contratado em janeiro de 2008 pelo Lyon, mas fizeram um acordo para que eu fosse para lá só ao final da temporada", lembra Ederson. "Quando cheguei lá, o Lloris estava sendo bastante disputado no mercado. Aí eu falei para ele ir para o Lyon também. Assim ele teria a oportunidade de continuar na França e nós poderíamos evoluir juntos. Foram mais quatro anos como companheiros e fomos até parceiros de quarto."

As conversas entre os dois passavam bastante pelas suas respectivas famílias. Ederson se refere aos parentes de Lloris como "ótimas pessoas" e lembra até hoje do pai do francês, que acompanhava os jogos no estádio. O tênis foi o primeiro esporte do garoto Hugo, que idolatrava o brasileiro Guga Kuerten.

Até hoje o goleiro e o meia se conversam.

Por causa deste tempo todo de convivência no Nice e no Lyon e também pela postura em comum fora dos gramados, Ederson coloca Lloris como um grandes amigos que ganhou no futebol. "Ele falava pouco, mas a gente sempre se entendeu bem porque também sou uma pessoa tranquila quando não estou jogando. Prefiro descansar e ficar em paz. E a gente se dava bem por causa disso. Íamos dormir na hora certa e nos preparávamos da maneira correta para os jogos", relata.

Mas é bom que ninguém se engane: Lloris pode não ser muito falante em condições normais, mas Ederson lembra do quanto o goleiro sabe fazer isso na hora certa. "Nos momentos em que é necessário, ele é o primeiro a falar. Ele sempre foi um líder neste sentido. Dava bons exemplos e era muito firme. Tem uma personalidade bastante forte para dar opinião. Por isso ele é o capitão da seleção francesa. Ele tem uma liderança natural", conta.

A parceria entre os dois chegou acabou ao final da temporada 2011/12, quando Ederson assinou com a Lazio. Um ano depois, Lloris juntou-se ao Tottenham, onde está até hoje e se consolidou como um dos grandes goleiros do futebol mundial.

Sinal de que toda a ligação que construíram durante seis anos ficou para trás? Negativo. "Até hoje conversamos muito por WhatsApp", afirma o brasileiro.