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Justiça ameaça Botafogo com multa, e deixa Boavista decidir se quer final no Engenhão

Engenhão, estádio do Botafogo SS Press / Botafogo

Uma reviravolta aconteceu no futebol carioca nesta quarta-feira. Dois dias depois de o Botafogo se irritar com o Flamengo e fechar as portas do Engenhão para a final da Taça Guanabara, o Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro entrou em cena e reverteu a decisão.

Segundo despacho do TJD-RJ, agora é o Boavista, mandante da partida, quem decide se quer ou não jogar a decisão no Estádio Nilton Santos.

Caso descumpra a ordem, o Botafogo terá que pagar uma multa de R$ 500 mil.

“Condutas como a do primeiro requerido são absolutamente danosas à competição e a todo o sistema desportivo, pois desvalorizam o campeonato pelo qual ele deveria prezar, maculando a imagem de todas as entidades de práticas envolvidas, da entidade de administração e do próprio Botafogo, que apresentou em nota justificativas vazias, nada razoáveis e que ferem princípios basilares do Direito Desportivo, como a moralidade e o fair play, o que se lamenta”, disse o presidente do Tribunal, Dr. Marcelo Jucá, em despacho.

Todo o problema começou porque o Botafogo não gostou da comemoração com ‘chororô’ de Vinícius Júnior no terceiro gol do Flamengo na vitória por 3 a 1 no clássico de sábado, da semifinal da Taça Guanabara. Com isso, o clube alvinegro não quis emprestar o estádio para o jogo que poderia ser o do título simbólico para os rubro-negros.

Até agora, a final da Taça Guanabara está marcada para Cariacica, no Espírito Santo. O jogo acontece no domingo.

Veja na íntegra o despacho do presidente:

Tratam-se os autos de Medida Inominada, com pedido de liminar, tendo em vista a negativa do primeiro requerido em disponibilizar a arena desportiva que administra para a realização da final da Taça Guanabara, competição administrada pela FERJ, ora segunda requerida e que tem o Boa Vista como mandante.

Sustenta a Procuradoria existir dispositivo no Regulamento Específico da Competição que dá ao mandante a opção de escolher qual o estádio que pretende realizar suas partidas.

Além disso, também de acordo com a Procuradoria de Justiça Desportiva, o primeiro requerido possuiu obrigação estatutária de ceder sua praça de desportos quando requisitada ou necessária para a realização de partidas constantes do calendário oficial.

Assiste razão a Procuradoria.

A medida se fez necessária tendo em vista a negativa do primeiro requerido em conceder o estádio que administra, mesmo tendo obrigações estatutárias e ainda pior, mesmo tendo comparecido na reunião do conselho arbitral e aprovado o respectivo regulamento.

Condutas como a do primeiro requerido são absolutamente danosas à competição e a todo o sistema desportivo, pois desvalorizam o campeonato pelo qual ele deveria prezar, maculando a imagem de todas as entidades de práticas envolvidas, da entidade de administração e do próprio Botafogo, que apresentou em nota justificativas vazias, nada razoáveis e que ferem princípios basilares do Direito Desportivo, como a moralidade e o fairplay, o que se lamenta.

Sendo assim, CONCEDO A LIMINAR requerida, no sentido de que o Botafogo de Futebol e Regatas, ora primeiro requerido, ceda o Estádio Nilton Santos, para a realização da final da Taça Guanabara, na hipótese do mandante Boa Vista Futebol Clube assim desejar, sob pena de multa no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), obrigando-se o segundo requerido, Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) a tomar todas as medidas necessárias para operacionalização do que fora determinado.

Dê-se ciência às partes. Publique-se e cumpra-se com máxima urgência.

Marcelo Jucá Barros Presidente