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Xamp aposta em experiência dos jogadores para Imperial surpreender no minor

Imperial no segundo dia de disputa do Gamers Club Masters. Felipe Guerra/Gamers Club

Sem chamar muita a atenção, a Imperial e-Sports entra no minor americano da IEM Katowice longe do favoritismo. A equipe comandada por Caio “zqk” Fonseca surpreendeu pelo bom final de 2018 e chega a competição sem o mesmo alarde de times como Furia ou NRG Esports.

Para Willian “Xamp” Caldas, comentarista de Counter-Strike: Global Offensive da ESL Brasil e da Gamers Club, esse perfil baixo é benéfico para o quinteto.

“Se pegarmos o retrospecto dos últimos dois majors, duas equipes sem muito prestígio se destacaram em cada um deles. No Eleague Boston Major, a Quantum Bellator saiu de um segundo lugar no minor CIS para o status Legend. No Faceit London Major, a compLexity desbancou grandes equipes com um 3-1 no formato suíço para atingir o mesmo posto”, relembrou Xamp, em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

De acordo com o comentarista, algumas equipes focam tanto nas principais adversárias e acabam esquecendo aquelas que não são favoritas. É ai, para ele, que a Imperial pode surpreender.

“O grande ponto aqui é que uma equipe com apenas quatro meses, como é o caso da Imperial, ainda que com um funcionamento de jogo padrão, tem suas variações no setup que não são totalmente divulgadas e este pode ser o grande trunfo diante de NRG e Bravado”, explicou.

Além das duas equipes citadas por Xamp, a Imperial ainda tem a brasileira INTZ eSports ao seu lado no grupo A.

“Contra a INTZ o caso é um pouco mais específico. Se tratando de uma equipe brasileira, existe o fator clássico em jogo. Ainda que o respeito seja maior, a INTZ, em tese, vem mais preparada para o confronto”, continuou.

PREPARAÇÃO

A Imperial terminou a temporada passada em alta, alcançando bons resultados online e conseguindo garantir vaga na WESG e no próprio minor. Para Xamp, essas vitórias não servem como base para a disputa internacional.

“Acredito que seja possível alcançar a vaga, mas, ao meu ver, o histórico do que foi feito no Brasil não serve como parâmetro para sucesso internacional. As campanhas de Team One, Furia e outras tantas equipes brasileiras que foram para o exterior mostram bem isso”, destacou o comentarista.

Na contramão, porém, Xamp acredita que o formato abre brechas para que a Imperial consiga beliscar a vaga.

“O fato de ser um evento com cerca de cinco séries md3 abre brechas para que a vaga seja possível. Se tivéssemos uma seletiva mais extensa, a exemplo do que é a Pro League, eu jamais acreditaria no sucesso como acredito neste momento”, afirmou.

Além da boa fase, outro fator que pode ajudar a Imperial é o bootcamp na Polônia. Pelo menos entre as brasileiras, a equipe foi a primeira a chegar no país de disputa do minor e tem tido acesso a treinos de topo - com adversários como FaZe Clan, Fnatic e mousesports.

Para Xamp, porém, a história não é bem assim. “Pelo que tenho acompanhado, os treinamentos são mais recentes, quando de fato as equipes tier 1 começaram a trabalhar. Ou seja, talvez eles estavam lá mas não estavam enfrentando estas equipes, apenas estudando-as”, afirmou.

Apesar disso, ele ainda considera válido essa antecedência: “O fato de chegar antes é bom para adaptação com o local, temperatura, fuso horário, tipo de alimentação e tudo mais, mas não me prenderia ao fato de chegar uma semana antes como crucial para a busca de uma vaga. Chegar uma semana antes ajuda, mas não é o que os levará para o major”, cravou o comentarista.

PONTOS FORTES, FRACOS E PALPITE

De acordo com Xamp, a principal vantagem da Imperial na disputa do minor é a experiência internacional de jogadores como zqk e Gustavo “Shoowtime” Gonçalves.

“A maioria são profissionais que já passaram por situações como essa. É um momento muito estressante, você está sob o olhar do mundo todo, é difícil jogar assim”, destacou.

Para o comentarista, o ponto fraco da equipe é o medo de errar. Segundo Xamp, um jogo muito cauteloso prejudicaria o quinteto.

“A virtude e a fraqueza estão dentro da cabeça deles e só cada um dos jogadores pode administrar isso. Se jogarem com medo, eles não vão conseguir. Tem que respeitar os caras, mas abrir e derrubar. O boneco deles tem 100 de vida também”, completou.

Questionado sobre a classificação final da Imperial na competição, Xamp aposta que a equipe tem “plenas condições” de terminar em terceiro lugar e disputar a repescagem por uma vaga no major.

O minor americano acontece entre os dias 22 e 26 de janeiro, em Katowice, na Polônia. A competição dará duas vagas diretas para a IEM Katowice - o próximo major. Além da Imperial, as brasileiras INTZ, Furia e Team One também estão na disputa.