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Rival do Palmeiras, destaque do Atlético-PR elogia Diniz: 'Você volta a ter o prazer de jogar futebol'

Pablo é uma das principais peças do ousado esquema de jogo que o técnico Fernando Diniz implementou no Atlético-PR. Adversário do Palmeiras na Arena da Baixada neste domingo, pelo Campeonato Brasileiro, o jogador superou problemas familiares no ano passado antes de retomar as boas atuações. Em oito jogos com a camisa rubro-negra em 2018, ele já balançou as redes por três vezes .

"Fernando Diniz me ajuda muito desde o dia em que chegou e me dá muita confiança. Não apenas em termos técnicos e táticos, mas psicológicos também. Ele quer fazer um futebol diferente e consegue isso há bastante tempo", disse o atleta, ao ESPN.com.br.

Desde os 14 anos no Atlético-PR, Pablo passou por todas as categorias de base do clube rubro-negro até se profissionalizar. Após empréstimos para Figueirense, Real Madrid B e Cerezo Osaka-JAP, o jogador retornou em 2016 à Arena da Baixada.

Desde então, passou a atuar com regularidade entre os titulares. Recentemente, ele renovou contrato até 2020 com o "Furacão", pelo qual fez 128 partidas e anotou 19 gols.

Veja a entrevista de Pablo na íntegra:

ESPN - Você disse em outras entrevistas que no ano passado precisou se dedicar à família. De que forma isso o afetou?
Pablo - Eu vinha de boas temporadas na carreira. Ano passado foi um ano atípico porque aconteceu um problema muito sério de saúde com meu pai. É o cara que sempre me ajudou e está ao meu lado em todos os momentos. Foi muito difícil ter que lidar com isso. Mas tenho que agradecer aos médicos e a todos do Atlético-PR por tudo que fizeram para mim como jogador e como pessoa. Eles me ajudaram demais me liberando de alguns jogos para ver como meu pai estava. Uma vez eu estava em Recife para o jogo contra o Sport e meu pai teve que operar às pressas. Fui liberado e voltei para ficar com ele. Graças a Deus ele está cada vez melhor. Este ano ele foi me ver em todos os jogos na Arena da Baixada.

ESPN - Você vive uma das melhores fases da sua carreira. De que forma a chegada do Fernando Diniz contribuiu para isso?
Pablo - O Fernando Diniz me ajuda muito desde o dia em que chegou. Ele me dá muita confiança. Não apenas em termos técnicos e táticos, mas psicológicos também. Ele é uma pessoa fantástica, um ser humano do bem. Está disposto a ajudar as pessoas. Ele quer fazer um futebol diferente e consegue isso há bastante tempo. O trabalho dele no Audax foi fantástico.

ESPN - Como é trabalhar com o Fernando Diniz?
Pablo - É um privilégio trabalhar com ele, você aprende e volta a ter o prazer de jogar futebol, em ter a bola. Quando você está na infância e vai jogar futebol com os amigos você quer estar toda hora com a bola para poder driblar e fazer jogadas. Quando chega ao profissional tem muito a questão tática, marcação e os efeitos do jogo. Tem horas que você está sofrendo um pouco mais, mas com o Fernando a gente gosta de ter a bola. E volta a ter aquele futebol de criança, mas com muita responsabilidade e solidariedade ao companheiro que está próximo. Você volta a desfrutar do jogo. É uma coisa que faz você gostar cada vez mais do trabalho e da pessoa dele.

ESPN - O Atlético-PR não jogou o Estadual com o time principal e vocês tiveram mais tempo para treinar. Isso ajudou a implantar as ideias do Fernando Diniz?
Pablo -
Ele precisa de um tempo para implantar a filosofia de trabalho aos jogadores e a foma de jogar que deseja. Todo treinador precisa disso, mas pela forma como ele joga precisa de mais tempo de trabalho. Isso que o Atlético-PR deu para ele. Por isso, ficamos aptos para aprender a filosofia dele de jogo. Eu acho que isso foi fundamental para o Fernando.

ESPN - Como são os treinos do Fernando Diniz?
Pablo -
Os treinos dele são bem diferentes. Eu não posso te contar o segredo (risos). Você sempre está com a bola e com jogadores próximos para você ter opções para o passe. A gente estuda muito os adversários e principalmente a gente estuda a gente. Queremos sempre saber onde melhorar e isso faz toda diferença. Cada dia ele vai nos ensinando mais.

ESPN - O Atlético-PR jogou o tempo todo da mesma forma contra o São Paulo pela Copa do Brasil. Seja perdendo por 2 a 0 ou depois que o jogo ficou empatado e vocês estavam se classificando. Vocês nunca abandonam esse estilo de jogo?
Pablo - O legal do futebol é nunca fugir da sua proposta. Você não controla o resultado do jogo, mas pode tentar controlar o jogo: quem finaliza mais, quem tem mais posse de bola. Têm muitas variáveis durante um jogo. Você pode ter 70% de posse e chutar 30 bolas ao gol. Se ela não entrar e o adversário em um contra ataque faz o gol e acaba 1 a 0. Você perde, mas quem jogou melhor? Se jogarmos sempre melhor do que o adversário as probabilidades de ganhar aumentam.

ESPN - O esquema de jogo dele não ...
Pablo - A proposta dele é ousada e diferente. É do jeito que o futebol tem que ser jogado. O empate com o Grêmio por 0 a 0 foi um dos melhores jogos que eu já tive o prazer de jogar na minha carreira. Bola o tempo todo dentro de campo, sem chutão, muita posse e poucas faltas. Muitas pessoas depois me ligaram para falar que foi um jogão.

ESPN - O que esperar do Atlético-PR nesta temporada?
Pablo -
É um ano que espero que evolua para toda a nossa equipe. Que a gente conquiste títulos e vaga para Libertadores. Nosso objetivo é ganhar as três competições que jogamos [Copa do Brasil, Brasileiro e Sul-Americana]. Queremos isso e vamos atrás. Estou muito feliz com esse momento.

ESPN - Como vocês encaram este duelo contra o Palmeiras na Arena da Baixada?
Pablo -
Vamos ter um jogo bem legal de jogar contra o Palmeiras. Queremos vencer e temos que manter o que estamos fazendo até aqui e melhorarmos cada vez mais. Não podemos nunca sair dessa nossa proposta e estilo de jogar futebol. Sabemos que o Palmeiras também quer vencer, já que deve ir com a formação completa. Eles têm jogadores campeões e de muita qualidade. Nós queremos brigar por coisas grandes.