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Polêmica na Riot Games: Uma linha do tempo para entender o caso

Funcionários da Riot protestam contra as políticas de arbitragem da empresa Divulgação/Emily Rand

Desde a divulgação de uma matéria especial feita pelo site Kotaku na metade de 2018, a Riot Games, responsável por League of Legends, está envolvida em uma investigação a respeito de alegações e ex-funcionários e atuais colaboradores sobre um ambiente de trabalho tóxico e sexista da empresa.

O fato mais recente sobre a crise foi uma greve de funcionários na tarde da última segunda-feira (06) no estacionamento do D-Building no escritório da empresa em Santa Monica, Califórnia. A paralisação foi uma resposta à falta de vontade da Riot Games em remover a arbitragem obrigatória para assédio individual a funcionários atuais da empresa.

Aqui está uma linha do tempo de eventos que antecederam a paralisação dos funcionários na segunda-feira. Os links para as matérias originais estão em inglês.

7 de agosto de 2018: Kotaku lança "Dentro da cultura sexista na Riot Games"

Cecilia D'Anastasio, do Kotaku, publica um relatório sobre o sexismo na cultura de trabalho da Riot Games. É uma compilação de 28 antigas e atuais funcionárias da Riot sobre o que muitas dessas fontes apelidaram de "irmandade" da Riot. O relatório descreve uma situação complexa em que o tratamento e as experiências dos funcionários variam em toda a empresa. Essas experiências incluem tudo, desde questões sistêmicas até atos individuais mais flagrantes de sexismo. Nas horas que se seguem, muitos outros antigos e atuais funcionários da empresa compartilham suas experiências em solidariedade com as fontes do artigo do Kotaku.

7 de agosto de 2018: Primeira manifestação da Riot Games

O chefe de comunicação da Riot Games, Joe Hixson, lança um comunicado e também publica um post sobre no subreddit de League of Legends. Hixson admite que "há trabalho a ser feito", mas também afirma que as denúncias não representam a cultura de trabalho da Riot. Ele diz:

"Nossos valores são ambiciosos e nós somos realistas sobre o fato de que os valores e comportamentos em nosso manifesto nem sempre são perfeitamente refletidos na realidade das experiências dos Rioters em toda a Riot games. Cortar a fala de mulheres em reuniões, promover ou contratar menos capacitadas em detrimento a elas, e cruzar a linha de assertivo a agressivo são três exemplos de ações explicitamente opostas à nossa cultura”.

"Equipes diversificadas e um ambiente inclusivo são a única maneira de oferecer experiências significativas e ressonantes para jogadores de todo o mundo, por isso precisamos garantir que todos os possíveis Rioters tenham a mesma chance de se juntar à nossa equipe".

29 de agosto de 2018: Riot Games lança "Nossos próximos passos"

A Riot publica a mensagem "Nossos próximos passos", que inclui um pedido de desculpas a antigos e atuais Rioters, fãs e potenciais funcionários e descreve como eles abordarão as questões polêmicas dentro de sua cultura no local de trabalho.

"Os manifestantes nos disseram que os passos que tomamos até agora não são suficientes e concordamos", diz a declaração. "As questões que enfrentamos são sérias e, para impulsionar essa mudança, precisamos entender totalmente a raiz dos problemas. Essa transformação será a fonte de nossa força como empresa".

Algumas dessas etapas incluem a expansão de sua equipe de diversidade e inclusão (chamado de D&I), revisitando as políticas de recrutamento e dobrando o treinamento interno.

12 de setembro de 2018: Frances Frei é contratada para a D&I da Riot Games

A Riot contrata Frances Frei como assessora sênior de sua equipe de diversidade e inclusão. Frei, que era vice-presidente sênior de liderança e estratégia do Uber antes de ingressar na Riot, fazia parte do esforço interno de “limpeza” da Uber para corrigir o que na época chamava de "cultura quebrada" naquela empresa.

"Nas minhas interações com os Rioters, tenho visto níveis extraordinários de envolvimento nessas questões em toda a empresa", diz Frei no anúncio da Riot. "Todo funcionário com quem eu me encontrei realmente se preocupa com a inclusão, o que significa que uma mudança real é possível. A Riot não está interessada simplesmente em corrigir problemas na superfície, mas tem a ambição de ser um líder da indústria e um exemplo para os demais. Eu compartilho essa ambição e estou ansioso para ajudar a Riot a progredir nesse processo".

17 de outubro de 2018: "Temos trabalho a fazer para melhorar"

Durante o Mundial de League of Legends de 2018, Jarred Kennedy e Whalen Rozelle, conversaram com a ESPN sobre como as acusações afetaram a equipe de esports.

"A Riot Esports faz parte da Riot", disse Jarred Kennedy à ESPN. "Os últimos meses foram um período de reflexão em que reconhecemos que temos trabalho a fazer para melhorar. Tomamos diversas do nível mais alto de liderança da empresa aos mais baixos".

As palavras de Rozelle reforçam o discurso de Kennedy e expressam o desejo de que a Riot não apenas conserte suas questões internas, mas se torne um líder da indústria.

"Sabemos que a mudança leva muito tempo e estamos profundamente comprometidos em fazer este trabalho, nos esforçando, aprendendo e ouvindo para fazer a mudança", disse Rozelle à ESPN. "Esperamos também que a história da Riot seja um grande exemplo de uma empresa que viu suas falhas, entendeu que precisava mudar e se tornou líder na indústria na promoção da diversidade e da inclusão".

