<
>

Copa mais cara da história mostra Rússia 'não selvagem' ao mundo, mas não esconde todos os problemas

play
Copa do Mundo na Rússia: Everaldo Marques elogia país-sede e destaca 'nova' imagem do povo russo (1:43)

Direto de Moscou, jornalista da ESPN compartilhou a ótima experiência na cobertura do Mundial (1:43)

A Rússia levou os gastos com uma Copa do Mundo a outro patamar. Foram cerca de 683 bilhões de rublos (mais de R$ 42 bilhões na cotação atual), superando o Brasil como o torneio mais caro de toda a história. Mas todo esse dinheiro envolvido termina com uma sensação positiva ao país. Nestes 30 dias, o planeta pôde mudar por completo a sua percepção quanto ao povo russo.

E essa é mesmo a sensação de todo mundo, de quem esteve por aqui por conta do Mundial e também de quem mora na Rússia.

“Não é uma questão de quanto investimos, mas sim de mostrar nossa cidade ao mundo. Provar que, no fim das contas, os russos não selvagens, nõa são uns demônios”, resumiu Georgy, um habitante de Ekaterimburgo, uma cidade que recebeu apenas quatro jogos, todos ainda na primeira fase do torneio.

Esse, de fato, era o objetivo principal da Rússia. O presidente Vladimir Putin não escondia de ninguém que gostaria de sediar a Copa justamente para mudar a imagem até então arranhada do país perente o mundo – uma imagem vítima de ações políticas contestáveis que ele mesmo tomou.

Mas é claro que a Copa do Mundo não foi perfeita. E tampouco deixou essa imagem russa intacta.

Quanto a organização, é verdade, os problemas foram muito pequenos. Estádios superlotados de jornalistas principalmente em Moscou, aeroportos sem a infraestrutura necessária para receber tanta gente ao mesmo tempo, principalmente o de Kazan. Mas, em geral, o transporte e a segurança funcionaram quase que perfeitamente.

“Há alguns anos disse que este Mundial seria o melhor da história e hoje posso dizer que a Rússia-2018 é a melhor Copa do Mundo da história”, decretou Gianni Infantino, presidente da Fifa.

Só que fora de campo alguns problemas russos ainda ficaram bastante claros. O principal deles relacionado ao assédio às mulheres. A Fifa relatou 45 casos, mas admitiu que muitos outros aconteceram. Isso ainda é intrínseco à cultura do país, que vai precisar de tempo e principalemente de força de vontade para mudar isso.

“Este número pode ser até dez vezes maior, mas muitos não são reportados", afirmou Piara Powar, diretor-executivo da Fare Network, empresa contratada pela Fifa para averiguar abusos.

A comunidade LGBT também não teve espaço. Os poucos que tentaram desafiar a ordem e protestar durante o Mundial acabaram sendo detidos pela polícia.

Essa liberdade, aliás, ainda não existe na Rússia. O povo tem receio de criticar o governo e naão se sabe direito o que acontece com quem ousa se opor publicamente a Putin.

Outra enorme contestação é quanto aos estádios. Dos 12 que receberam a Copa do Mundo, cinco receberão apenas jogos de segunda divisão de agora em diante. E mesmo a elite do futebol local costuma colocar em média só 13 mil torcedores nas arquibancadas. Se tornarão eles elefantes brancos russos?

De toda forma, esses problemas acabaram sendo um tanto quanto ofuscados pelo grande espetáculo, e o objetivo principal foi sim alcançado.