<
>

De união de amigos a campeã do The International: Conheça a história da OG

OG levanta o Aegis após vencer o The International 2018 Valve

O The International 2018 acabou no último sábado (25) e consagrou a OG como grande campeã do torneio. Além de quebrar a tradição de equipes chinesas vencendo o Mundial de Dota 2 em ano par, o time mostrou como persistência e força de vontade combinadas com mecânicas bem executadas podem fazer a diferença em um torneio.

Mas como a OG chegou até o palco do The International? Confira um resumo da história da organização.

União de amigos

O início da OG remonta a agosto de 2015, quando dois veteranos e três talentos em ascenção formaram a tag Monkey Business. Johan "N0tail" Sundstein e Tal "Fly" Aizik eram os veteranos, tendo jogado juntos em 2012 na equipe europeia da Fnatic e, em seguida, na Team Secret em 2014. Já os mais novatos no competitivo eram Amer "Miracle-" Al-Barkawi, Andreas Franck "Cr1t-" Nielsen e David "MoonMeander" Tan.

Após garantir uma das vagas europeias para o Frankfurt Major em 2015, a tag tornou-se a OG em 31 de outubro de 2015. Entretanto, diferente de outras organizações, a OG surgiu como um modelo diferente no qual os jogadores possuem contratos com a organização, mas são donos de seus direitos de imagem. Inicialmente, o patrocinador que os ajudou em tal empreitada foi o site de transmissões Hitbox. Mais tarde, a Red Bull tomou o lugar de patrocinador oficial do time.

Em seu início dourado, a OG derrotou a Team Secret na grande final do Frankfurt Major 2015. Essa vitória fez o time chegar como convidado e favorito ao próximo major da Valve, o Shanghai Major 2016. No entanto, o time acabou tendo um desempenho aquém do esperado e amargou o 7º-8º lugar.

A derrota, no entanto, não abalou a OG, que conquistou o terceiro lugar no Epicenter em maio de 2016, assim como a DreamLeague Season 5, o Manila Major e o ESL One Frankfurt em junho do mesmo ano. Não é difícil imaginar que a equipe novamente voltou a ser uma das favoritas - desta vez para levar o The International 2016, ao qual recebeu um convite direto.

Novamente, mais uma decepção. O time pareceu ter perdido o embalo e amargou a 9ª-12ª colocação no Mundial de Dota 2 ao ser eliminado pela TNC Predator. Foi então que começaram as mudanças na escalação, com MoonMeander indo para a Digital Chaos, Cr1t indo para a Evil Geniuses e Miracle- para a Team Liquid - os dois últimos, inclusive, continuam em suas equipes até hoje.

Nova escalação e tetracampeonato, mas nada de Aegis

Para preencher as posições abertas do time, a OG chamou Jesse "JerAx" Vainikka (ex-Liquid), Anathan "ana" Pham (reserva da Invictus Gaming) e Gustav "s4" Magnusson (ex-Alliance e vencedor do TI3). As mudanças se pagaram, e a organização voltou ao topo ao vencer o primeiro major após o mundial, o Boston Major 2016, ficar em segundo lugar no Dota 2 Asian Championships 2017 e embolsar o Kiev Major 2017.

Com o resultado, a OG tornou-se a primeira equipe a ser tetracampeã de majors realizados pela Valve. No entanto, isso não foi o suficiente para a equipe levantar o Aegis em 2017. Naquele ano, a OG chegou mais longe no torneio, mas foi eliminada pela LGD (uma ironia do destino) e ficou em 7º-8º lugar.

Mais uma vez, a derrota fez a equipe mexer em sua escalação. Ana decidiu fazer um hiato em sua carreira competitiva e foi substituído pelo ucraniano Roman "Resolut1on" Fominok.

O Dota Pro Circuit

Após o TI7, a Valve anunciou a criação do Dota Pro Circuit, um sistema com diversos majors e minors que dariam pontos para um ranking que definiria os times convidados diretamente para o TI8.

Ao contrário dos bons começos que a OG teve nas temporadas anteriores, o time iniciou mal sua caminhada no DPC. A equipe não conseguiu se classificar para os três primeiros torneios da temporada, e sua primeira participação foi no minor Dota Pit League em outubro de 2017, quando ficou em 5º-6º empatado com a brasileira SG e-sports.

Já em novembro do ano passado, as coisas melhoraram consideravelmente para a equipe. A OG venceu o minor MDL Macau e ficou em 3º-4º lugar no também minor Dota Summit 8, garantindo seus primeiros pontos DPC. Depois disso, garantiu praticamente todas as vagas de qualificatórias europeias para minors e majors no início de 2018, mas o sucesso não se estendeu aos eventos presenciais conforme mostra a tabela a seguir.

Com o péssimo resultado do Bucharest Major, o time decidiu fazer mais uma alteração em sua escalação. Novato na equipe, Resolut1on foi tirado do time e substituído pelo então técnico Sébastien "7ckngMad" Debs, que continua jogando pela OG até hoje.

