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Torneio Guanandi quer "florescer" talentos femininos de Overwatch no Brasil

O Guanandi Tournament é mais um projeto da iniciativa Ecopoint, que busca unir Overwatch e a conscientização sobre a importância do meio ambiente. Reprodução

A própria comunidade brasileira de Overwatch está mais uma vez se organizando para fomentar o cenário competitivo feminino. Agora, a iniciativa vem do pessoal do Ecopoint através do Guanandi Tournament.

Em conversa com o ESPN Esports Brasil, a administradora do projeto, Letícia “Sammy” Moraes, contou que a ideia surgiu após uma postagem em um grupo de Overwatch. “Uma garota postou que não via há muito tempo um torneio voltado para o público feminino”, lembra Sammy. “Essa postagem repercutiu bastante, com a maioria concordando que realmente faltava esse incentivo para as garotas na comunidade. A partir daí, o Ravnus, criador da Ecopoint e do Torneio Andurá, abraçou a ideia e começou a juntar uma equipe de mulheres dispostas a tirar esse torneio do papel”.

Como todos os projetos relacionados ao Ecopoint, o torneio feminino também recebeu um nome que visa conscientizar as pessoas sobre a defesa do meio ambiente. Segundo Sammy, o nome Guanandi foi escolhido por representar uma árvore típica brasileira e de reflorestamento, mas que não é muito conhecida – assim como a própria competição. “O torneio Guanandi visa ser de excelente qualidade e irá trazer muito para comunidade de Overwatch e outros jogos”, crava a administradora.

Para fazer isso acontecer, não é só Sammy que está na jogada. A administradora conta que a equipe atual do Guanandi é constituída de 28 pessoas, sendo 93% mulheres, que ajudam em áreas como moderação, redação, design, marketing, treinamento e gerenciamento. “A organização está sendo muito bacana para as meninas que desejam seguir carreira no mundo dos esports e estão tendo o primeiro contato com a área. Tem sido um período de aprendizagem incrível para todas”, explica.

Sammy também revela que o Guanandi está sendo feito com a ajuda da comunidade, “sempre muito participativa nas redes sociais do torneio”, e que o Ecopoint está em busca de patrocinadores para o projeto. “Nossos planos não incluem apenas outras edições do torneio, mas também a expansão para outros jogos”, afirma.

IMPORTÂNCIA E EXPECTATIVAS

Toda vez que o assunto de “campeonato feminino” aparece, muitas pessoas surgem dos vários cantos da internet para discutir sobre como tais torneios não deveriam existir. Para Sammy, no entanto, eles são de extrema importância para dar visibilidade e trazer inclusão, além de fornecer “um ambiente onde as jogadoras possam se sentir seguras e respeitadas”.

“Muitas meninas querem dar o próximo passo para o cenário competitivo, mas não se sentem confortáveis o suficiente, se sentem inseguras com os cenários mistos ou com a própria habilidade. E isso não acontece somente no Overwatch, mas em diversos outros jogos multiplayer”, continua a administradora. “O campeonato feminino é uma forma de trazer essa confiança e essa segurança. É uma forma de falar ‘você pode!’. É uma forma de construir um ambiente acolhedor para fazer florescer esses talentos”.

Giovanna “xiofanna” Kiarha, que ajuda a cuidar das mídias sociais do Guanandi, concorda com a companheira de equipe. “Quem é menina sabe o quão difícil é se destacar e ter o seu espaço fixo no mundo dos jogos”, diz. “Com esse projeto, queremos dar voz às meninas do Brasil e, se possível, do mundo para sermos respeitadas. No cenário de Overwatch, temos diversas meninas que estão aí escondidas, e queremos mostrar que aqui também é o lugar delas”.

Responsável pela gestão de times, Brenda “Doctor” Cardoso se utiliza como exemplo de um caso de sucesso de um torneio feminino. “Por já ter tido uma pequena experiência nos esports com Battlefield no PlayStation 3, percebi que gostava muito daquilo e queria construir uma carreira num jogo que eu gostasse, que no caso foi o Overwatch”, lembra.

“Em 2017 ocorreu um campeonato feminino chamado OverD.vas, que foi o meu primeiro contato com o cenário de OW. Eu nunca havia me incentivado a entrar antes pois achava que eu não iria conseguir ser boa o suficiente, ou que iriam me julgar por eu ser uma menina no meio de tantos homens. Com esse campeonato, eu pude perceber que o meu potencial só depende de mim e que eu precisava conquistar esse espaço por outras meninas”, complementa Doctor.

Por esses e outros motivos, as expectativas para o Guanandi estão altas. Ariel “Kaadi” Prasal Sims, que também está na área de mídias sociais do projeto, garante que “a equipe é super empenhada e focada em sempre fazer tudo da melhor forma, seja no âmbito profissional, seja no inclusivo”.

Ela afirma que “a repercussão toda está sendo alta e temos grandes ‘olheiros’ por aí que podem dar um impulso a mais para o torneio e a ideia que ele quer passar. Afinal não queremos crescer no intuito de fama, queremos crescer no intuito de sermos influentes e propagar uma boa ideia para a comunidade, ganhando visibilidade e reconhecimento, além de espalhar muito amor e respeito”.

COMO PARTICIPAR

O período de inscrições para o Guanandi Tournament ficará aberto até 29 de abril, com o torneio previsto para acontecer oficialmente no final de julho. O torneio é aberto para mulheres cis e trans, com ou sem times formados, que “desejam e acreditam no seu potencial para participar do cenário de esports de Overwatch”.

“Vamos organizar times para as garotas que não possuem equipe com apoio e treinamento, fazendo com que elas possam dar o máximo de si e para que possamos ter um torneio interessante e saudável para quem assiste e para quem participa”, explica Sammy. “Vamos utilizar o formato padrão de torneios profissionais, como a Overwatch League, já proporcionando às meninas um contato direto com um pouco do cenário profissional”.

Para mais informações sobre como se inscrever, acesse a página oficial do torneio no Facebook ou Twitter.