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Figuraça, camisa 10 da Rússia só conseguiu deslanchar após se divorciar de top model deslumbrante

Não é segredo para ninguém que a seleção da Rússia não anima seus torcedores às vésperas do início da Copa do Mundo de 2018. Afinal, a equipe vem de sete jogos sem vencer (quatro derrotas, três empates), com o último triunfo tendo acontecido em outubro do ano passado. Por isso, há muita desconfiança para o jogo desta quinta-feira, contra a Arábia Saudita, às 12h (de Brasília), que marca o início do Mundial.

Para ao menos realizar uma participação digna na competição que se propôs a sediar, a equipe comandada por Stanislav Cherchesov conta com o talento do camisa 10 Fyodor Smolov, talvez o único craque de um time bastante opaco.

Atualmente com 28 anos, ele iniciou sua carreira no tradicional Dynamo Moscow-RUS, mas não deslanchou logo de cara. Entre 2010 e 2015, foi emprestado em série para Feyenoord-HOL, Anzhi-RUS e Ural Yekaterinburg-RUS, sem conseguir se firmar em nenhum.

No entanto, apesar de maltratar a bola, seu jeitão de bad boy, com corpo todo tatuado e atitude marrenta, o levou a conquistar o coração de uma das mulheres mais cobiçadas de seu país: a top model Victoria Lopyreva, ganhadora do concurso "Miss Rússia 2003".

Eles começaram a namorar em 2012 e a relação rapidamente evoluiu para casamento, que foi realizado em dezembro de 2013. No entanto, o matrimônio naufragou, e os pombinhos acabaram se divorciando em maio de 2015, após menos de dois anos.

Durante todo o tempo que envolveu namoro e casamento com Victoria Lopyreva, Smolov viveu os piores anos de sua carreira de jogador. Durante sua passagem pelo Anzhi, por exemplo, marcou meros 4 gols em 42 jogos, média de 0,09 por partida.

Contudo, depois da separação, o atacante mudou da água para o vinho.

Logo após sair do Ural, no qual também teve passagem ruim, ele foi contratado pelo FK Krasnodar e se transformou em um verdadeiro fenômeno na Premier League russa.

Já na temporada 2015/16, ele arrebentou com 24 gols em 44 partidas - mais tentos do que havia marcado em todos os seus anos anteriores de carreira até então.

Em 2016/17, ele melhorou ainda mais: 25 gols em 32 partidas, chegando a uma incrível média de 0,78 por partida, digna dos atacantes de mais alto nível do futebol europeu.

Na última temporada, ele anotou 14 vezes em 24 jogos, chegando aos números combinados de 63 tentos em exatos 100 duelos disputados pelo Krasnodar, clube do qual se tornou ídolo supremo da torcida. Ou seja, uma respeitável média de 0,63 por jogo.

Pela seleção russa, são 12 gols em 32 encontros, com o último tendo saído em derrota para a França, em amistoso realizado em março deste ano.

Agora, seu país precisa mais do que nunca se seu faro de gol, e Smolov promete corresponder. A única dica será não olhar para as arquibancadas, já que sua ex-mulher estará por lá, pois foi escolhida como uma das embaixadoras da Copa-2018.

FIGURAÇA

O zagueiro brasileiro João Carlos, ex-Vasco da Gama, conhece Smolov muito bem. Eles atuaram juntos por duas temporadas no Anzhi (2012/13 e 2013/14) e se tornaram grandes amigos.

Em entrevista à ESPN, o defensor de 36 anos, que teve o Madureira-RJ como último clube, disse que Smolov não conseguiu render o esperado no time da Chechênia porque tinha que conviver com a pressão de ter o camaronês Samuel Eto'o, maior estrela daquele elenco, justamente como seu concorrente no comando de ataque.

Eu tive uma surpresa muito boa esse crescimento do Smolov nos últimos anos, porque na minha época ele não era tão efetivo como está sendo agora. Tanto que jogou muito pouco. Não sei se ele não tinha desenvolvido tudo o que sabe, ou talvez tenha sido mais pela pressão de ter o Eto'o por lá", recorda.

"Tinham muitos jogadores muito famosos no Anzhi. Mesmo quando o Smolov entrava em campo, acabava que ele não desenvolvia o futebol que tinha. Aí depois que saí do Anzhi fui acompanhando a evolução dele, e foi um absurdo. Ele explodiu! Ficou mais experiente, né?", observa.

Segundo João Carlos, Smolov é adepto da farra total no vestiário e tem um comportamento muito alegre, parecido com o dos jogadores brasileiros.

"Ele adora uma zoeira. É tipo aqueles brasileiros que levavam som alto para o ônibus. Ele leva as músicas russas malucas dele (risos)", conta o zagueiro - Smolov é conhecido na Rússia por ser um grande fã de rap e hip hop, tendo até participado de gravações dos gêneros.

"Ele perturbava todo mundo, principalmente os brasileiros. E é todo cheio de tatuagens, faz uma tatuagem nova toda hora. É bem maluco! Gente boa, engraçado e doido. Perturbava muito, a gente colocava o som brasileiro no nosso quarto e vira e mexe batia com as músicas malucas dele na concentração (risos). Ele falava que a música dele era melhor", sorri.

O atacante também adorava fazer brincadeiras como dar sustos nos companheiros, mas os brasileiros aprenderam a ficar esperto com o danado.

"Ele batia na cabeça dos outros, fingia que não sabia de nada, olhava para o lado e dizia que não tinha sido ele (risos). Ele brincava até com a comissão técnica. Esse cara é demais", relembra.

"Ele tentava fazer alguma pegadinha direto, mas nós brasileiros estamos um degrau acima. Quando ele tentava fazer a gente já sabia. Tinha vezes que ele sumia e a gente já sabia que estava abaixado escondido atrás de alguma coisa querendo aprontar alguma coisa", finaliza.