<
>

Dispensado no São Paulo, ele jogou Champions League

Fernando Canesin em ação pelo Oostende, da Bélgica Divulgação

Após tentar a sorte em Santos e Corinthians, Fernando Canesin saiu cedo do Brasil para a Bélgica. Desde então, o meia de 25 anos viu surgir uma badalada geração que hoje faz sucesso em grandes clubes, atuou ao lado de Romelu Lukaku (atacante do Manchester United) e chegou a ter seu nome especulado na seleção belga.

O garoto nascido em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, começou no futebol aos cinco anos de idade antes de ir ao Rio Branco, de Americana. "Depois, fiz testes no Santos e quando tudo estava certo houve uma briga entre os empresários. Fiquei sem clube e fui jogar no Olé Brasil, em 2008", disse, ao ESPN.com.br.

Após se destacar no time paulista, ele foi emprestado por seis meses ao Corinthians. "Cheguei a jogar com o [lateral-esquerdo] Dodô, que hoje está na Sampdoria-ITA. Só que nisso eu perdi meu pai, fui dispensado pelo clube e voltei para casa e ficar perto da minha família", contou.

Em 2009, Fernando se profissionalizou pelo Olé Brasil e chegou a disputar dois jogos pela Série B Paulista (equivalente ao quarto nível). “Atuei contra a Matonense e o Batatais. Nisso, meu empresário me falou que poderia pintar uma chance de fazer um teste no Aderlecht-BEL”, relembrou.

O brasileiro ficou dois meses treinando em um dos maiores clubes da Bélgica. Logo em seguida, ele voltou ao time de empresários localizado em Ribeirão Preto para disputar a Copa São Paulo de futebol júnior de 2010.

“Assim que acabou a Copinha eu fui emprestado por seis meses ao Anderlecht antes de ser contratado por três anos”, contou.

Fernando ficou algum tempo na equipe sub-21 até ser efetivado ao time principal. Logo que subiu, foi campeão e eleito a revelação do torneio.

“Meu primeiro ano foi excelente porque já virei titular e isso me abriu muitas portas. O Napoli ficou interessado, mas o Anderlecht queria um valor maior do que eles estavam dispostos a pagar. Tanto é que renovei contrato logo em seguida”, explicou.

ESPECULADO NA BÉLGICA

Nas duas temporadas que defendeu a equipe belga, o brasileiro jogou com nomes que ficariam conhecidos no futebol europeu.

“O Lukaku era tratado como um cara muito promissor e já se destacava. Ele evoluiu muito nesse tempo todo. Nosso time tinha também o Matías Suárez, que é um fenômeno. Ele jogou muita bola por aqui e foi eleito melhor jogador do campeonato em 2011 e 2012”, disse.

Para se adaptar o mais rapidamente possível, ele encontrou apoio nos atletas sul-americanos.

Um cara que me ajudou demais aqui foi o Lucas Biglia [meia da seleção argentina e hoje no Milan]. Ele me adotou aqui e sempre me ajudava nos idiomas e dava conselhos de tudo. Fazia uns churrascos ‘feras’ demais na casa dele. Argentino é bom disso (risos)”, elogiou.

Na temporada 2011/2012, o brasileiro disputou a Liga Europa e marcou um gol na vitória por 5 a 3 sobre o Lokomotiv Moscou, da Rússia. O ano seguinte, conquistou o bicampeonato belga, mas teve poucas chances.

Mesmo assim, jogou os playoffs e a fase de grupos da Uefa Champions League.

"Jogamos na Bélgica contra o Milan e perdemos por 3 a 1, mas troquei camisa com o Pato. No San Siro foi 0 a 0, mas fiquei no banco. A sensação de jogar a Liga dos Campeões é única, o hino que eles tocam antes do jogo começar é de arrepiar. Era o sonho da minha carreira e espero ter outra oportunidade", projetou.

A equipe belga terminou na lanterna do Grupo C com 5 pontos ganhos.

“Chegou um treinador holandês e joguei bem menos. Não me dei bem no sistema de jogo dele. Por isso, fui empresado ao Oostende, também da Bélgica”, relatou.

Publicidade Juiz dá pênalti surreal na Bélgica, corrige decisão com o vídeo e causa muita polêmica ao expulsar atleta 'Quero conhecer alguma coisa nova' Após ir bem na temporada de estreia pelo novo clube, Fernando foi contratado em definitivo e chegou a ser especulado na seleção belga.

“Fiz uma boa temporada 2015/2016 e fiquei na seleção do campeonato belga. Fui sondado para saber se eu tinha passaporte belga, mas eu não tinha. Tanto é que fiz depois no final do ano passado. Se caso pintar alguma coisa eu poderia ir. Mas no momento está bem difícil eu ser convocado. Nosso time não está bem no Campeonato Belga [ocupa a 15ª posição] e a seleção está com jogadores muito bons que fazem sucesso na Europa. Caras que atuam no Campeonato Inglês. Antes eles estavam montando a seleção. Agora é tão difícil quanto ser chamado para o Brasil pelo nível deles”, reconheceu.

Em cinco temporadas pelo Oostende, o brasileiro tem 161 jogos, 15 gols e 34 assistências.

“Por ter jogado e ser campeão no Anderlecht eu sou bem conhecido por aqui. Não é como no Brasil, o pessoal é mais tranquilo. Até mesmo o torcedor adversário pede para tirar foto e dar autógrafo. Isso é muito legal e diferente”, comemorou.

Após muito tempo jogando no futebol belga, o brasileiro pretende respirar novos ares em breve.

“Eu pretendo conhecer um campeonato novo. Estou há oito anos na Bélgica e quero conhecer alguma coisa nova. Vamos ver o que irá virar nessa janela que começa em janeiro. Se vou ficar por aqui ou se vou para algum outro time”, finalizou.