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A história por trás da 'melhor foto': o brasileiro que eternizou seu nome na Copa do Mundo

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Desde o último dia 19 de junho, Rodrigo Villalba se tornou um sucesso instantâneo.

Sua foto tirada em Senegal 2x1 Polônia, na primeira rodada do grupo H da Copa do Mundo, mostrou a diversidade. A pluralidade. Do que o mundo é feito.

O senegalês Sadio Mané sendo ajudado pelo brasileiro naturalizado polonês Thiago Cionek a se levantar do gramado. Emblemática.

A imagem viralizou, rodou o mundo, a Fifa postou...

"Fiquei muito contente com tudo o que aconteceu, pela minha categoria toda de fotojornalista e para a imprensa brasileira em geral. A imagem veio mostrar que o brasileiro também é bom, está entre os melhores", disse o fotojornalista do site Futebol Interior em Moscou.

Agradando gregos e colombianos, o campineiro fez história na Copa da Rússia.

"De incomum, de várias entrevistas que dei (muitos colombianos vieram me procurar), é um jornal da Grécia: a gente tentou juntar as linguagens, um pouco do grego, um pouco do inglês, português, e saiu legal uma matéria. Saiu a foto na coletiva de imprensa da Fifa, algo que eu nunca imaginaria: uma imagem minha, não sendo contratado da Fifa, ser um freelancer. Foi algo incomum, nunca tinha visto", recordou.

Villalba contou já saber que será homenageado pela prefeitura de sua cidade-natal e até mesmo por grupos de candomblé e umbanda de Campinas. Ainda assim, ele garantiu ter seguido seu trabalho sem problema.

"Não mudou nada, segui o mesmo plano traçado, fiz o briefing do trabalho. Só fiquei muito contente pelo trabalho que está sendo feito. Mudança radical, nenhuma. Não que seja cinco minutos de fama, mas o reconhecimento veio de forma efetiva. Não são só os gringos, as grandes agências, uma pessoa sozinha como eu vim e fiz a imagem, eu produzi, criei na minha mente. Ela vai passar uma hora ou outra, mas a imagem e o nome ficam eternizados na Copa do Mundo", analisou.

"É minha segunda Copa do Mundo, a primeira em um país tão grande. Ela é bem cansativa, mas é prazerosa também. Nós todos somos privilegiados por estar aqui e levar ao mundo com qualidade uma imagem, uma reportagem, um texto, isso é muito gratificante".

O fotógrafo mostrou a primeira tentativa de sua imagem perfeita: o mesmo Thiago Cionek ajudando M'Baye Niang a se levantar. Mas há um porém: o atacante do Torino usa uma segunda pele verde.

Conto a ele que na faculdade de jornalismo um professor de fotografia disse uma vez que a melhor imagem será sempre a próxima.

Para Rodrigo Villalba, no entanto, essa é uma realidade distinta.

"Essa pergunta é ótima. Eu vou te falar que eu não sei te responder isso, porque como é que eu vou superar uma coisa dessa? Os meus amigos aqui brincam: 'Villalba, já pode ir embora, você já ganhou a Copa, não tem mais o que você fazer aqui'. Não tem como superar algo desse", assegurou.

"Até agora, na minha concepção pessoal, para mim vai ser impossível eu superar uma imagem que foi tão compartilhada, tão espontânea e que mexeu com tanta gente no mundo. Eu não sei, não tenho resposta certa para isso".

"Eu me sinto com dever mais do que cumprido, não tenho mais o que fazer, não almejo mais nada. Eu queria fotografar uma final, já fiz no Brasi. Eu queria participar de uma Copa do Mundo de maneira mais efetiva, já fiz essa foto que foi muito além do que eu esperava. Depois dessa, eu já poderia aposentar a câmera. Não almejo muito mais do que isso, porque essa imagem foi muito forte", definiu o fotojornalista.