<
>

F-1: quem é Charles Leclerc, esperança da Ferrari que deve dar trabalho a Vettel em 2019

“Se não existisse empolgação em cima dele, eu não saberia com quem deveríamos nos empolgar.”

Assim Sebastian Vettel elogiou Charles Leclerc, uma das maiores promessas da Fórmula 1, no início da temporada de 2018. Antes do Grande Prêmio de Monaco, terra-natal do jovem de 21 anos, o tetracampeão aprovou toda a expectativa que se criava em torno do piloto.

“Ele marcou pontos com um carro que não pertence à zona de pontuação, então ele está fazendo tudo o que pode no momento”, afirmou o alemão. Vettel poderia até esperar que Leclerc, na academia de pilotos da Ferrari desde 2016, fosse dividir o box com ele em algum momento. Mas não tão cedo assim.

Já em 2019, o monegasco estará na escudeira italiana – com um contrato longo – e prometendo dar muito trabalho, não só para seu companheiro de equipe. Até Lewis Hamilton, atual dono do título, falou muito bem do jovem da Sauber.

“Eu vejo um pouco de mim mesmo neles. Nessa idade eu tinha o mesmo tipo de “olho do tigre”, disse o britânico sobre Leclerc, Gasly e a nova geração da F-1 na última quarta-feira. Campeão da Fórmula 2 aos 19 anos, a promessa de Monte Carlo sabe da difícil tarefa que terá pela frente.

“É uma honra ouvir isso do Lewis. Obviamente, ele é um piloto incrível e eu o assistia desde bem antes de eu chegar na Fórmula 1. Eu tentarei fazer meu melhor no próximo ano e definitivamente não vai ser fácil, ele tem muita experiência”, disse Leclerc em conversa com jornalistas no paddock de Interlagos na última quinta-feira.

Guiando o carro de número 16, ele já pontuou em oito corridas nesta temporada. Mas a adaptação ao “circo” da categoria levou um tempo.

“Nas primeiras corridas, eu fiquei bastante impressionado com a quantidade de coisas que se há para fazer além de dirigir. Na Fórmula 2, você só chega na pista, pilota o carro, volta para o hotel e é isso. Na Fórmula 1 é bastante diferente”, revelou.

O talento de Leclerc fez com que a dificuldade durasse apenas três corridas. Ele pontuou já na 4ª e na 5ª etapa, surpreendendo a todos e ganhando elogios.

A rápida ascensão, porém, não foi bem vista por alguns. Uma fonte da Sauber disse ao ESPN.com.br que, apesar dele ser um dos pilotos mais talentosos que já passou pela equipe, deixou de ser simpático com os companheiros após começar a chamar mais atenção.

A morte de pai e amigo

Quando voa pelas pistas do circuito, Leclerc sempre leva consigo duas figuras que o marcaram muito. Seu pai, o ex-piloto Hervé Leclerc, foi fundamental apoiando seu sonho, mas morreu em junho de 2017 – pouco antes do filho ser campeão da Fórmula 2.

“Eu me tornei muito mais maduro e hoje vejo as coisas completamente diferentes. A pressão, eu sinto, mas 20 vezes menor. Coloco toda a vida numa perspectiva diferente, porque você percebe o que são as coisas realmente importantes”, afirmou em entrevista ao jornal The Independent neste ano.

“Me mudou como pessoa e também como eu vejo as coisas agora”, completou.

Além do seu pai, Leclerc também perdeu seu amigo de longa data, Jules Bianchi. Esse fato, porém, se deu de forma mais dolorosa, uma vez que o francês faleceu após grave acidente no GP do Japão de 2014.

O monegasco começou no kart numa pista do pai de Bianchi e era muito próximo do amigo.

“Jules me ajudou muito a chegar aqui, muito do lado da competição. Ele era parte da família”, disse antes de correr em Suzuka nesta temporada.

Neste domingo, no GP do Brasil, Leclerc correrá com os dois na memória, sem deixar de vislumbrar um futuro brilhante na categoria.