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Cavani já viveu jejum de gols após exagerar numa feijoada: 'Entrava em campo pesado'

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Uruguai vence com gols de Cavani e Suárez e acaba com invencibilidade da Rússia; veja as melhores imagens (0:59)

Além da dupla, uruguaios aproveitaram gol contra de Cheryshev para vencerem por 3 a 0 (0:59)

Uma das grandes estrelas da Copa do Mundo, Edinson Roberto Cavani Gómez é conhecido em todo o planeta pelo faro de artilheiro que mostra no Paris Saint-Germain e na seleção uruguaia. Autor de um dos gols da vitória do Uruguai por 3 a 0 sobre a Rússia, o centroavante é avesso à badalação.

Discreto, o atacante evita falar sobre sua vida pessoal ou sua religiosidade fervorosa, vista sempre que o jogador deixa sua marca.

Para saber mais sobre Cavani, o ESPN.com.br procurou dois amigos brasileiros do centroavante: o goleiro Rubinho, que jogou com o matador no Palermo, e o zagueiro Emílson Cribari, que atuou ao lado dele no Napoli.

Ambos foram enfáticos ao ressaltar a raça e a disposição do uruguaio, que corre freneticamente até nos treinos ou quando não vale nada.

"O que sempre me impressionou nele são a força e determinação nos treinamentos, que é idêntica dentro de campo, mesmo ele sendo considerado uma estrela", conta Cribari. "É muito determinado, um cara que se doa 100% ao time, tem pouca vaidade e corre por todos", completa Rubinho.

Para se tonar uma estrela mundial, porém, Cavani teve que aprimorar muito seu jogo. Quando chegou ao Palermo, em 2007, vindo do Danubio, do Uruguai, o centroavante era visto como um diamante a ser lapidado. Rubinho ajudou o colega com horas extras de treino na equipe da Sicília.

"Vendo ele hoje, noto que melhorou muito desde quando jogou comigo. Fisicamente e tecnicamente, é um jogador totalmente diferente de quando o conheci. Na época do Palermo, ele era muito jovem, errava algumas coisas pela idade. Mas, quando fazia algo errado, depois do treino ele pedia para ficar comigo para trabalhar finalizações e cruzamentos para melhorar", lembra o goleiro.

"Hoje ele é muito mais frio e consciente dentro da área, é um matador, como diziam no Palermo. Antes ele tinha muita pressa pra resolver os lances, hoje não tem mais. Quando atuamos juntos, ele era titular absoluto e dava pra dizer que carregava o time nas costas", acrescenta.

Cavani deixou o Palermo em 2010, comprado pelo Napoli. A transferência rendeu outra história marcante para o atacante, como recorda Rubinho.

"Quando ele saiu, nosso treinador, o Delio Rossi, falou que ele não deveria mudar de time, porque Palermo e Napoli se equiparavam. Hoje, a gente vê que ele fez a escolha certa, depois do Napoli ele arrebentou e está no PSG, é um dos melhores do mundo. Já o técnico que falou isso ficou um tempão desempregado e voltou a trabalhar um time na segunda divisão", ironizou o arqueiro da Juventus.

Passarinhos e feijoada

Emílson Cribari e Cavani eram bons amigos nos tempos de Napoli. Eram "parças" de churrasco e viviam visitando os melhores restaurantes de Nápoles nas folgas. O brasileiro lembra com carinho do uruguaio e de sua grande paixão: criar passarinhos.

"Ele é de uma família simples do Uruguai, adora pescar com os amigos, ficar no campo. Ele tem no sítio dele uns 300 passarinhos de vários tipos, é apaixonado por eles. O amor dele pelos bichos ficou muito marcado na minha memória", relata o defensor, que passou pelo Cruzeiro.

Cavani não é conhecido por ser exatamente um cara brincalhão e bem-humorado. No entanto, tanto Cribari quanto Rubinho tem boas "resenhas" para contar do amigo, como o dia em que ele ficou furioso porque não acertava os chutes em um treino.

"Teve um dia que ele estava chutando torto, toda hora pro lado errado. Eu estava defendendo e gritei pra ele: 'Você quer que eu empurre as traves pro lado pra você acertar? Aí quem sabe você me dá algum trabalho'. Rapaz, ele ficou uma fera (risos)! Depois a gente se acertou, eu estava só enchendo o saco", narra o goleiro.

A melhor história, porém, envolve o atacante uruguaio e uma das grande iguarias da culinária brasileira, a feijoada, que Cavani conheceu da pior maneira possível.

"Ele é apaixonado por comida brasileira e teve um dia em que fomos comer feijoada na Itália. Ele gostou tanto, mas tanto, que acabou exagerando na picanha, na feijoada, na lniguiça, até na couve (risos). Comeu demais, nunca vi igual! Depois disso, ficou uns três jogos sem fazer nenhum gol (risos)", diverte-se Cribari.

"Naquele ano [2012], isso foi raro, porque ele era um dos artilheiros do Italiano. Então, a gente tirava muito sarro, ficava falando que ele entrava em campo pesado, com a barriga cheia de feijoada, e não conseguia mais fazer gols. E ele retrucava, reclamava que o culpado era eu por ter apresentado o restaurante para ele", finaliza.