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Opinião: Ultimate Team é o freio da evolução de FIFA

De Bruyne, Neymar e Dybala, embaixadores do FUT em FIFA 19 Divulgação/EA Sports

O modo Ultimate Team, o mais popular e rentável dos últimos anos em FIFA, pode ser a resposta para aqueles que pensam que o simulador de futebol está estagnado em questões importantes. O FUT, como também é conhecido, acabou se tornando uma fonte extra de dinheiro para a EA Sports, tal qual os “loot boxes” em outros jogos, e a principal preocupação da desenvolvedora.

O FUT é o modo de jogo em que montamos um elenco com cards que representam os jogadores. Ganhamos ou trocamos novos cards em desafios propostos pelo game, como vencer adversários ou alcançar objetivos específicos, comprando no Mercado de Transferências ou ganhando nos famigerados pacotes, que custam dinheiro dentro e fora de FIFA.

Sendo sua “galinha dos ovos de ouro”, a EA Sports parece estar preocupada em desenvolvê-lo, para ganhar mais, e transparece uma sensação de que está deixando outros elementos-chave do game de lado, que há muito tempo pedem atenção e impedem um verdadeiro desenvolvimento.

Jornada foi um sopro de “originalidade” até certo ponto, já que se baseia no modo Carreira visto em outras franquias, em especial NBA 2K. Kick Off terá novidades em FIFA 19, mas até aqui o público alvo é de outros jogos, como a opção de eliminar jogadores do time que marca gols lembrando em muito o gênero da moda, o battle royale.

Agora, os modos Carreira e Pro Clubs parecem estar longe de uma maior atenção, como já foi anunciado pela empresa na figura de Sam Rivera, produtor do game. Segundo o dirigente “a EA ouve a opinião dos jogadores e planeja desenvolver no futuro tudo o que envolve FIFA e seus modos, mas Carreira e Pro Clubs permanecerão da mesma maneira em FIFA 19”.

No entanto, principalmente para que curte determinados elementos do jogo ou os modos estagnados acima, é um futuro que nunca chega.

Pro Clubs, a opção de jogo mais subutilizado do game, que permite até 11 jogadores simultâneos em cada time, contém fãs cativos e uma forte comunidade no Brasil. requer melhorias básicas. A comunidade do modo pede melhorias no sistema de matchmaking, possibilidade de gravação de dados para compartilhamento, opção de treino, correção do comportamento de jogadores controlados pela IA e uma maior personalização de elementos como faces e acessórios, principalmente o uniforme.

Já para o público geral, há uma demanda por correção de bugs que possam melhorar a jogabilidade, como erros que destorcem avatares, goleiros com comportamento estranho, dentre outros.

Em especial, pede-se um aumento da qualidade dos servidores para que diminua a queda constante das partidas. É preciso um melhor ecossistema para partes do mundo que são importantes para FIFA, como o Brasil, que sofre com a precariedade de suas partidas online – aliada a baixa qualidade da banda larga daqui.

A EA parece trilhar caminhos pavimentados pelas cifras assim como a Valve e outras empresas que “abandonaram” o single player.

Half-Life 2, por exemplo, discutivelmente o maior FPS de todos os tempos, foi deixado de lado para que Counter-Strike e Dota 2 surgissem em toda sua glória - e valor.

Ora, ninguém aqui está cobrando um comportamento franciscano, já que se trata de um negócio, mas é preciso cuidado, pois o descontentamento gerado cresce a cada novo FIFA lançado. A EA mudará apenas quando PES ou outra franquia tomar seu posto?

Enquanto o público cativo de FIFA sustentar esse modelo de negócio, será problemático ver mudanças importantes para o game, tornando a realidade versões repaginadas e vendidas anualmente uma constante.