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Quer um chinês investindo no seu clube? Na Europa, a maioria que tem um se dá mal

Chen Yansheng, dono do Espanyol-ESP, durante coletiva em 2016 Getty Images

Nos últimos anos, a entrada de bilionários investidores chineses foi vista por muitos clubes europeus como forma de sair da pasmaceira, com dinheiro "infinito" para contratações e a possibilidade de fazer uma equipe mudar de patamar financeiro.

No entanto, na maioria das vezes a entrada do capital asiático não trouxe o sucesso esperado...

O caso recente mais emblemático é o do Milan, que foi vendido em abril deste ano para o misterioso empresário chinês Li Yonghong por incríveis 740 milhões de euros (R$ 2,86 bilhões).

Uma reportagem de novembro do jornal The New York Times, porém, mostrou que Yonghong na verdade tem grandes chances de ser um charlatão, e que o dinheiro usado para a compra do gigante italiano na verdade não existe. Isso pode acabar até tirando o clube rubro-negro das competições da Uefa.

No entanto, não é apenas o Milan que está bem enrolado com seu novo dono chinês.

Na Espanha, por exemplo, o Espanyol, clube mediano de Barcelona, achou que conseguiria diminuir o "abismo" para o rival Barcelona se fosse vendido para um magnata asiático.

Em janeiro de 2016, portanto, o tradicional time catalão teve 56% de suas ações negociadas com o empresário Chen Yansheng, dono de um império de fabricação de carrinhos de controle remoto, o Rastar Group, e de uma fortuna de US$ 1,17 bilhão (R$ 3,85 bilhões).

Em sua coletiva de apresentação, Yansheng prometeu que faria enormes investimentos para transformar o Espanyol em um gigante, e que ajudaria a levar a equipe de volta à Uefa Champions League, além de acabar com as dívidas que há anos atormentam os catalães.

"Espero que o Espanyol esteja na Liga dos Campeões e saneado em menos de três anos", bradou o chinês.

Quase dois anos depois de sua previsão, porém, isso está longe de acontecer...

Apesar dos 150 milhões de euros (R$ 581,43 milhões) investidos pelo magnata até agora, sendo que boa parte em contratações como Diego López, Léo Baptistão, Naldo, Piatti e David López, o Espanyol segue vivendo dias tristes.

No atual Campeonato Espanhol, o clube azul e branco tem apenas 16 pontos e está na 16ª colocação, a apenas quatro pontos de vantagem da zona do rebaixamento.

O time perdeu sete de suas 15 partidas e tem um aproveitamento de 35,6%, com saldo de gols de -8.

Além disso, a equipe de Barcelona tem o pior ataque do torneio: só 11 gols pró, mesmo número do lanterna Las Palmas.

Para piorar, se Chen Yansheng queria fazer o time crescer socialmente, o que está acontecendo é justamente o inverso. Desesperançosa, a torcida do Espanyol é atualmente a responsável apenas pela 12ª melhor média de público de La Liga, com 17.448 torcedores/jogo.

O número é inferior até mesmo que o do Las Palmas (18,566 torcedores/jogo), último colocado do torneio.

OUTROS TIMES TAMBÉM ESTÃO NA PIOR

Diversos outros times espalhados pela Europa que apostaram na grana chinesa para crescerem ou voltarem a ser fortes não estão conseguindo seus objetivos, estando mal das pernas na primeira divisão ou até mesmo afundados na lama da Segundona.

Na Inglaterra, por exemplo, o West Bromwich, que tem 88% de suas ações controladas pelo magnata Lai Guochuan desde 2016, está na zona de rebaixamento da Premier League, com só 13 pontos em 16 jogos.

Já o Aston Villa, campeão da Champions em 1981/82 e um dos times mais tradicionais da Grã-Bretanha, é desde o ano passado propriedade do empresário Tony Xia, mas patina na 2ª divisão inglesa: está em 5º lugar e no momento não está entre os classificados diretos à elite.

Pior ainda está o Birmingham City, que pertence ao ricaço Paul Suen. O time está em 18º lugar da Championship e no momento seria um dos rebaixados para a 3ª divisão inglesa.

Na França, a situação é semelhante.

O Sochaux, que por muitos anos pertenceu à montadora Peugeot, hoje é de um grupo chinês que fabrica lâmpadas, o LEDUS Lighting Technology Ltd. Bicampeão francês e da Copa da França, a equipe hoje agoniza em 10º lugar da 2ª divisão.

No Auxerre, que é controlado por James Zhou, dono de um império de fabricação de latas, a situação é ainda mais drástica: o clube está em 16º lugar da 2ª divisão francesa, a apenas três pontos de vantagem da zona do rebaixamento.

Na Espanha, o Granada tem 98% de suas ações controladas pelo magnata Jiang Lizhang, dono também do Chongqing Dangdai Lifan em seu país natal e do Minnesota Timberwolves na NBA.

O time da Andaluzia, porém, está apenas no 5º lugar da 2ª divisão espanhola.

Por fim, o empresário Wang Hui comprou o ADO Den Haag, da Holanda, em 2014, mas o time jamais conseguiu subir de patamar.

No momento, a equipe está em 8º lugar da liga nacional, enquanto a Justiça tenta tirar o empresário chinês do comando por problemas fiscais.