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Rafifa, Wendell Lira e outros profissionais apontam o que querem, e o que não querem, ver em FIFA 19

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Depois da Copa do Mundo na Rússia, os fãs de futebol no videogame terão um novo foco: a chegada de FIFA 19. Entre agosto e setembro, como é tradição, a EA Sports lança mais um capítulo de seu game de futebol. Méritos a parte, os torcedores/jogadores se aninam com mais uma temporada, com novidades e erros clássicos que cada novo FIFA traz.

Com o crescimento do game nos esports, e sua respectiva comunidade de competidores, ganhou a força a figura do atleta eletrônico. Tal qual outros esports, FIFA passou a ter jogadores de nome, que representam o Brasil em torneios exterior com bastante qualidade e brio.

Antes de mais nada, os atletas virtuais são jogadores de FIFA, portanto, o ESPN Esports entrevistou alguns dos maiores nomes de nosso cenário para saber: o que eles esperam de FIFA 19?

Lucas "Lucasrep98" Gonçalves, Wendell Lira, Rafael "Rafifa13" Fortes, Henrique "Zezinho23xX" Lempke e Nuno Bianchi (um dos diretores da VPSL, liga especializada no modo Pro Clubs) responderam ao chamado e opinaram sobre como FIFA 19 poderia ser melhor que seus antecessores, o que deve ser mantido e o que deve ser corrido. Foram feitas três perguntas que abrangeram três focos para o novo jogo: erros, novidades e esports.

Para começar: o que membros da comunidade gostariam de ver corrigido em FIFA 19? Para Lucas "Lucasrep98" Gonçalves e Henrique "Zezinho23xX" Lempke, alguns elementos do jogo precisam estar mais nas mãos dos jogadores, para quem tenha maior liberdade de ação. Lucasrep98: “espero que eles deixem a marcação mais manual e não tão automática, pois minha opinião é que qualquer pessoa que pressiona o botão certo consegue marcar sozinho.

Zezinho23xX segue na mesma linha: “Espero também que os passes e marcação se tornem mais “manuais”, para tenhamos mais controle. Assim, o verdadeiro talento em jogo aparecerá. Por fim, deixar que a sorte influencie menos nos resultados dos jogos.

Wendell Lira vai além e critica a EA Sports, responsável pelo game. Para o atleta virtual, a interferência direta da empresa atrapalha o desenvolvimento do jogo: “sou um grande crítico do FIFA. Na minha opinião, a versão de lançamento do jogo é sempre muito boa, mas as atualizações feitas pela EA vão piorando o game. Há coisas que eles alteram que pioram, como a marcação automática, elementos que facilitam o jogo. Espero que a EA permita que FIFA 19 seja mais competitivo, para que o talento fale mais alto e vença quem realmente é bom. Espero que a interferência do próprio jogo nas partidas seja menor”.

Rafael "Rafifa13" Fortes, jogador do Paris Saint-Germain, toca no “acaso” como algo a ser melhorado: “gostaria de ver o elemento ‘sorte’ ter menos influência em quem sai vencedor nas partidas. Sei que é um simulador esportivo e que esse fator existe, mas acredito que hoje é muito preponderante nas disputas. Além disso gostaria que o passe forte, em profundidade, perdesse um pouco de sua potência e fosse mais difícil de se realizar”.

Por fim Nuno Bianchi, da comunidade de Pro Clubs, fala como um representante do modo: “conforme o jogo se foca mais na competitividade e partidas online, é necessário que a EA invista em uma melhoria significativa dos servidores para a América do Sul. Sobre Pro Clubs especificamente, maior suporte e colaboração com as comunidades competitivas que operam legalmente na modalidade, como a VPSLeague. Ao mesmo tempo, maior rigor em relação a organizações que operam fora regras da EA ou da legislação do país. É fundamental que a empresa valorize quem trabalha corretamente para o desenvolvimento e amadurecimento das comunidades locais do produto”.

O segundo tema está relacionado aos desejos dos jogadores: o que você quer que volte à franquia em FIFA 19? Qual novidade ou elemento adicionaria ao próximo jogo da franquia?

A palavra está com Zezinho23xX. Para o pro player, o futebol nacional e efetividade cairiam bem: “seria bom a volta dos times brasileiros de verdade, todos eles, com suas respectivas escalações, mas acho que não acontecerá. Acho que dribles mais efetivos, mais “agudos”, tornariam o jogo mais interessante de ser assistido pelo público.