A mudança foi arriscada, pois fez com que o time perdesse o direito de ser convidado diretamente tanto para o TI8 (caso conseguisse a pontuação necessária) quanto para as qualificatórias fechadas da Europa. No entanto, não conseguiu trazer resultados positivos para a OG em eventos presenciais.

Foi então que, após a 7º-8º colocação no ESL One Birmingham, a organização sofreu o maior baque de sua história.

O fim de uma amizade

Em 28 de maio deste ano, o cenário de Dota 2 foi pego de surpresa quando s4 e Fly anunciaram sua saída da OG e ida para a Evil Geniuses. A mudança foi repentina e fez com a OG desistisse de sua vaga no Supermajor por não ter uma escalação completa para disputá-lo.

No entanto, não foi apenas a chance do time disputar o último e mais importante major da temporada que foi para o ralo. A longa amizade entre n0tail e Fly também parece ter ido junto.

Segundo entrevistas, os dois se conheceram em 2009 jogando Heroes of Newerth e migraram para o competitivo de Dota 2 em 2012, quando fizeram parte da Fnatic.EU e da Team Secret até o fim de 2014. No ano seguinte, ambos jogaram em times diferentes por um breve período, mas continuaram amigos e fundaram a Monkey Business em agosto de 2015. Ou seja, uma amizade de quase 10 anos possivelmente chegou ao fim.

Enquanto muitos duvidam que exista alguma animosidade entre os dois jogadores, fica difícil de acreditar nisso quando vemos o olhar que n0tail deu a Fly quando ambos se cumprimentaram no TI8 após a vitória da OG em cima da EG na chave superior do torneio.

Quebrando tradição

Com uma escalação montada às pressas para o TI8, a OG completou sua equipe com a volta de Ana e a entrada de Topias "Topson" Taavitsainen. A contratação de Topson também foi uma escolha arriscada da OG, já que - apesar de jogar Dota desde os oito anos de idade - o finlandês estava jogando pubs há um ano e praticamente não tinha experiência no competitivo.

A nova formação começou bem e garantiu a única vaga europeia por meio de qualificatória para o TI8. Apesar disso, e ao contrário dos anos anteriores, a OG entrou no torneio longe de ser uma das favoritas. Em um campeonato com PSG.LGD, Virtus.pro, Team Liquid e uma EG recém-vencedora do Dota Summit 9, poucos acreditavam no potencial da OG de chegar muito longe nos playoffs. Então, a equipe fez muita gente pagar a língua.

De fato, a vida da OG não foi a mais fácil na fase de grupos. Mesmo surpreendendo ao empatar com a PSG.LGD, a OG teve dificuldades nas séries contra a EG e Team Liquid (quando perdeu de 2 a 0) e acumulou mais dois empates com a Fnatic e Winstrike. Por fim, as vitórias contra a Invictus Gaming, Mineski e VGJ.Thunder garantiram o time no Top 4 com nove vitórias e sete derrotas e a ida direta para a chave superior do torneio.

Na chave superior, a OG ainda demonstrou certos problemas em seu early game, mas sua capacidade de virar partidas impressionou a todos. Depois de avançar na disputa ao derrotar a VGJ.Storm por 2 a 0, a equipe encarou a algoz EG, quando venceu por 2 a 1 com direito a mais uma virada na terceira partida.

Novamente, a OG enfrentou a LGD - desta vez na final da chave superior e sem possibilidades de empate. A equipe europeia saiu na frente, mas logo viu a adversária empatar a série com uma forte composição. Na terceira e decisiva partida, tivemos um gostinho do que poderia ser a final do torneio: lutas intensas e uma defesa incrível da base pela OG, que conseguiu virar o jogo e vencer mesmo com a LGD em vantagem.

Garantida na grande final, a OG assistiu a EG eliminar a Team Liquid, e parte do público começou a imaginar como seria uma grande final valendo o Aegis entre os dois times considerados agora inimigos. Isso não se realizou, no entanto, já que a LGD venceu a EG por 2 a 0 e acabou com o sonho norte-americano de um bicampeonato.

Então, na grande final, o público pôde acompanhar uma das séries mais emocionantes do competitivo de Dota 2 nos últimos tempos. Ao contrário do ano passado, que terminou com uma lavada da Liquid de 3 a 0 em cima da Newbee, a final entre OG e LGD foi para o quinto jogo e com certeza fez muitas pessoas ficarem na beirada de suas cadeiras de nervosismo.

Por fim, jogadas fantásticas dos integrantes da OG - principalmente de Ana - fizeram a equipe ser capaz de defender sua base e esperar o momento certo para lutar, eliminar adversários, forçar buybacks e vencer as partidas. Após empatar a série no quarto jogo, a OG jogou tudo o que tinha na quinta partida e venceu um jogo apertado para quebrar tradições e levantar o Aegis.

Agora, a OG tem algumas semanas de folga até o início da próxima temporada do DPC e mais uma jornada para o The International.