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Lugano tem razão: Corinthians tinha vestiário em container e Palmeiras economizava até em cirurgia

Técnico Tite durante treino do Corinthians, em julho de 2004 Gazeta Press

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada na última terça-feira, o ex-zagueiro Diego Lugano, que atualmente trabalha como superintendente de relações institucionais do São Paulo, relembrou seus tempos de jogador ao falar sobre o atual momento da equipe tricolor contra Corinthians e Palmeiras, seus maiores rivais.

O uruguaio lembrou que há 15 anos, quando ele chegou ao Morumbi como um desconhecido defensor do pequeno Plaza Colonia, alviverdes e alvinegros viviam momentos de turbulência política e esportiva, sendo presa fácil para os são-paulinos em competições nacionais e internacionais.

Desde então, porém, Corinthians e Palmeiras arrumaram a casa e voltaram a ser potências, enquanto o São Paulo atualmente passa por momento de baixa, sem conquistar um título relevante desde a Copa Sul-Americana de 2012.

Mas o fato é que Lugano tem razão quanto fala da falta de estrutura (bastante) deficiente dos rivais há pouco mais de uma década, principalmente em comparação com o time tricolor.

Relembre como era a situação e como ela mudou:

CORINTHIANS

Durante os piores tempos dos anos 2000, como em 2004, quando o "Timão" quase foi rebaixado no Campeonato Paulista e passou apuros no Brasileirão, a equipe treinava diversas vezes no CT do Parque Ecológico, na zona leste de São Paulo.

O local era conhecido pela estrutura totalmente deficitária, como lembrou o técnico Tite, que teve sua primeira passagem pela equipe alvinegra entre 2004 e 2005 e trabalhou muito no local. Ele recordou que os atletas tomavam banho em um container.

"A gente ficou lembrando do tempo do container [vestiário usado pelos jogadores com água fria para o banho e totalmente vazado]. Era um vento por cima, por baixo, em tempos de frio não dava e tinha jogador que preferia ir tomar banho em casa ou num hotel", recordou o hoje comandante da seleção brasileira, em uma entrevista em 2011.

Nestes tempos, o "Timão" também trabalhava no Parque São Jorge, também conhecido pelas condições defasadas. Além disso, o local só possuía um campo, o que impossibilitava treinos separados entre os jogadores.

Tudo mudou em setembro de 2010, quando foi inaugurado o CT Joaquim Grava, durante a primeira gestão de Andrés Sanchez à frente do clube. O local hoje é um dos melhores centros de treinamento do país, com três campos oficiais e um mini-campo para aquecimento e treinamentos de goleiros.

Além disso, possui 32 apartamentos, restaurante e cozinha, sala de fisioterapia e massagem de primeiro mundo, sala de jogos, lan house, sala de leitura, salas para servilos de tecnologia e estatística, laboratórios, piscina aquecia e vestiários modernos.

O local foi usado pela seleção do Irã durante a preparação para a Copa do Mundo de 2014.

No quesito estádio, o Corinthians também teve evolução imensa. Nos tempos da primeira passagem de Lugano pelo São Paulo, a equipe alvinegra jogada sempre no Pacaembu, estádio municipal que pertence à prefeitura de São Paulo.

Hoje, o clube alvinegro possuí casa própria, a Arena Corinthians, que é estádio padrão Fifa, com capacidade para 47.605 torcedores e que foi sede do último Mundial - em que pese o fato do clube ter se endividado bastante na construção.

Uma arena hoje anos-luz à frente do Morumbi, que ficou "parado no tempo".

PALMEIRAS

Na época em que o São Paulo de Lugano foi "Soberano", o Palmeiras também sofreu. Em 2004, por exemplo, a equipe caiu no Estadual para o Paulista de Jundiaí, e foi eliminado da Copa do Brasil pelo Santo André em pleno Palestra Itália.

Um dos grandes problemas que o clube enfrentava era referente ao seu departamento médico totalmente defasado, já que o "Verdão" viu a Parmalat levar embora todos os equipamentos de primeira linha quando a parceria foi encerrada, em 2000.

Com isso, restou à agremiação trabalhar com artefatos da década de 80.

Segundo contou o médico Maurício Bezerra, que trabalhou no Palmeiras entre 2001 e 2004, a situação era "precária", e o então presidente Mustafá Contursi tentava economizar até evitando fazer cirurgias em atletas.

"A situação do setor médico no CT era precária. Não contávamos com equipamentos de ponta e a diretoria influenciava diretamente no tratamento dos jogadores. O presidente reclamava com os gastos excessivos e nos questionava sobre a necessidade ou não de operar um atleta", disparou, ao site pelé.net, em agosto de 2005.

Hoje, as coisas são muito diferentes para os Alviverdes.

Atualmente, o Palmeiras possui um dos melhores centros de treinamento do país. A Academia de Futebol dispõe de três campos oficiais, vestiários ultramodernos, ginásios, piscina para trabalhos regenerativos, auditórios, restaurante, salão de jogos e até um mini-cinema para os atletas.

Fora isso, há também o novíssimo Centro de Excelência, que comporta os departamentos médico e de fisioterapia, com equipamentos de nível europeu. Também foi construído um hotel, onde os jogadores passam as concentrações.

Isso sem falar no Allianz Parque, arena multiuso com capacidade para 43.713 torcedores e que vive lotada, tendo se transformado em uma máquina de gerar dinheiro para o "Verdão". Recentemente, o clube chegou à marca de R$ 200 milhões brutos arrecadados no local desde que ele foi inaugurado, em 2014.