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"O God da minha vida": Streamer NekoKryza recebe ajuda de fer em luta contra doença rara

Em momento de empatia, fer resolve ajudar streamer contra doença rara Montagem feita pelo ESPN Esports Brasil com fotos de NekoKryza e MIBR

Mundialmente, as os esportes são conhecidos pelo poder que possuem de mudar positivamente as vidas das pessoas, sejam elas praticantes casuais ou profissionais. Não seria diferente com as modalidades eletrônicos, que veem sendo o alicerce de Renata, a NekoKryza, na luta contra a mudez seletiva.

A heróica batalha da amante dos títulos do FPS contra a rara doença tornou-se pública a partir do momento que a jogadora decidiu fazer streams com o objetivo de arrecadar fundos para poder viajar até a Coreia do Sul, país onde se encontra uma clínica especializada no tratamento da enfermidade. O objetivo de NekoKryza era arrecadar US$ 10 mil, quantia a qual atingiu graças a fer, um dos principais nomes do Counter-Strike: Global Offensive.

O duas vezes campeão mundial de Counter-Strike revelou na última segunda-feira (15) que doará a quantia que estava faltando para NekoKryza poder ir para a Coreia do Sul para realizar o tratamento - pouco mais de US$ 7 mil tendo em vista que a jogadora já havia arrecadado US$ 3,3 mil.

Mas fer não foi a única celebridade do esport nacional que marcou presença na jornada de 20 dias de streams realizadas por NekoKryza. É o que conta a própria jogadora ao ESPN Esports Brasil. “O pessoal que tava comigo fez uma campanha gigantesca, tanto que durante as transmissões, recebi host do Alanzoka, Jukes, Jovirone, YoDa, Zigueira, The Darkness, enfim, vários streamers grandes”.

Influenciadores estes que, na opinião da jovem, “provavelmente devem ter enviado mensagens para o fer”. Segundo NekoKryza, o integrante do MIBR “veio na minha stream e uma das primeiras coisas que ele me disse foi ‘admiro muito sua perseverança e dedicação. Não interessa pelo que seja, vejo que tem se dedicado muito e quero te ajudar’”.

A comoção pela história e luta da jogadora contra a doença foi uma motivações para fer ajudar NekoKryza. No melhor estilo fazer o bem sem olhar a quem, o jogador do MIBR se colocou no lugar da jovem e aproveitou para refletir sobre o problema que passou com a própria audição nos últimos anos: "Eu fico pensando e se fosse comigo? Imaginando se eu tivesse perdido a audição e as pessoas me zoando pelas costas e eu sequer conseguiria ouvir ou fazer algo a respeito".

Desde 2016, quando o jogador se afastou pela primeira vez do competitivo por motivos médicos, é conhecida a luta de fer por uma boa audição. Na época, o brasileiro surpreendeu a todos ao revelar que tinha o tímpano direito perfurado e possuía apenas 30% da audição naquele ouvido. No final de 2018, o integrante do MIBR operou novamente, precisando assim se afastar das competições mais uma vez.

A REALIZAÇÃO DE UM SONHO

“Sem reação”. Esta foi a resposta dada por NekoKryza ao ser questionada sobre o que passou na própria cabeça ao receber o apoio de fer. “Achei que ele ia me ajudar com visibilidade ou com alguma quantia, mas foi uma surpresa pra mim. Eu estava emocionada ao triplo por saber que eu finalmente poderia fazer a cirurgia, por ter recebido essa ajuda de uma pessoa que é um exemplo do que um dia quero ser e pelo fato de eu nunca ter recebido ajuda na vida”, revela

“Sempre fui muito sozinha. Cresci sendo uma criança solitária. Passei minha adolescência também de forma solitária e me tornei uma pessoa amarga e individualista. Não acreditava que uma única pessoa poderia dar tanto dela mesma por outra pelo simples motivo de ajudar. Isso também me emocionou e, como eu disse na stream, a comecei sendo uma pessoa e terminei 20 dias depois, completamente outra”.

