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Opinião: FIFA 19, cadê a expansão do futebol feminino?

Que tal ter o card de Marta no Ultimate Team? Reprodução/EA Sports

A chegada de cada novo FIFA desperta em seus fãs a expectativa de novidades. Mas há um uma parcela, grande e seleta, destes fãs que ainda não recebeu a devida representação na franquia de futebol da EA Sports: o público feminino.

Muito já se sabe de FIFA 19, sobre a a chegada da Champions League, um novo sistema de animação, o destaque de sempre para o modo Ultimate Team, etc. No entanto, pouco ou nada se fala sobre uma expansão do futebol feminino. O tema consegue ser deixado mais de lado até que o modo Pro Clubs, a opção de jogo mais subvalorizada de FIFA.

FIFA 16 deu o pontapé inicial quando trouxe 12 seleções nacionais, mas pouco feito desde então. Se a conversa se ampliar para a história da franquia, a coisa fica ainda pior. As fanáticas por futebol têm que se contentar, assim como quando consomem o esporte real, com a modalidade masculina.

É chegada a hora da representação feminina ser valorizada, e torcedoras não faltam para que elas façam sucesso em FIFA.

BEM REPRESENTADAS

Antes de tudo, a mulher consome o futebol como ele é. Tem seu time do coração, gosta de jogar com as melhores equipes, monta seu esquadrão no Ultimate Team e arremessa o controle na parede quando perde um gol feito. A expansão do futebol feminino em FIFA trata da experiência plena que elas podem ter com a equidade dos gêneros.

A representatividade é a palavra-chave. Tal qual exemplos recentes no cinema, como Mulher-Maravilha e Pantera Negra, a representatividade torna a experiência mais proveitosa e aproxima a realidade de quem assiste à película. Nos videogames, já há franquias que romperam a barreira do herói “homem e branco” e disponibilizam versões femininas como em Fallout, Elder Scrolls e Mass Effect. O último, inclusive, tem na versão feminina do comandante Shepard uma heroína tão ou mais icônica para a série.

Em FIFA, se os negros, orientais e demais etnias têm a sorte do futebol ser um espaço democrático para vermos craques de todas as versões humanas, a mulher ainda é uma ínfima parcela.

PARA ONDE EXPANDIR

Para começar, popular o game com ligas nacionais. Um grande começo seria a inclusão de grandes cenários europeus como Noruega, Alemanha, França, Inglaterra e o torneio dos EUA. Além de valorizar quem valoriza o futebol feminino, seria um exemplo a ser seguido por regiões menores ou inexistentes. Com uma boa quantidade de jogadoras à disposição, o próximo passo é a versão feminina do Ultimate Team, o modo mais popular de FIFA.

Já os modos que unem o esporte ao videogame cairiam como uma luva para uma maior imersão das mulheres, tendo papel vital para essa expansão. Tanto Carreira como Jornada seriam opções que, por si só, bancariam a equidade de gênero.

Se no modo Carreira a criação de uma jogadora seria algo óbvio, uma nova temporada de Jornada com uma mulher seria ideal para substituir a história do Alex Hunter quando ela acabar.

FIFA 18 nos trouxe Kim Hunter, meia-irmã por parte de pai do protagonista. O modo nos permitiu a possibilidade de controlar a jogadora em uma partida entre seleções femininas. Quem sabe até ela poderia ser a protagonista, em uma ponte dos Hunter para uma história nova.

VIA DE MÃO DUPLA

Um FIFA 19, ou posterior, mais feminino é um elemento obrigatório para a franquia da EA Sports. Além de todos os elementos citados acima, o passo final seria um cenário competitivo feminino e a integração com o masculino. Veríamos jogadoras jogando com jogadoras para desafiar os homens nos gramados virtuais.

Se o futebol jogado pelas mulheres não goza do mesmo glamour e popularidade, teria no game um porta-voz para a modalidade, suas estrelas e times. A equidade seria uma bola de neve, tão poderosa quanto a força das mulheres.