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Em parceria com Projeto Sakura, INTZ fará seletiva para jogadoras em time misto de LoL; Entenda

INTZ

O debate sobre participação feminina nos esports eclodiu entre fãs e profissionais nas últimas semanas, em que iniciativas para a inclusão e permanência de mulheres no meio foram cobradas pela comunidade. A INTZ, engajada na discussão através da hashtag #JogoÉCoisadeMenina e da contratação de jogadoras de Fortnite e CS:GO, deu mais um passo a frente com o anúncio de sua nova campanha, Invocadora.

Em parceria com o Projeto Sakura, que divulga iniciativas sobre mulheres nos games e organiza torneios amadores femininos, a INTZ selecionará de duas a cinco jogadoras para fazerem parte de sua escalação de League of Legends. A peneira acontecerá através de dois campeonatos do Projeto, em que as jogadoras que se destacarem serão convidadas a fazerem parte da organização como profissionais.

As inscrições para as qualificatórias não terão limitação de elo ou idade, sendo abertas para qualquer mulher, cisgênero ou trans, que queira participar. O primeiro torneio acontecerá entre os dias 16 e 17 de março, próximo final de semana, enquanto o segundo ocorrerá entre os dias 23 e 24, no final de semana seguinte.

Os dois times finalistas das duas edições se enfrentarão em uma etapa final, com chaves de semifinal e grande final em formato melhor de cinco. Ali, serão avaliadas em nível de jogo, comunicação e outros fatores pelo analista e técnico assistente da escalação principal da INTZ, Luiz Junior, conhecido como Onmeta.

Ao final do processo, cinco jogadoras serão selecionadas para fase de “tryout”. Além de ganharem um contrato de streamer pela INTZ, válido mesmo se a entrada no time não for consolidade, as candidatas farão um teste teórico de conhecimento sobre o jogo, avaliado pela comissão técnica da organização, e um teste psicológico com a profissional Natália Zakalski, responsável pela psicologia do clube. Após estes testes, as selecionadas serão encaminhadas para os times de LoL da INTZ.

CAMINHOS PARA A PRÓXIMA JOGADORA PROFISSIONAL

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o gerente geral da INTZ Vinicius “Mortal” explica que os testes serão feitos para identificar quais jogadoras chegam perto das aptidões que o time busca. “Buscaremos o que achamos que falta nos nossos meninos, o que podemos escolher para ter profissionais melhores do que temos hoje”, afirma. “Basicamente, o objetivo final é mostrar que o que falta para a mulher é oportunidade, que ela pode inclusive ser melhor que os meninos, e vamos prepará-la para isso”, esclarece.

Ainda segundo o gerente, é incerto onde as invocadoras selecionadas chegarão, e dependerá do nível apresentado ao final do processo. “Não diremos nada sobre colocar uma mulher no CBLoL, por exemplo, por enquanto. Veremos onde elas podem chegar. Se prepararmos elas e não estiverem prontas para o CBLoL, montaremos um projeto academy em volta dela como fizemos com os meninos do Gilette Ult, por exemplo”, disserta.

“Não queremos falar que somos o primeiro time a colocar meninas na escalação, jogar elas no CBLoL e, se elas jogarem mal, acabou a carreira e acabou mulheres nos esports, como aconteceu com a Vaevictis [na Rússia]”, cita. “Ou colocar uma menina de reserva para não jogar nunca. Queremos fazer do jeito certo”, aponta.

ADAPTAÇÃO DAS JOGADORAS AO TIME E À ROTINA

Apesar do centro de treinamentos da INTZ contar com dormitórios, as jogadoras não viverão na Gaming House no restante do time, e sim em um apartamento próximo à empresa, custeado pela organização e dividido entre elas e algumas das streamers intrépidas. “É como o time de Rainbow Six funciona, morando fora e usando a estrutura daqui todos os dias”, comenta Mortal.

Quando os nomes forem selecionados ao final do processo, o trabalho será iniciado com a comissão técnica da equipe, a fim de ensinar teoria a jogadoras que, em tese, já dominarão a prática. Responsável por parte da idealização do Invocadora e auxílio a partir da etapa final, o analista Luiz Junior afirma que a comissão técnica fará o máximo possível para que elas se encaixem da melhor forma. “A gente quer muito que o projeto dê certo”, comenta.

O treinador não acredita que haverá muita diferença no treinamento das atletas por conta do gênero. “Depende da pessoa que vamos escolher, porque tem meninas que jogam com um estilo agressivo e outras que jogam mais para o time. (...) Assim como qualquer pessoa que sai das filas ranqueadas e entra no competitivo, mudaremos a mentalidade dela, porque são jogos totalmente diferentes”, comenta. “

A INTZ conta com dez jogadores na escalação para o CBLoL e cinco no time Academy, ou seja, 3 times de League of Legends pelo clube. “Com boas jogadoras, pensaremos no que faremos, se colocaremos no projeto Academy ou na escalação do CBLoL. Queremos colocá-las no melhor enquadramento possível. Se elas forem melhores do que outros players, por que não substituí-los?”, arrisca o analista.

INTZ E O #JOGOÉCOISADEMENINA

O projeto surgiu do CEO da INTZ, Lucas Almeida, que quis contratar uma garota para a escalação de LoL. “A ideia inicial era que elas preenchesse um formulário e, com isso, faríamos a seleção, mas vimos que é importante fazer uma triagem antes. Aí falamos com a Juliana, do Projeto Sakura, e ela achou legal, quis participar”, conta Mortal.

De acordo com os porta-vozes da organização, a INTZ sempre apoiou mulheres no cenário de esports. A empresa foi pioneira ao contratar a streamer e apresentadora Fleeur, em 2015 — em 2018, a streamer Emanuele Barros produzia conteúdo de LoL sob a bandeira da organização. “[Anteriormente,] tínhamos entrado de um jeito menos ousado, porque com streamers não tem muito erro”, comentam.

Após a contratação das streamers Isadora Basile, Luiza Carvalho e, mais recentemente, da Raphaela Laet (Queen Briny), a organização iniciou o projeto #JogoÉCoisaDeMenina, homenageando mulheres nos games ao longo do mês de fevereiro e março. O último passo da campanha é o anúncio do Invocadora, em que, ao final do processo, jogadoras profissionais integrarão o time principal da INTZ.

Arthur Pescuma, analista de marketing da INTZ, afirma que a iniciativa vem em um momento em que o clube está com maturidade e profissionalismo para passar por essa etapa. “No ano passado, passamos por uma etapa de profissionalização. Para fazer um projeto desse tamanho, precisávamos de uma estrutura que agora temos. A mulher na INTZ sempre existiu. Agora que temos estrutura, conseguimos fazer coisas maiores”, afirma.

Sobre possíveis acusações da comunidade de que a iniciativa faz parte de uma estratégia de marketing, os porta-vozes não negam, mas explicam que não se restringe a isso. “Querendo ou não é marketing, pois estamos mudando a imagem da organização. Apoiamos uma causa muito nobre e isso agrega à nossa imagem, sim”, afirma Mortal.

Eles afirmam que o resultado é necessário para provar o contrário, e que a organização sabe o motivo pelo qual idealiza o projeto. “No final, se falarem que é marketing, deixa falar. Se funcionar porque queremos e porque é interessante para o cenário, não importa se falarem mal. A gente acredita no projeto”, crava Arthur.