Já Nuno Bianchi gostaria que a EA tratasse melhor o modo que faz parte: “gostaria de maior agilidade na correção de bugs e brechas gerais no Pro Clubs. Sempre no lançamento de cada edição do game, são descobertas formas de burlar o desenvolvimento do Pro Virtual (jogador personalizado). Essas falhas que impactam a competitividade não só dificultam a entrada de novos jogadores na modalidade (que têm dificuldade em competir contra jogadores antigos e que se informam rapidamente sobre esses “macetes”), mas também geram um ambiente inseguro e desequilibrado para entrada de clubes oficiais e empresas patrocinadoras. Possibilidade de fazer amistosos de “2x2” também seria uma boa adição”.

Já os outros atletas virtuais gostam do veem em FIFA. Lucasrep98 diz que “meu jogo em FIFA se concentra no Ultimate Team e penso que é um modo ‘redondo’”, Wendell Lira respondeu que “curte o jogo como ele é - apesar do que falei, é bom de se jogar” e Rafifa13 só espera “que o gameplay em geral seja melhorado”.

A terceira e última questão é relacionada aos esports. Perguntamos aos representantes da comunidade o que a EA tem acertado e errado no circuito profissional.

Para Lucas "Lucasrep98" Gonçalves, o foco é melhorar a estrutura das partidas online: “os servidores ainda são ruins. Muitas vezes temos quedas de conexão, lentidão, e outros motivos que fazem com que as seções sejam finalizadas. Leva muito tempo voltar e disputar a próxima partida competitiva”.

Henrique "Zezinho23xX" Lempke também cita a estrutura e comenta sobre o sistema de disputa usados atualmente: “o método por regiões era muito mais justo, considerando que os brasileiros não têm as mesmas condições de jogo que os europeus. Sofremos com servidores ruins, instabilidade e desconexões frequentemente. O modo suíço (disputado hoje) é bastante justo, mas se torna chato de ser assistido devido ao enorme número de jogos que temos em um dia. O método disputado hoje no circuito permite que realmente os melhores jogadores (dentre os classificados) se classifiquem para o mundial, tornando a competição mais atraente e disputada”.

Wendell Lira e Rafael "Rafifa13" Fortes abordam como funciona o sistema de ranking e como se dá a organização dos torneios.

Wendell Lira: “sobre a competitividade, acho que o sistema de matchmaking de FIFA deveria colocar frente a frente jogadores do mesmo nível, para que não haja confrontos com times muito inferiores. Seria importante termos uma temporada ranqueada, cuja posição te classificaria para torneios importantes e assim um final de semana, um dia ruim de disputas não tivesse um peso tão grande para te deixar de fora”. O ex-jogador profissional de futebol também cobra um melhor posicionamento da EA: “chegou a hora de FIFA assumir sua condição de esport e colocar os melhores ranqueados para jogar os grandes torneios”.

Rafael "Rafifa13" Fortes: “acredito que a EA acertou, em termos, ao permitir a realização de ligas parceiras e de terceiros. Digo em termos, pois fora do Brasil, onde existem mais investimentos os campeonatos aconteceram com maior regularidade. No Brasil, tirando a ESWC, tivemos somente chances por dois eventos oficiais da EA, enquanto os europeus tiveram muito mais chances. Para que possamos ter mais jogadores em posições de destaque lá fora, precisamos de mais chances de qualificação”.

Por fim, Nuno Bianchi fala sobre os esports inseridos no Pro Clubs e tem várias sugestões: “gostaria que fosse adicionado um modo “Espectador”, a possibilidade de criação de partidas online ou offline em servidores locais, escolha para finalizar as disputas (prorrogação, pênaltis ou empate), maior personalização dos jogadores virtuais e uniformes de clubes e, por fim, uma forma de se denunciar jogadores que usam bugs e brechas”.

Nuno completa: “acredito que o tratamento com os jogadores, sobretudo os sul-americanos, ainda não está nem próximo do adequado. A ausência de um modo “Espectador” também vai na contramão de todos os demais esports do mundo, que apresentam crescimento em suas audiências. Qualquer melhoria nos esportes eletrônicos passa pelo desenvolvimento dos atletas e da comunidade competitiva. Nesse ponto a EA está devendo. A VPSL cresceu o número de competidores de Pro Clubs no Brasil em mais de 200% em dois anos, tudo sem qualquer ajuda ou suporte da desenvolvedora, o que é sinal de que existe demanda no mercado para um tipo de atividade competitiva”.