Após mostrar na stream tudo que foi proporcionado por fer, a jogadora deixou uma mensagem destinada ao integrante do MIBR e a todos aqueles que a ajudaram e apoiaram. Segundo a jogadora, em "vários dias ao longo dessa stream eu me vi pensando que eu devia desistir porque eu não iria conseguir ou que existam muitas dificuldades". Renata revela que simplesmente ignorava esses pensamentos e dizia a si mesmo "fique firme e forte, você vai conseguir. É importante persistir, já passei por tanta coisa. Isso é fácil e eu vou conseguir".

HISTÓRIA DE NEKOKRYZA

A paixão de NekoKryza pelos jogos não é algo repentino. A jogadora lembra que começou a jogar ainda criança, quando tinha entre cinco e seis anos, e que o primeiro título foi Super Mario World. "Desde essa época eu já gostava muito de jogos. Se deixassem, eu passava o dia todo jogando Mario. Depois minha mãe foi comprando outros títulos como Donkey Kong e Power Rangers", relembra.

O amor pelo FPS surgiu graças a um vizinho que também era colega de escola: "Lembro que um deles era fanático por brincadeirinha de arma e aí, quando lançou o PlayStation 1, lá pelos meus oito anos, ele comprou o console e meu pai foi na casa dele conversar com o pai dele e eu fui junto. Daí estavam jogando Medal of Honor e ali começou o vício".

NekoKryza conta ainda que, assim como muitos outros jovens, frequentou as lan houses. Foram nelas que a jogadora conheceu o Counter-Strike 1.6, modalidade a qual formou na jovem o gosto por competir.

Jogar profissionalmente, inclusive, é um sonho de NekoKryza. "Agora com voz é só questão de tempo", revela. Apex Legends é a modalidade a qual a jovem vem se dedicando porque "é o jogo com a melhor mobilidade que já joguei. Apex me mimou e hoje não consigo jogar nenhum outro FPS porque sinto falta de velocidade".

A jovem de 21 conta que vem sofrendo com mutismo seletivo há cerca de sete anos e, que desde 2018, está numa fase profunda da doença, a qual só consegue falar quando tenta se comunicar com a mãe e namorada. "Antes eu ainda falava em alguns casos de emergência, hoje não mais porque, de alguma forma inconsciente, sinto que elas não me julgam, caso contrário minha boca fica trancada para falar", explica.

"Desde meus 18 anos minha voz estava ficando cada vez pior, uma mistura entre cachorro latindo e um senhor de idade. As pessoas começaram a me ver estranho e, às vezes, até me tratar pelo sexo errado - em alguns momentos eu até me passei por homem por ser mais fácil pelo fato de eu gostar de meninas e também por ser menos embaraçoso. Toda vez que isso acontecia, ficava mais bloqueada para falar e cada vez sentia mais ansiedade de sair de casa por correr risco de ter que falar", revela Renata

NekoKryza conta que já fez tratamentos com especialistas, "mas a maioria deles não podia fazer nada além de uma cirurgia que tem cerca de 3 a 10% de chance de deixar o paciente completamente mudo porque pode vir a perder suas cordas vocais ou sugerirem terapia psiquiátrica para eu lidar com o fato de que tenho uma voz terrível sem fazer nada respeito".

A viagem para o tratamento em definitivo ainda não está marcada porque NekoKryza ainda precisa "fazer meu passaporte e visto, então ainda pode levar um tempo". A jovem revela ainda que o tratamento na Coreia não é a única possibilidade: "Estou em contato com três cirurgiões diferentes. Estou conversando e vendo com o fer qual seria a melhor opção para o meu caso. Há tratamentos similares nos EUA e Colômbia".

ABRAÇO DE AGRADECIMENTO

Um trato foi feito entre fer e NekoKryza. Daqui a um ano, quando a jogadora estiver recuperada, o jogador do MIBR quer receber uma mensagem de voz de Renata gritando qualquer coisa. Mas a jovem quer mais.

Ao ESPN Esports Brasil, a jogadora revela o desejo de se encontrar com o fer. “Não combinamos nada, mas acredito que acabaremos nos encontrando em algum momento até porque eu não poderia ficar sem dar um abraço na pessoa que foi, literalmente, o ‘god’ na minha vida”.