<
>

Copa do Mundo: Torreira é a maior pechincha do mercado da bola e sofreu com verrugas nos pés

No elenco do Uruguai que disputa a Copa do Mundo 2018 está a maior pechincha do mercado da bola europeu na atualidade: o volante Lucas Torreira, de 22 anos, que deve trocar a Sampdoria pelo Arsenal por "apenas" 30 milhões de euros (R$ 130,25 milhões) após o Mundial.

É um valor considerado ínfimo por um atleta jovem e apontado como especialistas como futuro craque.

O atleta, que tem chance de ser titular na partida desta quarta-feira entre os uruguaios e a Arábia Saudita, em Rostov, às 12h (de Brasília), pela 2ª rodada do grupo A do Mundial, vem de duas excelentes temporadas pelo clube de Gênova.

Com um jogo marcado pela retenção de qualidade e excelente toque de bola, o jogador parece evoluir a cada rodada e ficar mais completo. Em 2017/18, por exemplo, fora 4 gols marcados, contra 0 de 2016/17, prova de sua melhora na finalização.

Mas antes de chegar à Premier League, Torreira viveu situação muito curiosa.

Revelado pelo pequeno Montevideo Wanderers, de seu país, o baixinho foi rapidamente fisgado pelo olheiro Roberto Druda, especialista em futebol sul-americano, que o levou em 2014 para as categorias de base do Pescara, da Itália, antes mesmo do atleta fazer sua estreia profissional.

Logo que chegou, Torreira deixou todos boquiabertos com seus ótimo futebol. No entanto, Druda reparou que ele sempre se queixava aos colegas de sentir dores nos pés após os treinos, e resolveu levar o uruguaio a um médico especialista para descobrir o motivo.

Ao chegar ao consultório, ficou impressionado.

"O menino tinha nada menos que sete verrugas nos pés. Ele mal conseguia andar', contou o olheiro, em uma entrevista recente.

"E ele jogou assim por meses e meses. Ele nunca falava nada para o técnico, porque tinha medo de ser sacado e perder tempo de jogo", relatou.

Após realizar tratamento, porém, sua evolução foi rápida. Um ano e meio após chegar à Europa e se profissionalizar pelo Pescara, ele já foi comprado por 1,8 milhão de euros (R$ 7,81 milhões, na cotação atual) pela Sampdoria.

O time de Gênova o emprestou ao próprio Pescara para a temporada 2015/16 para que ele ganhasse rodagem, e depois o integrou ao elenco na temporada 2016/17. Desde então, ele foi titular absoluto e grande destaque da equipe.

Dessa forma, não demorou para virar alvo de disputa entre grandes clubes. O Napoli foi o primeiro a oferecer 25 milhões de euros (R$ 108,58 milhões), valor de sua cláusula de rescisão. No entanto, o Arsenal acenou com 5 milhões de euros a mais e fechou negócio.

Ele deve assinar por cinco anos com os Gunners, numa verdadeira pechincha.

Pela seleção celeste, Torreira joga desde a categoria sub-17. O primeiro chamado para a equipe principal veio em 2018, e a estreia aconteceu em 23 de março deste ano, em amistoso entre Uruguai e República Tcheca.

Com muito apreço pelo atleta, o técnico Óscar Tabárez também o incluiu na lista definitiva para o Mundial da Rússia, e inclusive já o colocou em campo: ele entrou no segundo tempo da vitória por 1 a 0 sobre o Egito, pela 1ª rodada, no lugar de Matías Vecino.

Nesta quarta-feira, em Rostov, ele tem mais uma chance de mostrar seu futebol ao mundo.

Sorte que as verrugas já não estão mais aí para incomodar...

MUDANÇA DE POSIÇÃO

O atacante brasileiro Lucas Chiaretti, atualmente no Cittadella, jogava pelo Pescara quando o time contratou Lucas Torreira do Montevideo Wanderers. Chiaretti se lembra bem de como o uruguaio chegou tímido ao futebol italiano.

"Era um menino bem novinho e colocaram pra treinar com a gente. Ele tinha muita dificuldade com o idioma no começo. Eu sempre o ajudava, mas ele era muito simples. Para ele, tava tudo bom. Não pedia nada e não perguntava nada. Mas, dentro de campo, dava para ver que tinha muita personalidade", conta.

Lucas também observa que Torreira foi mudando de posição em campo até se tornar o bom volante que é hoje.

"Curioso que ele era meia armador ou até mesmo um terceiro atacante quando chegou. Ele foi amadurecendo e com a qualidade o colocaram para jogar como volante depois. Aprendeu a marcar com o passar do tempo. Hoje, tem feito a diferença na Sampdoria. É um dos maiores ladrões de bola da Itália e chega com muita qualidade no ataque", salienta.

"Ele é rápido e protege muito bem com a bola com os dois pés. Era difícil roubar a bola dele! Finaliza muito bem também e ataca muito bem os espaços. Essa parte de marcação que ele não tinha, veio depois. Com a gente não demonstrava. Mas, hoje, virou um dos pontos fortes dele. A técnica dele era muito boa, dificilmente errava um passe", recorda.

Chiaretti também é só elogios à personalidade do uruguaio.

"É um rapaz muito humilde, não é alguns garotos sul-americanos que chegam achando que são os caras. É muito simples, ganhou a confiança de todo mundo e foi embora!", finaliza.