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O VAR chega à Rússia: relembre todos os casos na Copa de 2018

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'VAR não é um aparelho, é uma pessoa', diz Bertozzi sobre possíveis erros do árbitro de vídeo na Copa (2:09)

Comentarista analisou críticas ao VAR, que estreia em Mundiais (2:09)

O árbitro de vídeo (VAR) gerou manchetes na Copa do Mundo da Rússia.

Abaixo, examinamos cada decisão que o árbitro tomou ao se dirigir à tela localizada ao lado do campo, para comprovar (ou não) a infração. Em cada instância até o momento, o árbitro mudou de opinião nas jogadas na área e concedeu pênalti. O único caso em que que não houve mudanças de decisão depois da revisão do VAR foi um não-cartão vermelho ao sérvio Aleksandar Prijovic, ainda que ele tenha sido corretamente repreendido.

Além disso, consideramos ocasiões nas quais não se pediu uma revisão ao árbitro quando talvez o VAR deveria ter feito isso.

19 de junho: Rússia x Egito

Mohamed Salah foi levado ao chão, e o árbitro Enrique Caceres deu a falta quase na linha da grande área. O VAR interviu e instruiu o juiz a dar o pênalti, uma vez que a falta continuou na área. O VAR faz todas as decisões factuais (não subjetivas), relacionadas a onde uma infração ocorreu (dentro ou fora da área, impedimento, etc.), e é por isso que o árbitro não teve que ver ele mesmo o incidente na tela ao lado do campo.

Avaliação do VAR: 10/10 – Exatamente como sistema deveria funcionar

Segunda-feira, 18 de junho: Inglaterra x Tunísia

Houve três incidentes nesta partida. No primeiro, Kyle Walker acertou Fakhreddine Ben Youssef com seu braço. O ângulo da câmera lateral condenou o defensor do Manchester City, que aparentemente jogou o seu braço para trás. Não foi um caso que se pôde considerar “erro claro e óbvio”, e então o VAR fez o correto ao confirmar o pênalti marcado.

Depois, Harry Kane reclamou duas vezes de pênalti. O problema é que, ainda que os incidentes tenham sido revisados, ninguém sabe por que o VAR chegou à decisão de não avaliá-los para ver se eram pênaltis. Claramente cometeram falta em Kane em ambas as ocasiões, mas o árbitro Wilmar Roldán ficou sem receber a recomendação de que se revisassem.

Uma explicação seria que John Stones empurrou Ellyes Skhiri instantes antes da infração de Ferjani Sassi em Kane, e isso anulou qualquer revisão. No segundo caso, pode ser que Kane agarrava o braço de Yassine Meriah pouco antes que o tunisiano caísse por cima do jogador inglês. Mas permanece a incerteza em ambos os casos.

Avaliação do VAR: 2/10 – Existiriam razões válidas pelas quais não se concederam à Inglaterra pênaltis em estes casos, mas para os que observavam a partida, não se sabia por que.

Suécia x Coreia do Sul

Este caso claramente foi erro do árbitro Joelm Aguilar logo depois da forte entrada de Kim Min-Woo sobre Viktor Claesson. O surpreendente foi que o VAR fez Aguilar interromper a partida enquanto a Coreia do Sul desenhava o contra-ataque. O protocolo VAR indica que o jogo deve ser interrompido somente quando a bola esteja em zona neutra ou durante momento de inação, para evitar que se lese o rival, caso seu ataque seja interrompido desnecessariamente.

Quando há uma pausa depois da jogada, tende a indicar que o VAR está confiante que houve um pênalti. Em outras ligas que estão testando o sistema, o VAR concede a penalidade em vez de pedir revisão. No entanto, a Fifa exige que cada decisão subjetiva neste Mundial seja comprovada pelo árbitro no campo.

Para registro, se a jogada se completasse com gol sul-coreano, esse tento teria sido anulado depois da revisão do VAR, e os suecos então teriam um pênalti a favor, por tratar-se do primeiro incidente.

Avaliação do VAR: 7/10 – Deter o ataque rival para uma revisão não é o protocolo. Assim que, enquanto a decisão foi correta, o VAR não fez da maneira correta.

Domingo, 17 de junho: Costa Rica x Sérvia

Para o final da partida, houve uma revisão sobre quanto a um cartão vermelho ao sérvio Aleksandar Prijovic por colocar sua mão no rosto de seu rival. Alguns questionaram por que se mostrou o amarelo a Prijovic quando o VAR revisa as expulsões. Os casos de cartão amarelo não se revisam, mas o árbitro Malang Diedhiou tem todo o direito de advertir o jogador depois da revisão pelo cartão vermelho.

Avaliação do VAR: 10/10 – O protocolo foi seguido de maneira correta.

Brasil x Suíça

A Suíça igualou a partida com um gol de Steven Zuber, mas as repetições da jogada mostraram que ele deu um empurrão em Miranda. O VAR optou por não avisar o árbitro César Arturo Ramos. Surpreendente, já que havia boas probabilidades de que o gol fosse anulado. O Brasil também reclamou de pênalti em Gabriel Jesus por suposta falta de Akanji na área. A CBF até exigiu explicações à Fifa.

Avaliação do VAR: 7/10 – O empurrão de Zuber não foi grande coisa, mas alguns questionam a razão pela qual não mereceu revisão do árbitro. O protocolo foi usado corretamente.

Sábado, 16 de junho: França x Austrália

Os primeiros dois dias do Mundial da Rússia foram tranquilos, e o VAR se manteve às escondidas, mas veio à tona em Kazan.

Antoine Griezmann tinha o gol ao alcance antes de ser derrubado por uma entrada de Joshua Risdon. O VAR indicou ao árbitro que devia revisar o caso e, ao conceder-se o pênalti, estabeleceu uma marca inédita no Mundial. O contato foi mínimo, e alguns duvidaram se se tratava de um “erro claro e óbvio”. A única opinião que conta é a do árbitro Andrés Cunha, depois de analisar a repetição, e claramente sentiu que cometeu um “erro claro e óbvio”. Pênalti para França, advertência para Risdon.

Avaliação do VAR: 7/10 – Por último, a decisão do VAR foi a correta, mas nem todos estão de acordo que foi “erro claro e óbvio”.

Argentina x Islândia

Cristian Pavón caiu dentro da área ao chocar-se com Birkir Saevarsson, mas a partida seguiu sem uma revisão oficial.

Uma falta é uma decisão subjetiva, e isso quer dizer que um árbitro pode ter uma opinião distinta de outro juiz. Isso também se aplica aos árbitros de vídeo, já que um pode optar por revisar, enquanto que outro, não. Nesta instância e muitas outros que seguramente veremos à frente, o VAR optou por descartar sugestão alguma ao árbitro Szymon Marciniak, ainda que muitos sentiram que o lance merecia revisão. Isso gera uma falta de clareza.

Avaliação do VAR: 2/10 – Não foi pênalti de obstrução, mas sim mereceu a opinião do árbitro. Alguns opinam que a falta era mais óbvia que a de Risdon.

Peru x Dinamarca

Foi dado o pênalti à seleção peruana quando Yussuf Poulsen derrubou Christian Cueva. Foi falta óbvia, e a única surpresa foi que o mesmo árbitro Bakary Gassma não deu o pênalti de início. Mas, para esses casos, existe o VAR. O jogo foi interrompido de maneira correta em zona neutra.

Avaliação do VAR: 10/10 – Perfeitamente administrado.