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Real, Juventus e Cristiano Ronaldo: para colunista espanhol, todo mundo perdeu nessa transação

A Juventus anunciou na última terça-feira a contratação de Cristiano Ronaldo, que deixa o Real Madrid após nove anos de um "casamento" que rendeu diversos títulos e a idolatria ao craque português. E não dá para dizer que todos na capital espanhola entendam a decisão do jogador.

Em artigo escrito no jornal madrileno Marca, o colunista Juan Ignácio García-Ochoa diz crer que absolutamente ninguém sai ganhando nesta negociação: nem Real, nem Juve, nem o próprio Cristiano.

"Confirmou-se um dos piores negócios do século, a transferência de Cristiano Ronaldo para a Juventus. Sim, foi o que disse: o pior negócio do século, porque temo que estamos diante de uma operação de três lados, em que nenhum ganha. O tempo dirá", detona o jornalista.

Começando pelo Real Madrid, García-Ochoa diz que o clube "perdeu uma nova oportunidade de se despedir de uma de suas lendas da forma que ela merece".

"Assim como Raúl e Casillas, recentemente, CR7 se vai pela porta de trás. Desta vez não é a despedida de um jogador das categorias de base, mas da figura mais importante da história do clube junto a Alfredo di Stéfano. [...] Um animal que não voltará a encontrar o Real Madrid", opina.

"O Madrid contratará um, dois, três ou quatro craques para substituí-lo e os que vierem não vão marcar 50 gols por temporada durante nove anos seguidos. O Real deve refletir sobre o por que deste adeus tão feio e precipitado. Economicamente, a operação é o de menos. 100 milhões de euros é uma extraordinária quantidade para um jogador de 33 anos, mas não para Ronaldo. As lendas não têm preço", completa.

Durante muitos anos, Cristiano ameaçou sair do clube caso não tivesse seu contrato renovado e o salário aumentado. A última vez aconteceu após a final da Uefa Champions League, contra o Liverpool, no final de maio. Para o jornalista, o atacante tem direito, sim, de sair, mas ele relembrou de seus feitos juntamente com seus colegas de Real.

"Ele deveria pensar que se status conquistado não foi sozinho que o fez. Por trás, teve o maior clube do planeta e companheiros espetaculares que jogaram para ele. Sérgio Ramos, Marcelo, Benzema, Modric Casemiro... O futebol é um esporte coletivo, não de um só jogador", diz.

García-Ochoa ainda faz questão de relembrar à Juve que Cristiano Ronaldo, apesar da inegável boa forma para um jogador de 33 anos, já não tem o mesmo fôlego de antes e, inclusive, teve de ficar de fora de 13 partidas na temporada para ser poupado. Além disso, ele questiona como o clube italiano fará para pagar toda a operação.

"O golpe do século, dizem na Itália. Sim, em termos de impacto, a contratação é espetacular. Mas, por ora, é só isso mesmo, impacto. Dentro de uma semana, o clube italiano, que fez de tudo para reunir o dinheiro, deve começar a pensar como amortizar uma operação de 345 milhões de euros (112 da transferência e 60 brutos por temporada) por um jogador que está a ponto de completar 34 anos", finaliza.