<
>

Opinião: Equipes da LCK estão com dificuldade para se adaptar e serem proativas

Griffin contra a Sandbox Gaming durante o 14º dia do Spring Split da LCK. Riot Games

No primeiro jogo da Griffin contra a Sandbox na terceira semana da Liga dos Campeões da Coreia (LCK), a partida se transformou em um contador de KDA para Jeong “Chovy” Ji-hoon.

O trio sul-coreano de casters apontou com animação o número que continuava a crescer, alcançando o recorde de 104 enquanto a Akali do mid laner entrava e saía de lutas. Ao final do jogo 1, após 11 jogos no total, Chovy havia morrido apenas uma vez, um feito surpreendente em qualquer era do League of Legends — particularmente agora, quando a habilidade individual dos jogadores tem se destacado mais com o passar dos anos. A Sandbox contra atacou e venceu o jogo 2, mas a Griffin confirmou a vitória na série, mesmo perdendo uma partida.

A Griffin lidera a tabela da LCK com saldo de 6 vitórias e nenhuma derrota, com o jogo perdido na série contra a Sandbox sendo a única rachadura em sua armadura aparentemente impenetrável. Ao final do split, devemos ter uma situação similar à GE Tigers de 2015, mas, neste momento, é improvável que a Griffin caia para uma emergente SKT Telecom T1 ou qualquer outra organização.

Diferente da Tigers, que tomou a Coreia do Sul de assalto com uma escalação veterana de talentos indesejados ou cujo desempenho foi posto em xeque em 2015, a Griffin é a vanguarda de uma nova geração na LCK. Isso também é um lembrete de um vão cada vez mais crescente entre jogadores veteranos e novatos, com as favoriras KT Rolster, Gen.G, Kingzone DragonX e até o time de estrelas da SKT, apelidado de “dream team” na KeSPA Cup, falhando e caindo em resultados para novos talentos.

O KDA de Chovy, no entanto, caiu para um gritante 42,7, mesmo ainda sendo o maior entre todos os jogadores do mundo. Nenhum outro time na LCK se mostrou preparado para vencer a Griffin em uma série. Nenhum time na LCK na história foi invencível durante um split inteiro — a SKT chegou perto no segundo split de 2015, quando terminou com 17-1 —, e apenas a SKT que venceu a OGN 2013-2014 finalizou um campeonato major na Coreia do Sul invicto em partidas. O sucesso da Griffin em 2019 atrai olhares melancólicos dos fãs mais fiéis da LCK.

Se a Griffin tivesse ido ao Mundial de League of Legends em 2018, talvez um time coreano tivesse conseguido passar das quartas de final.

A Coreia do Sul foi a casa dos times de mais alto calibre desde quando a região entrou na cena competitiva de League of Legends, em 2012, até o ano passado. A única vez que um time sul-coreano falhou em vencer um campeonato mundial em que seus times participaram antes de 2018 foi no primeiro ano da região, quando a Azubu Frost perdeu para a Taipei Assassins na final.

Desde 2013, independentemente de quem a Coreia do Sul mandasse para o mundial, pelo menos um time estaria na final; de 2015 a 2017, a final mundial foi disputada entre duas escalações sul-coreanas. Mesmo quando outras regiões pareciam competitivas na temporada regular, incluindo uma surpreendente derrota da SKT para a EDward Gaming no MSI de 2015, os times da Coreia do Sul sempre provaram seu ímpeto no mundial.

Era esperado que a Afreeca Freecs, KT Rolster e a Gen.G, a campeã de 2017, todas com escalações veteranas, fizessem o mesmo. Elas não fizeram.

A LCK nunca precisou mudar, até agora.

Foco em escolhas que conseguiam carregar solo, picks flexíveis, campeões na selva focados no early game (início do jogo), pressão na rota e um certo desprezo por um potencial controle de visão foram estilos de jogo que tomaram conta do palco do Mundial nas mãos dos jogadores da Team Vitality, Cloud9, G2 Esports e, eventualmente, da campeã mundial Invictus Gaming.

Técnicos e managers da LCK declararam que eles tiveram que encontrar um modo diferente de pensar para se encaixarem às novas regiões; “proatividade” se tornou a palavra-chave da offseason entre 2018 e 2019, enquanto os times sul-coreanos percebiam que a mudança era uma necessidade. A SKT não apenas escolheu jogadores com fortes performances na LCK, como Cho "Mata" Se-hyeong, Kim "Khan" Dong-ha and Park "Teddy" Jin-seong, como também apostou em um jogador conhecido por criar jogadas no early game, Kim "Clid" Tae-min. A Gen.G assinou com o caçador Han “Peanut” Wang-ho para fornecer o impulso necessário à sua escalação passiva, além de promover a titular seu agressivo suporte reserva, Kim “Life” Jeong-min.

No entanto, até agora, a LCK não foi tomada por um recém-descoberto e previamente intacto pico de agressividade, como as organizações veteranas esperavam.

A SKT começa a pausa para o ano novo chinês com um recorde de 4-2 em séries, mas sua série contra a Griffin, particularmente o jogo 1, foi um atropelo em que a SKT passivamente cedeu vantagens para a Griffin até que a adversária decidisse dominar o jogo, inevitavelmente dando flashbacks aos fãs da SKT do time do ano passado. A Gen.G pareceu surpreendentemente coordenada na KeSPA Cup, mas mal entrou no rift desde que a LCK começou. Apesar da Kingzone DragonX estar em quarto na tabela regional, ela é dependente do ponto em que o atirador Kim “Deft” Hyuk-kyu consegue carregar em lutas no meio ou fim do jogo.

Até a Griffin, líder da nova geração da LCK, tem um early game bastante passivo se comparado com os principais times chineses, como a Invictus Gaming, Topsports Gaming, FunPlus Phoenix e Suning Gaming.

Os times com os dois melhores early games da LCK são a Hanwa Life Esports, que também teve um forte early game no ano passado, mas manteve a tendência de entregar essas vantagens em trocas inconsequentes de objetivos ou lutas perdidas no meio do jogo, e a estreante Sandbox. Neste meta, você precisa ser flexível ou estar disponível para tomar riscos responsáveis, e a Sandbox cumpriu os dois critérios ao escolher composições fáceis de executar e que se encaixam com seus jogadores.

A Sandbox ainda precisa melhorar em muitos aspectos do jogo. Dependendo de como você olha para a situação, o segundo lugar pode ser outro aviso de mudanças radicais ou uma continuação do indício da perceptível passividade da LCK.

Não é surpreendente o quanto muitos times da LCK estão tendo dificuldades para se adaptar, mas existe uma sombra persistente de dúvida sobre a região — especialmente quando a Griffin, de longe o melhor time da Coreia do Sul, ainda não tem um early game tão forte quanto poderia ter.

Um olhar descompromissado para o topo dos times da liga profissional chinesa (LPL) revela quatro ou cinco times dispostos a lutar por vantagens no início do jogo, uma delas candidata a competir com a Griffin pelo Mid-Season Invitational, em maio. O MSI ainda está a meses de distância, mas, por ora, o evento parece ser a primeira chance real de ver o quanto a Griffin e a própria Coreia do Sul realmente são boas.