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F-1: como Lewis Hamilton, primeiro negro da categoria, quer mudar o esporte por meio das escolas

“Quando eu comecei na Fórmula 1, eu tentei ignorar o fato de que eu era o primeiro negro a correr nesse esporte. Mas, conforme fui ficando mais velho, comecei a apreciar as implicações disso.”

A frase dita por Lewis Hamilton em 2014 à BBC exemplifica bem como o atual pentacampeão mundial mudou de opinião e começou a se importar mais com a pluralidade – ou a falta dela – no mundo do automobilismo.

“Se você olha para a Fórmula 1, não existe diversidade mesmo. Quando você anda pelo paddock, não há diversidade”, ressaltou o britânico na última quarta-feira, em São Paulo, num evento da Petronas, patrocinadora de sua equipe.

Aos 33 anos, o nativo da cidade de Stevenage não se acomoda com a realidade de alto custo e difícil acesso do que é considerado um esporte de elite - e pretende tomar ações em breve.

“Logo eu terei minha primeira reunião com Jean Todt (Presidente da FIA) para começar as discussões sobre como posso me envolver. Eles falam de segurança o tempo todo, mas isso é algo no qual eles constantemente estão trabalhando. Acho que esse é o menor dos problemas”, afirmou o atual campeão da F-1, dias antes de entrar em Interlagos para disputar seu 12º GP do Brasil.

Para Hamilton, a distância que os jovens sentem da categoria é uma questão a ser atacada - até porque ele mesmo viveu na pele como as finanças podem influenciar a carreira de um piloto.

“Se eu não tivesse sido contratado por um time de Fórmula 1 quando eu tinha 13 anos, não haveria chance de eu estar aqui sentado na frente de vocês hoje, mesmo se eu fosse melhor que todos os outros”, afirmou Lewis.

“Quando eu ganhei meu primeiro título britânico, foi contra um jovem muito, muito rico. A família dele tinha muito mais do que nós. Apesar disso, conseguimos superá-lo por pouco. E era só eu e meu pai. Ele tinha um time inteiro de pessoas a quem eles pagavam”, recordou.

“Como você faz (do esporte) algo mais consistente e acessível a famílias de trabalhadores normais? Acho que isso é chave (para o desenvolvimento)”, explicou.

O PODER DAS ESCOLAS

“Muitas crianças aqui no Brasil querem seguir os passos de Senna... Como nós criamos uma categoria, ou uma fundação para que o próximo piloto brasileiro possa conseguir?”, perguntou o atleta de 1,74m durante o evento.

Hamilton sabe que a Fórmula 1 é um esporte que requer cada vez mais tecnologia e investimentos. Porém, ele acredita que as escolas são um bom caminho para aproximar os menos favorecidos dos circuitos. Mesmo que eles não sejam pilotos.

“Como encorajamos outras jovens crianças? Porque quando eu estava na escola, as crianças não falavam em ser um engenheiro na Fórmula 1. Ou um astronauta. Eles não eram incentivados a pensar grande. Não sei por que, mas é assim que funciona”, questionou.

“Há tantas escolas que tem aulas de design, por exemplo. E não há razão para não darmos uma bolsa para esses designers fazerem algo para o nosso time, ou mesmo os macacões de corrida”, sugeriu o inglês, pensando logo num tema que gosta tanto: moda.

Conseguir mudar a Fórmula 1 parece uma tarefa bastante complicada – mesmo para um pentacampeão da categoria. Isso não significa, entretanto, que Lewis não possa fazer sua parte.

“A plataforma que eu tenho agora está crescendo mais rápido do que eu esperava e estou percebendo que eu tenho um alcance vasto. E posso fazer muito. Mas não posso fazer tudo”, admite.

“Eu não tenho todas as respostas, mas garanto que isso é algo muito presente no meu coração e com o qual eu realmente quero me envolver”, promete Hamilton.