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Mandzukic, herói da Croácia, é conhecido como 'Motoqueiro Fantasma'

Autor do gol que mandou a Croácia pela primeira vez na história para uma final da Copa do Mundo, Mario Mandzukic nunca deve ser colocado como carta fora de baralho pelos zagueiros rivais, como adverte um brasileiro que lhe conhece muito bem.

Trata-se do também atacante Dodô, atualmente no Larissa-GRE, que atuou com Mandzukic durante mais de um ano no Dínamo Zagreb. Lá, fez amizade com o matador, atualmente na Juventus, e inclusive lhe deu um apelido que pegou.

"Fiz dupla de ataque com ele e fico maravilhado de ver o sucesso que ele fez. A gente tinha muita amizade, trocávamos mensagens pelo antigo Blackberry e jogávamos um joguinho chamando Live Big Bong, Até mesmo no estádio a gente ficava disputando (risos)", lembra, ao ESPN.com.br.

"Apelidei ele de 'Motoqueiro Fantasma', porque ele ficava quieto, na dele, perto do gol, e parecia que os zagueiros não viam. Aí, do nada ele aparecia livre e fazia gol de tudo que era jeito. O apelido até pegou, porque parecia que ele surgia do nada (risos)", conta.

"É um cara raçudo, atacante completo. Todo time tem que ter um cara como ele. Não pára e está em tudo quanto é lugar, além de ser muito humilde e bom de grupo", elogia.

Só que Dodô e Mandzukic nem sempre foram bons amigos. Quando o brasileiro chegou ao Dínamo, vindo de boa passagem pelo Zapresic, o croata não gostou da concorrência, e chegou até a brigar com o hoje atleta do Larissa.

"No começo, a gente chegou a brigar e discutir. Sabe como é, quanto um jogador novo chega, o que já está fica com ciúmes. Ele não dava bom dia nem apertava a minha mão. Resolvi ficar na minha e fazendo o meu trabalho, já que era novo e inexperiente. A gente chegou até a bater boca algumas vezes, não era um clima legal", relata.

Depois, porém, tudo se resolveu.

"Isso tudo foi antes de eu fazer minha estreia. Quando entrei no meu primeiro jogo, fiz um gol muito rápido, com uns 30 segundos. Logo depois, recebi um cruzamento do (brasileiro) Sammir, toquei pro Mandzukic e ele fez o gol. Daí ele veio correndo, me deu um puta abraço e falou: 'É isso que eu quero de você'", recorda.

"Aí começamos a ficar amigos. Jogávamos videogame juntos e escutávamos música juntos nas viagens. Ele é um cara nota 10. Fui o primeiro que mostrou para ele a música 'Ai se eu te pego', do Michel Teló (risos). 'Lepo lepo' fui em quem mostrou também, ele adorava!", brinca.

Segundo Dodô, o "Motoqueiro Fantasma" também gostava de aprontar algumas traquinagens com os colegas de equipe, mas especialmente com o companheiro de ataque, que sofria com algumas brincadeiras mais brutas do matador.

"Ele gostava de ficar me beliscando, dando tapa na cabeça, é meio bruto (risos). Um dia, ele estava tomando água e eu estava de costas. Ele me chamou e, na hora que eu virei, esguichou toda a água na minha cara, morrendo de rir. Olha que sacana (risos)", sorri.

Dodô e Mandzukic acabaram se separando em 2010, quando o brasileiro foi para o Lokomotiva, da Croácia, e o croata acabou vendido para o Wolfsburg, da Alemanha. Hoje, perderam contato e pouco se falam, mas o atleta do Larissa fica feliz em ver o sucesso do velho amigo.

"No tempo do Dínamo, ele sempre me falava em como sonhava em virar o titular da seleção. É legal demais vê-lo comendo a bola na Juventus, ganhando tudo no Bayern, no Atlético de Madri, jogando Copa do Mundo, e fazendo muitos gols. Tenho orgulho de ter atuado com ele", diz o brasileiro.

Depois do Wolfsburg, Mandzukic passou com sucesso pelo Bayern, clube pelo qual conquistou oito títulos, e pelo Atlético de Madri, no qual conquistou a Supercopa da Espanha, antes de chegar à Juventus.

Pela seleção croata, o grandalhão está em sua segunda Copa do Mundo, a primeira foi em 2014 no Brasil, onde marcou dois gols, contra Camarões, sendo eleito o melhor jogador em campo nessa partida.

Seu próximo desafio é contra França, neste domingo, às 15h (horário de Brasília), pelas final da Copa. Aos franceses, um aviso: cuidado com o "Motoqueiro Fantasma"!