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Convocado à seleção, Fred diz como pode jogar com Tite e não esconde desejo de atuar na Inglaterra

Fred disputa bola com Marcelo durante confronto da Champions League AFP/Getty Images

Uma das principais referências do Shakhtar Donetsk nos últimos anos, o meio-campo Fred é unanimidade na equipe. Completando seu sexto ano no time ucraniano, o jogador, de 25 anos, falou ao ESPN.com.br sobre seu estilo de jogo, como pode auxiliar a seleção brasileira, o ambiente no país do leste europeu e sobre possíveis transferências para a Inglaterra, país no qual seu nome vem sendo veiculado constantemente.

Cultura de brasileiros no Shakhtar

Cara, ter os brasileiros aqui juntos pra gente é mais fácil, né. No processo de adaptação, pra conviver, aprender a falar... Então pra gente acaba sendo mais fácil. Eram 12 brasileiros quando eu cheguei, então o processo de adaptação ficou mais fácil ainda, sendo melhor pra todos nós.

Ambiente com ucranianos no vestiário

(O clima) é bem tranquilo. Todo mundo é muito parceiro, nossa equipe é bem fechada e unida, mesmo os jogadores ucranianos que chegam da base são muito bem recebidos. A gente [brasileiros] passa a nossa alegria pra eles jogarem, os ucranianos que estão aqui há mais tempo nos ajudam dentro e fora de campo. É uma parceria boa pra todo mundo.

Patamar do Shakhtar na Europa

O Shakhtar cresceu muito. Há uns três ou quatro anos, eles só compravam jogadores jovens pra vender depois, mas agora nós estamos buscando muitos títulos, tentando chegar longe na Champions League, um campeonato de ponta. Estamos conseguindo bons resultados. O Shakhtar vem se consolidando como um clube grande na Europa, e a tendência é só crescer. Só temos a melhorar com o tempo.

Relação com o treinador

O Paulo Fonseca é um cara bem tranquilo, parceiro. Ele está sempre brincando com a gente, principalmente com o Dentinho. É um cara bem parceiro, sempre sorrindo, e sempre fica na resenha, zoando a gente. Fora isso, é um grande treinador, vem fazendo um ótimo trabalho, melhorou nosso time. É um cara que me ajudou bastante, super do bem, quase como se fosse um treinador brasileiro

Bernard

É um cara super tranquilo, um companheiro. Conversamos muito aqui. Ele está no final de contrato, vem fazendo uma grande Champions, uma ótima campanha, na qual todos acabam aparecendo, e com ele não é diferente. É um excelente jogador, tem espaço em grandes clubes da Europa.

Ele teve propostas da China que foram interessantes, que chegou a considerar, então não acredito que ele voltaria ao Brasil agora por conta do seu nível. Acho que ele vai acabar indo pra algum grande da Europa e vai ser um grande jogador.

Função em campo no Shakhtar

Tenho muita liberdade (em campo), sim. Eu posso chegar dentro da área, finalizar muitas vezes perto da área, chegando por trás. Aqui atuo mais como segundo volante, mas, às vezes, quando o Stepanenko não joga, entra o Alan Patrick e eu recuo pra ser o primeiro. Pra mim, não tem tanta diferença, posso jogar nas duas posições.

Na Champions League eu venho jogando como segundo volante, chegando na área, finalizando, e o Paulo Fonseca me dá bastante liberdade, então isso pra mim é muito bom. Eu tenho uma boa qualidade ofensiva, posso chegar na frente, mas não posso esquecer de marcar também. Eu consigo atacar e defender bem, consigo ir e voltar, então ele (Paulo Fonseca) me deixa livre.

Maior diferença do começo no Inter

Eu melhorei a marcação, principalmente. No Inter, eu jogava mais a frente, mais como um meia-atacante, não como volante, ai não tinha muitas responsabilidades defensivas, como faço hoje no Shakhtar. Eu trabalhei muito pra isso, e o Paulo Fonseca me ajudou bastante nesse processo de melhoria. Da época de Brasil pra cá, foi o principal fundamento que melhorou bastante.

Funções que pode exercer na seleção

No meio campo do Brasil, eu consigo jogar nas três. As vezes aqui eu jogo de primeiro volante, mas, na maioria, eu jogo como segundo, e até apareço como um terceiro homem quando a gente está perdendo o jogo. Desde a base, no Inter, eu venho trabalhando essas funções.

Antigamente, eu jogava mais aberto, fui até convocado pra a Copa América por isso. É claro que, se precisar, a gente se adapta pra poder ajudar a seleção. Qualquer posição ali no meio que precisar eu posso fazer.

Relação com Tite

Não tinha trabalhado com ele (no Inter). Mas é uma grande pessoa, grande treinador, cara muito transparente. Quando fui convocado, ele me ligou pra ver como eu estava, minha situação dentro de campo.

Sobre resultados não tem nem o que falar, todo mundo vê o que ele tem feito. É um dos melhores treinadores do mundo na atualidade, e tenho certeza que na Copa ele vai fazer um ótimo trabalho e vamos conquistar o hexa.

Doping

É uma notícia bem dura de receber. Eu tinha acabado de voltar pra Ucrânia, aí ligaram falando o que aconteceu. Fiquei chateado, conversei com meu empresário da época, tomamos todas as medidas cabíveis, e, pelo menos, eu acabei pegando a pena mínima.

É claro que a gente sente um pouco, tive receio do que ia acontecer no futuro, mas tive grandes profissionais trabalhando comigo, então eu nunca deixei de acreditar, mesmo sabendo que não tinha feito nada. Consegui pegar a pena mínima, e graças a Deus, isso acabou e ficou pra trás. Faz um ano que eu voltei bem, mostrando meu bom futebol, já pude ser convocado de novo, então isso é passado.

Interesse do Manchester City

Existiu, sim, e ainda existe. Teve um processo agora na janela de inverno, e eles chegaram a fazer uma proposta pro Shakhtar, mas não rolou por causa da Champions, já eu não poderia jogar por outra equipe. Mas houve, sim (proposta).

Guardiola não chegou a conversar comigo, mas teve gente do City que falou com meu empresário. Infelizmente não deu certo, mas agora eu estou focado aqui, fora de janela a gente procura esquecer e focar no futebol. No meio do ano, a gente espera pra ver o que vai acontecer.

Desejo de jogar na Premier League

Claro que sim. Eu evoluiria. O City é uma grande equipe, ficaria feliz em jogar lá... ou num Manchester United também, no Chelsea, Arsenal, clubes de grande tradição na Europa e na Inglaterra. É o melhor campeonato do mundo, não tenho duvida, e creio que meu futebol evoluiria.

Tenho 25 anos ainda, muito a crescer e aprender, jogar e observar grandes jogadores desses clubes. Isso iria ajudar muito, aprender vendo eles. Tenho certeza que vou evoluir no futuro e que meus agentes vão me ajudar bastante para tomar a melhor decisão possível, e para que, na próxima janela, eu esteja em algum time da Premier League.