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Argentino de R$ 73 milhões tietou ídolo Kaká e pagou mico histórico em apresentação no Milan

Lucas Biglia teve uma apresentação para nenhum torcedor do Milan jamais esquecer. Contratado da Lazio por 17 milhões de euros (R$ 73 milhões) no meio do ano passado, o meio-campista de 32 anos pagou um mico histórico quando foi mandar um recado por celular aos novos fãs da equipe rossonera.

Um dos 23 convocados pelo técnico Jorge Sampaoli para a Argentina na Copa do Mundo da Rússia, o volante disse "Força, Lazio!". Ao perceber o grande erro que havia cometido e ver a cara de poucos amigos dos presentes, ele ficou bastante sem graça e tentou corrigir. Mandou um "Força, Milan!", mas o estrago já havia feito.

A gafe foi motivada talvez pela força do hábito, já que o volante ficou entre 2013 e 2017 na equipe da capital italiana, na qual chegou até mesmo a ser capitão por duas temporadas.

Apesar da primeira má impressão, o volante foi titular durante a maior parte da temporada, atuando por 37 partidas e marcando um gol. Para "limpar sua barra", o argentino pode dizer ao seu favor que é fã de dois grandes ídolos da história milanista: Pirlo e Kaká.

TIETOU KAKÁ

Revelado no Gimnasia, Lucas Biglia passou por Argentinos Juniors e Independiente antes de chegar ao Anderlecht, da Bélgica, em 2006. Colecionador inveterado de camisas de futebol, ele pegou seu primeiro item na Europa com Kaká, em duelo contra o Milan pela Uefa Champions League.

"Kaká, eu sempre apontei para camisetas importantes, Kaká foi um dos últimos meias que o futebol teve, eu gostei de vê-lo jogar, até as duas vezes em que o enfrentei", elogiou, ao La Nación.

Além disso, também levou para casa os fardamentos de Pirlo, Buffon e Cambiasso, mas a coleção já o rendeu algumas polêmicas nos tempos de Lazio.

"Em um clássico que vencemos a Roma por 2 a 0, eu troquei a camisa com Francesco Totti. Fui criticado pelos torcedores, mas por trás da rivalidade havia um ícone do futebol que não podia deixar de pedir a camisa", recordou.

AMIGO DOS BRASILEIROS

Quem conviveu de perto com Lucas Biglia diz que o argentino tem um grande espírito de liderança e é muito acolhedor. O brasileiro Fernando Canesin foi agraciado com a generosidade do volante nos tempos de Anderlecht-BEL, em 2010.

"Quando cheguei na Bélgica foi o cara que me chamou pra um churrasco na casa dele. Eu falava um portunhol bem arranhado, mas ele entendia um pouco de português. Com isso a gente entendia. Fui à casa dele e começou uma parceria", contou o jogador, atualmente no Oostende-BEL, ao ESPN.com.br.

"Eles tinham a carne deles e era gostosa. Também tinha linguiça e batata frita. Estava tão nervoso que nem lembro se comi direito (risos). Jogamos um videogame que ele curte também e um futevôlei na grama com redinha baixa. Foi bacana pra caramba. Bem ao estilo deles", relatou.

Apesar da rivalidade dentro de campo entre brasileiros e argentinos, Canesin logo se enturmou com os hermanos do elenco.

"Essa simplicidade me marcou demais porque ele era muito famoso na Bélgica e me acolheu bem. Eu fiquei muito tímido, um peixe fora d’água porque não conhecia ninguém. Mas achei os caras extrovertidos demais e me receberam de uma forma muito legal. Depois disso fui me soltando", afirmou.

Dentro de campo, Biglia também orientava bastante o garoto recém chegado à Europa. "Ele me ajudou muito no começo me passando confiança para sempre arriscar a jogada. Eu joguei umas 35 partidas com ele ao lado. Era o nosso capitão", elogiou.

Pelo Anderlecht, o volante recebeu sua primeira convocação para a seleção argentina, em 2011. Desde então, passou a ser peça regular na equipe e jogou os sete jogos da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

"Eu fui acompanhando na Lazio, que cresceu muito. Eu o vejo hoje no Milan e percebi como ele estourou de verdade. Ao vê-lo sendo uma peça fundamental na seleção argentina eu fico ainda mais feliz. Muito gratificante que tive uma passagem da minha carreira com ele. Aprendi demais com ele".

Titular em vários jogos sob o comando de Jorge Sampaoli, Biglia pode ser um dos pilares do meio de campo argentino para o Mundial da Rússia.

"É um dos melhores que atuei na carreira. Ele tem um posicionamento fantástico, quase não perde a bola. Isso é o grande diferencial dele. Joga sempre no mesmo ritmo, mas parece que está sempre livre. É fora do normal a leitura de jogo. Em momentos mais difíceis ele sabe tranquilizar a equipe e sabe chamar a responsabilidade. É um líder dentro e fora de campo", analisou Canesin.

Antes do Mundial, o volante envolveu-se em um polêmica após ter levado uma joelhada nas costas de "Papú" Gómez, atacante da Atalanta e ex-companheiro de seleção. Biglia estava recém-recuperado de duas fraturas nas vértebras.

A Argentina, que está no Grupo D, estreia no dia 16 de junho contra a Islândia. Depois, enfrenta Croácia, no dia 21 e, cinco dias mais tarde, a Nigéria.