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Com investimento de R$ 500 mil, AfroReggae inaugura projeto social envolvendo o esport no Rio

Vigário Geral é a primeira comunidade brasileira a receber um centro de treinamento voltado aos esportes eletrônicos AfroGames

Na contramão do discurso conservador de que os videogames fazem mal aos jovens, o AfroReggae enxergou nas modalidades eletrônicas verdadeiro potencial de impactar socialmente as comunidades carentes do Rio de Janeiro. O primeiro passo foi dado nesta terça-feira (7) com o lançamento do projeto AfroGames.

Trata-se do primeiro centro de treinamento localizado numa comunidade carioca, mais precisamente em Vigário Geral. O objetivo do projeto "é capacitar e profissionalizar jovens da favela para atuarem no mercado das competições eletrônicas, criando assim oportunidades para esses adolescentes terem acesso a equipamentos profissionais e todas condições para se desenvolverem como jogadores profissionais".

Com a capacidade de atender 100 jovens, o AfroGames contará com três cursos: League of Legends, que terá 60 vagas; programação de jogos e produção musical para os games, cada um com 20 vagas. Além disso, o projeto também oferecerá aulas de inglês a todos os participantes.

Ao ESPN Esports Brasil, o fundador e diretor executivo do AfroReggae, José Júnior, aponta que a ONG utilizará “os nossos 26 anos de experiência para que o projeto possa, por meio dos esportes eletrônicos, formar jovens que dificilmente teriam a possibilidade de ter acesso a uma infraestrutura e tecnologia como a que montamos”.

Também idealizador do projeto, o Ricardo Chantilly, já vê como realidade o esport sendo uma ferramenta social: "Os esportes eletrônicos vêm quebrando paradigmas, mostrando que a tecnologia não é vilã e é muito importante quando você faz um evento desse dentro da comunidade, trazendo para perto pessoas que não tem acesso a tudo isso".

O secretário de Cultura e Economia Criativa do estado do Rio de Janeiro, Ruan Fernandes Lira, revelou com exclusividade à reportagem que a Secretaria, junto com a outra parceira do projeto, investiram R$ 500 mil por meio da Lei de Incentivo a Cultura, com "a qual a Oi captou essa quantia e recebeu insenção de ICMS". De acordo com o governante, "nada mais é do que o governo arrecadando esse imposto e investindo diretamente para tornar esse projeto possível".

NÃO VAI PARAR POR AÍ

O Centro Cultural Wally Salomão não será o único beneficiado pelo AfroGames. José Junior adiantou ao ESPN Esports Brasil planos para mais dois centros de treinamentos: "Dando certo em Vigário, o segundo será no morro do Cantagalo e, talvez, o terceiro aconteça em São Paulo em parceria com o Corinthians". De acordo com o fundador do AfroReggae, o clube paulista "quer trabalhar na região de Itaquera, onde está localizado o estádio do alvinegro".

"A tendência é que esse projeto possa ser replicado em várias comunidades, periferias não só localizadas no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil", afirma.

OUTRAS MODALIDADES

Os idealizadores trataram de deixar claro que o League of Legends não será a única modalidade dentro do projeto. José Junior afirma que a intenção é de colocar todas, com o executivo falando sobre Dota 2 e Chantilly apontando o Counter-Strike.

Questionado sobre o jogo em questão, que vem sendo alvo de críticas junto com outros games violentos, o empresário afirma que “é mais danoso, é mais letal um fuzil de verdade ao invés daquele dentro do computador. Não adianta a gente tentar tapar o sol com a peneira colocando que o esport é violento. É para o garoto lá da Zona Sul. Já para o garoto daqui, a realidade é a violência do fuzil que mata, e não aquele de dentro do jogo. Então, o jeito é tirar esses garotos dessa realidade”.