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VAR muda 17 decisões na Copa, rouba cena na final e deixa claro que ainda pode melhorar

O tão esperado árbitro de vídeo finalmente estreou em um grande palco, no maior torneio do mundo. O VAR deixa a Copa do Mundo na Rússia com um saldo até positivo, mas também deixando espaço para melhorias. E provando uma vez mais que não vai acabar com a graça do futebol para quem acha as polêmicas de arbitragem divertidas.

No total, foram 17 decisões revertidas pelo VAR. E ele acabou sendo importantíssimo para o resultado final da Copa do Mundo. Como mostrou o ESPN.com.br em uma análise subjetiva, o árbitro de vídeo não alterou nenhum classificado às oitavas de final, mas acabou mudando a ordem de alguns confrontos.

Sem ele, por exemplo, a final França e Croácia nem seria possível, já que as duas seleções se encontrariam logo nas oitavas. E sem ele a decisão talvez tivesse um resultado diferente.

O curioso é que o VAR havia praticamente desaparecido na fase de mata-mata. Até a final, só uma decisão revertida não havia sido na fase de grupos – um pênalti transformado em falta fora da área para a Suécia, com expulsão do zagueiro da Suíça, logo nas oitavas.

A grande decisão, porém, contou com o ‘retorno’ do árbitro de vídeo. Aos 34 minutos, Nestor Pitana foi avisado em sua comunicação interna de um possível pênalti. Reviu o lance e assinalou a penalidade polêmica para a França por toque na mão de Perisic – e isso depois de a França ter aberto o placar em um lance que não foi falta e ainda contava com impedimento na cobrança.

As polêmicas deixam bem claro que o trabalho em cima do VAR a ser feito ainda existe. E ele envolve três pontos principais: conscientização, transparências e velocidade.

A começar pelo fato de ninguém ter entendido 100% como o sistema está funcionando – nem jogadores, nem árbitros e nem torcedores.Talvez também seja necessário alguma forma que faça com que o público saiba quais lances foram analisados de fato – na maioria deles, a revisão acaba sendo feita sem que o árbitro interrompa a partida. Também seria importante que o próprio juiz pudesse explicar suas decisões.

E, claro, algumas decisões precisam ser tomadas mais rapidamente, sem tomar muito tempo da partida – como no pênalti da grande decisão.

No fim, outras seleções acabaram deixando o torneio com algumas reclamações a fazer. Principalmente o Brasil. O time de Tite não foi ‘ajudado’ nenhuma vez. Pelo contrário. Logo na estreia, pediu falta no gol que sofreu da Suíça e não foi atendido, mesmo com as imagens mostrando um empurrão no lance. Depois, teve um pênalti em Neymar contra a Costa Rica desmarcado.

No mata-mata, a seleção brasileira reclamou do mexicano Layún não ter sido expulso por um pisão no próprio Neymar e também de um pênalti não marcado em cima de Gabriel Jesus, no jogo fatídico da eliminação diante das quartas de final.

De qualquer forma, o balanço feito por todos, principalmente pela Fifa, é positivo.

“Quando você vai no dicionário e procura a palavra 'progresso', progresso significa fazer algo melhorar em comparação ao passado. Isso é progresso, isso é melhor que o passado. O VAR não está mudando o futebol, ele está limpando o futebol, está fazendo o jogo mais transparente e está fazendo os árbitros tomarem as decisões corretas. De todas as decisões tomadas, 95% estavam corretas. Graças ao VAR, aumentamos para 99,32% até agora. Não é 100%, mas é 99,32%, o que é melhor que 95%", disse Gianni Infantino, o presidente da Fifa.

E o VAR acabou estando envolvido em algumas marcas interessantes. Ele ajudou que fosse a Copa do Mundo com mais pênaltis marcados e com mais gols de bola parada. Também foi um dos Mundiais com menos cartões vermelhos da história.

"A presença do VAR tem muito a ver com o aumento dos gols de bola parada. O VAR não só é um instrumento para minimizar erros, ele acaba fazendo com que os jogadores diminuam os empurrões dentro da área. Desta forma, eles acabam tendo mais espaço para se movimentar", explicou o escocês Andy Roxburgh, membro de um grupo de estudos técnicos da Fifa sobre o assunto.

"Agora, você sabe que se der uma cotovelada no rosto de alguém, vão ver isso. Uma das câmeras vai ver e você vai ser expulso. É difícil agora pensar em uma Copa do Mundo sem o VAR. Certamente a competição foi muito mais justa graças ao sistema. Era isso que a gente queria e foi isso que alcançamos", decretou Infantino.

Veja as decisões mudadas pelo VAR:

França x Austrália
Pênalti marcado para a França após revisão – Griezmann marcou

Peru x Dinamarca
Pênalti marcado para o Peru após revisão – Cueva perdeu

Costa Rica x Sérvia
Cartão amarelo dado a Prijovic (SER) após revisão

Suécia x Coreia do Sul
Pênalti marcado para a Suécia após revisão – Granqvist marcou

Rússia x Egito
Pênalti marcado para o Egito após revisão – Salah marcou

Dinamarca x Austrália
Pênalti marcado para a Austrália após revisão – Jedinak marcou

Brasil x Costa Rica
Pênalti para o Brasil cancelado após revisão

Nigéria x Islândia
Pênalti marcado para a Islândia após revisão – Sigurdsson perdeu

Irã x Portugal
Pênalti marcado para Portugal após revisão – Ronaldo perdeu

Irã x Portugal
Expulsão de Ronaldo (POR) transformada em amarelo após revisão

Espanha x Marrocos
Gol de Aspas (ESP) validado após revisão (havia sido anulado por impedimento)

Irã x Portugal
Pênalti marcado para o Irã após revisão – Ansarifard marcou

Coreia do Sul x Alemanha
Gol de Kim Young-Gwon (COR) validado após revisão – havia sido anulado por impedimento

Suíça x Costa Rica
Pênalti para a Costa Rica cancelado após revisão

Senegal x Colômbia
Pênalti para o Senegal cancelado após revisão

Suécia x Suíça
Pênalti para a Suécia transformado em falta fora da área e amarelo para Lang (SUI) transformado em vermelho

França x Croácia
Pênalti marcado para a França após revisão – Griezmann marcou