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"Dava para ganhar", lamenta Duster após eliminação do Team Canarinho na WESG de Dota 2

Deixaram a China com sentimento amargo na boca EPICENTER

A participação brasileira nas finais do torneio de Dota 2 promovido pela World Electronic Sports Games (WESG) não repetiu o mesmo sucesso do ano passado. Enquanto anteriormente o time terminou em segundo lugar na competição como paiN Gaming, desta vez com a alcunha de Team Canarinho caiu nas quartas de final para a TNC.

Em conversa com o ESPN Esports Brasil após a derrota, Heitor “Duster” Pereira explicou que não houve uma preparação especial para o torneio, até porque três dos jogadores da formação estavam jogando a ESL One Katowice na semana anterior. No entanto, o suporte afirma que isso não influenciou muito por conta da sinergia já existente entre todos.

“A gente não fez nenhuma preparação especial porque todo mundo já jogou junto em algum ponto, então confiamos um no outro, já tem uma sinergia. Só jogamos uns treinos quando chegamos na China”, conta.

Sobre o desempenho da equipe, Duster diz que tudo estava bem certo no começo, com Danylo “Kingrd” Nascimento assumindo o já habitual papel de capitão e responsável pelo draft. No entanto, um dia ruim “e caótico” no início do torneio - que rendeu um empate e uma derrota inesperada - acabou atrapalhando as coisas.

“Quando empatamos com a Game Boy foi um pouco frustrante, porque tomamos uma virada muito feia no segundo jogo. Era pra ser um 2 a 0, o que ia facilitar muito nossa vida”, lembra Duster. “E quando perdemos pra NoLifer, tivemos uma conversa muito séria de que não podíamos ter perdido, pois eles pareciam ser um dos mais fracos do grupo, mas não estávamos preparados para eles. Começamos a aprender o meta com eles mesmo, depois daquela derrota”.

No segundo dia da fase de grupos da competição, quando precisavam vencer tudo para não depender do resultado das outras equipes, a Team Canarinho apareceu diferente. “Depois que a gente perdeu, começamos a conversar muito, estabelecemos algumas prioridades no draft e mantivemos a calma”, explica o suporte. “No segundo dia quando fomos jogar, fizemos uma rodinha, começamos a nos hypar e até gritamos ‘TEAM BRAZIL!’. A atmosfera estava muito mais confortável, muito boa. Só que depois tivemos outro dia ruim…”

O “outro dia ruim” foi a decisão das quartas de final, quando a equipe brasileira acabou sendo sorteada para jogar contra a TNC Predator, uma das favoritas do torneio. Duster comenta o motivo do favoritismo: “A maioria dos times aqui são ‘stacks’ (montados), e eles [a TNC] são o único perto de time, estão só com um stand-in, mas é um cara que sempre jogou com eles. Então é um time que já está se preparando pro major, estão há bastante tempo juntos, e eles jogaram bem pra caramba”.

O suporte, no entanto, acredita que a vitória era possível nas duas partidas da série que terminou em 2 a 0 para os filipinos. “Minha expectativa era de vitória e eu acho que dava pra ganhar, porque nos dois jogos vencemos a fase de lane, tivemos um early game bom. Porém, acho que o nosso jogo estava muito apático. A gente sentiu um pouco a pressão por eles serem os favoritos”, desabafa.

CONFORTO E CONFIANÇA

Aproveitando a conversa, perguntei a Duster como era disputar um presencial depois de tanto tempo jogando apenas qualificatórias online do Brasil. Segundo ele, a sensação é de “estar em casa de novo”.

“Voltar a jogar um presencial me fez sentir em casa de novo, ainda mais com esse pessoal. É muito divertido jogar com eles porque a gente se conhece, zoa um ao outro e joga muito sério também. E campeonato eu não viajava desde o TI, então me senti em casa de novo”, conta Duster.

Além disso, o suporte revelou um pouco de frustração com o resultado do campeonato, já que acreditava que uma boa colocação seria importante para que o público do Brasil retomasse a confiança em um time de jogadores brasileiros.

“A gente dependia muito de um bom resultado na WESG pra ter confiança de um time completamente brasileiro de novo. Então não sei como vai ser agora. Não sei o que eles [da Chaos] vão fazer, o que eu e o 4dr vamos fazer.... Deu pra sentir que cinco brasileiros é muito mais divertido e confortável de jogar, mas precisa de resultado junto, ou não é apelativo”, afirmou.

O próximo compromisso de Duster será disputar as qualificatórias para o major da MDL na Disneyland de Paris. O jogador deverá voltar a jogar ao lado de 4dr e outros brasileiros, como Thiolicor. Do lado da Chaos, a equipe disputará o major da DreamLeague Season 11, terceiro do Dota Pro Circuit, a partir do dia 14 de março antes de retornar ao Brasil para jogar a mesma qualificatória para o próximo major.

* A jornalista viajou a convite da WESG.