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Ele deixou o Grêmio por saudade e já morou em escola na África, mas fez 30 gols em 2017

Marclei quando ainda atuava pelo Bahia de Feira de Santana Reprodução

Muitos jogadores sonham em atuar no exterior, porém, em diversos países encontram situações piores que a do Brasil. Quem viveu isso na pele foi o atacante Marclei, cria da base do Vitória, e que foi atuar no futebol angolano.

Contratado por empréstimo pelo modesto Sagrada Esperança, em 2010, o jogador viu a dura realidade vivida no país africano.

“Tinha acertado para ficar em um hotel, e quando cheguei lá não tinha nenhum na cidade. Comecei a morar em uma escola. Eu nem me alimentava direito”, disse o atacante, atualmente no Chonburi-TAI, ao ESPN.com.br.

Marclei chegou em um período turbulento ao país, que estava em reconstrução. Angola ainda sentia os efeitos da Guerra Civil que assolaram a população por mais de 30 anos.

“O time era da província de Luanda, que é uma cidade bastante precária. Ali se via como era a pobreza da África. Desumano, desumano. Ainda tinha a situação lá da malária, que tem que ter cuidado”, contou.

Mesmo com o restante do contrato a cumprir, o jogador pediu para retornar ao Brasil devido a situação.

“Fiquei de três a quatro meses e pedi para voltar. O convívio lá não estava legal e algumas coisas que foram acertadas não se cumpriram. Entrei em contato com o Vitória porque não tinha condições de jogar futebol daquela forma e acabei voltando”, afirmou.

PASSAGEM NO GRÊMIO

O começo no futebol foi meteórico para Marclei. Iniciando no futsal, passou para o campo no Real Salvador, e pouco tempo depois recebeu um convite para integrar as categorias de base do Grêmio, com apenas 13 anos.

A passagem durou apenas um ano e rendeu o título do Campeonato Gaúcho de sua categoria, mas a distância e a saudade da família fizeram Marclei voltar à Bahia.

“Quando fui de férias para casa, não quis mais ficar em Porto Alegre”, disse.

Mesmo assim, o atacante relembra com carinho o período em que atuou pelo Tricolor Gaúcho.

“Fui muito feliz lá. Na época morava embaixo das arquibancadas do Olímpico. Era muito frio, tive que sair do calor para um frio ‘arretado’ (risos). O Grêmio foi um clube que me ajudou muito, mas o fato de ter ficado longe da família pesou bastante”, falou o jogador.

Após retornar ao Vitória, não conseguiu ter chances. Por isso, foi emprestado para diversos times no Brasil como Boa Esporte, Mixto, Sergipe, Operário e River-PI, até chegar ao Bahia de Feira de Santana, quando se sagrou artilheiro do Campeonato Baiano de 2017.

O ótimo desempenho levou o jogador para sua segunda experiência fora do Brasil. Desta vez, ele foi para o desconhecido Mitra Kukar, da Indonésia.

Logo de cara teve de enfrentar o fuso-horário de 11 horas em relação ao Brasil. Isso fazia com o que o atacante muitas vezes pedisse para ‘trocar’ o treino para dormir mais.

“Perdia o sono à noite e de dia ficava com sono, geralmente passava o dia dormindo e à noite acordado. Às vezes pedia para não treinar e eles aceitavam. Os treinos lá são muito cedo, então eu ia dormir umas 4h ou 5h e os treinamentos por volta das 6h30, além de que é muito calor", contou.

"Então, eu conversei com eles e me liberavam do treino para só ir à partida. Eles foram bem pacientes comigo. Graças a Deus que pude retribuir a eles dentro de campo”, afirmou.

A mudança deu resultado. Logo em sua estreia o atacante marcou e daí em diante não parou mais: foram 23 gols em 31 jogos pela equipe. Com os outros sete que havia anotado pelo Bahia de Feira, Marclei somou 30 gols e terminou 2017 como um dos cinco maiores artilheiros brasileiros no ano.

Os números chamaram a atenção de clubes da Série A do Brasil, mas mesmo com a possibilidade de retornar ao país, Marclei não pensa em sair tão cedo da Ásia.

“Pretendo ficar na Ásia porque é um continente que abraça muito bem os jogadores, gostam bastante do nosso futebol. Queremos ser valorizados e retribuir”, afirmou.

Apesar do desempenho, Marclei optou em sair do Mitra Kukar para jogar na Tailândia. O atacante assinou com o Chonburi, que ocupa a 15ª colocação no campeonato local com quatro pontos em cinco jogos.