06 de novembro de 2018: Primeiro processo contra a Riot

O site Kotaku informa que uma funcionária atual e uma ex-funcionária da Riot Games estão processando a produtora de jogos com uma ação coletiva apresentada em 5 de novembro de 2018. A ação coletiva proposta, Rosen Saba confirma à ESPN, detalha a discriminação baseada em gênero que essas funcionárias enfrentaram enquanto empregadas da Riot e pedem uma compensação.

13 de dezembro de 2018: Scott Gelb é suspenso sem pagamento

O Kotaku relata que o chefe de operações Scott Gelb foi suspenso sem remuneração por dois meses e receberá treinamento adicional. A suspensão de Gelb ocorre depois que várias funcionárias atuais e antigas da Riot alegaram que ele tocou repetidamente em seus testículos e fez outros contatos inadequados, segundo a notícia. Gelb, disse a Riot, será obrigado a passar por "treinamento" não especificado.

A matéria da Kotaku inclui trechos de um email da empresa do CEO Nicolo Laurent sobre o caso de Gelb.

"Como mencionei, estamos comprometidos em proteger a privacidade das Rioters e a integridade do processo de investigação. Isso significa que você não vai me ouvir ou a qualquer outro líder discutir casos individuais", diz o email.

"Dito isto, fizemos uma exceção muito rara no caso de nosso chefe, Scott Gelb. Existem fatores que coletivamente conduzem essa exceção. O Comitê Especial do Conselho de Administração solicitou especificamente que uma das consequências de Scott seja altamente visível. Scott detém um dos cargos mais altos da Riot, com um nível alto de responsabilidade e visibilidade, portanto certas consequências serão muito impopulares para os Rioters".

Fontes da matéria do Kotaku expressam sua decepção por Gelb permanecer na empresa. "Eu acho que isso também não é respeitoso para com as pessoas que foram feridas ou ofendidas por seu comportamento", disse uma funcionária anônimo da Riot ao D'Anastasio de Kotaku na notícia, descrevendo-o como um "tapa na cara".

26 de fevereiro de 2019: "Atualização sobre diversidade, inclusão e cultura da Riot"

A Riot Games lança uma atualização sobre suas iniciativas de D&I. Isso inclui os acompanhamentos das metas de treinamento e recrutamento mencionadas no relatório "Nossos próximos passos".

1º de março de 2019: Angela Roseboro é contratada como diretora de diversidade da Riot Games

A Riot Games contrata Angela Roseboro como a primeira diretora de diversidade da empresa. Roseboro era anteriormente a chefe global da equipe de diversidade, equidade e inclusão do Dropbox.

26 de abril de 2019: A Riot Games avança em direção à arbitragem privada

O site Kotaku relata que a Riot Games propôs mover as ações de dois dos cinco funcionários que entraram com uma ação legal contra a empresa em arbitragem privada, efetivamente removendo-os de tribunais públicos. Essas moções ocorrem em 26 de abril e Rosen Saba confirma à ESPN. A Riot diz que seus contratos com funcionários incluem uma cláusula que renuncia ao direito à ação legal, levando todas e quaisquer reclamações à arbitragem privada sem um júri ou juiz padrão.

A arbitragem forçada, especialmente no âmbito de contratos com funcionários, tem sido uma questão em andamento não só na indústria de jogos, mas no setor de tecnologia como um todo, com no Google, Uber e Facebook anunciando que, no futuro, a arbitragem forçada não se aplicaria a casos de assédio.

"É óbvio que a Riot Games não quer que essas reivindicações sejam apresentadas em um julgamento por júri porque a empresa sabe que fez de errado", disse Ryan Saba, sócio da Rosen Saba, em comunicado. "Em vez de ser uma empresa socialmente responsável, a reação da Riot Games é prejudicar ainda mais essas mulheres que trabalham duro, tentando silenciá-las em um processo de arbitragem a portas fechadas. Essas mulheres, e muitas outras como elas, merecem ser ouvidas e respeitadas".

3 de maio de 2019: A Riot divulga seus compromissos em relação à arbitragem

A Riot Games divulga sua declaração a respeito dos relatos de uma paralisação, bem como seu raciocínio por trás da mudança para a arbitragem privada. Ela afirma que a arbitragem privada será removida para futuros Rioters quando o atual litígio terminar.

"Na semana passada, discutimos este tópico com os Rioters em toda a organização, incluindo esta noite em nossa reunião bissemanal", diz o comunicado. "Fizemos um apelo para que mudássemos nossa abordagem. Assim que o atual litígio for resolvido, daremos a todos os novos Rioters a opção de optar pela arbitragem obrigatória para assédio individual e assédio sexual. Naquela época, também nos comprometeremos a ter uma resposta firme sobre expandir o escopo e estender essa opção a todos os Rioters".

Uma fonte ligada a paralisação disse à ESPN que a arbitragem privada é o principal ponto de discórdia, especialmente desde que a Riot disse que eles estarão dispostos a remover esta cláusula para futuros funcionários. A fonte, que concordou em fazer o registro sob a condição de anonimato, disse que quer a mesma condição aplicada aos funcionários atuais ou antigos que estão atualmente em litígio.

06 de maio de 2019: Funcionários da Riot entram em greve em protesto contra as políticas da empresa

Uma multidão de cerca de 200 funcionários se reúne em um estacionamento no estúdio da Riot Games em Santa Monica para protestar contra a política de arbitragem obrigatória. O protesto ocorre das 14:00 às 16:00, com palestrantes que incluem membros da divisão de esports da Riot e de outros setores da empresa.