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Witsel, meia da 'ótima geração belga', investe em aviões, fala português e ama o Brasil

Um dos 23 convocados pelo técnico Roberto Martínez para ir à Copa do Mundo da Rússia, o meia Axel Witsel será também um dos responsáveis a levarem a tão aclamada "ótima geração" da seleção da Bélgica a alçar voos mais altos na maior competição do futebol.

Apesar de nascido na cidade de Liège, o jogador de 29 anos e que já movimentou 69 milhões de euros (cerca de R$ 307 milhões pelas cotações) em transferências pode dizer que tem um "quê" de brasileiro.

Por ter atuado por pouco mais de um ano no Benfica, após deixar o Standard Liège, em 2011, Witsel aprendeu "na marra" a falar o idioma português, o que o faz procurar sempre os brasileiros para as tradicionais conversas de vestiário.

"Conheci o Witsel na pré-temporada na China. Engraçado que fala muito bem o português, mas com sotaque de Portugal. Ele é um cara muito aberto e curte uma resenha. Logo no começo, fizemos uma amizade legal porque é brincalhão e adora brasileiros. Até hoje a gente se fala", conta o atacante Júnior Moraes, ex-Santos, que atuou com o meia no Tianjin Quanjian entre fevereiro e junho de 2017.

Seu apreço pelo Brasil cresceu ainda mais em 2014, quando aterrissou em solo verde-e-amarelo para disputar o Mundial daquele ano. À oportunidade, ele disputou partidas em Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Salvador, além do Rio de Janeiro, cidade esta pela qual se apaixonou logo na primeira visita.

"Ele fala que que, quando foi para o Brasil, ele gostou muito, mas que ainda tem que conhecer muita coisa. Ele gostaria de conhecer mais o Rio, queria ter mais tempo, mas a filha dele nasceu há pouco tempo, né? Vai fazer seis meses agora, eu acho, então me falou que mais para frente, quando tiver a chance, que ele vai voltar para o Brasil", comenta o brasileiro.

"Quando teve a primeira janta do time na China ele dançou umas músicas engraçadas africanas ou francesas. O time todo ficou surpreso porque ele dança muito bem (risos). Fiz um jantar em casa, também, que a gente ficou conversando, fez live no Instagram cantando música brasileira, cantando música internacional, jogamos um videogame com o [Alexandre] Pato, que sempre diz que é o melhor, mas ganhamos (risos), relembra.

Atualmente com 89 partidas com a camisa da seleção belga, Witsel é titular absoluto no esquema de Martínez, ajudando tanto na defesa, como também no ataque.

"Ele joga muito. É um tradicional box-to-box [área a área], cara que marca muito e ajuda ofensivamente, dá assistências, faz gols e faz um pouquinho de tudo. E muito bem feito, é um dos melhores meio-campo que eu vi jogar, completo", elogia Moraes.

AJUDA "DE PESO"

Considerado um dos grandes meio-campistas do mundo, Witsel chegou com status de craque ao Zenit, da Rússia, em 2012, após ser contratado por 40 milhões de euros para fazer parceria com o atacante brasileiro Hulk.

O "tamanho" de ambos, contudo, fez com que os próprios novos companheiros de clube ficassem com ciúmes e iniciassem uma espécie de retaliação nos treinos e jogos dos "Аzul-Branco-Turquesas".

"No nosso primeiro ano no Zenit, chegamos lá e os jogadores da seleção russa falavam do nossa salário na mídia, que não éramos Messi, nem Iniesta. A gente fazia gols e eles nem comemoravam. Davam as costas. Foi difícil. Foi aquela ciumeira e começam a ter carinho do presidente e dos funcionários", rememora Hulk, em entrevista dada ao programa Bola da Vez.

"Uma vez, os caras estavam batendo no Witsel em um treino. O lateral-direito chutou na maldade o tornozelo umas três vezes e não pediu desculpas. Daí, eu recebi a bola e dei uma mãozada no peito dele. Ele caiu e levantou. Eu peguei ele pela camisa, virei para o tradutor e falei: 'diga a ele que, da próxima vez, eu não vou dar só uma mãozada. Eu vou encher ele de porrada. Isso não se faz. Eu estou falando para ele e para todos aqui. Não vou aceitar falta de respeito'".

"Daí, o [Vladimir] Putin [presidente da Rússia] parabenizou nossa contratação e o nosso presidente do clube passou a limpar o vestiário, contratou outros russos e ficou uma maravilha", completou.

OUTRA PAIXÃO

Além da bola e do Brasil, Axel Witsel tem uma outra paixão da qual nem todos estão a par: os aviões.

Seu grande sonho, aliás, é virar piloto quando achar que não pode mais dar tudo de si dentro de campo. Tanto que ele, em 2017, anunciou o investimento em uma empresa de aviação belga chamada LindSky.

"Tenho intenção de geri-la enquanto estudo para ser pilot", afirmou ao meio-campista ao diário belga Het Laatste Nieuws.