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México na América do Sul? Brasileiros criticam presença de Predators na Overwach Open Division

Soldier 76 e Widowmaker de Overwatch em ação Divulgação/Blizzard

A Overwatch Open Division é considerada a chance de ouro para equipes semiprofissionais do FPS da Blizzard. Por meio dela, times podem conseguir vaga na Overwatch Contenders, uma “liga de desenvolvimento” para a Overwatch League.

Este ano será o primeiro em que a América do Sul terá uma Overwatch Contenders exclusiva para a região, então a importância de se vencer a Open Division ficou ainda maior. Entretanto, nem todos os times tiveram uma jornada considerada justa durante a competição.

Gabriel “Cants” Canto, técnico da brasileira WS E-sports, afirma que a disputa teve problemas por conta de um time mexicano que se inscreveu na região da América do Sul e ‘forçou’ os times da região a jogarem no servidor da América do Norte.

“Nas regras não existe nenhum tipo de ‘region lock’, qualquer time de qualquer região pode se inscrever na que achar melhor. Mas, na teoria, você deveria se submeter a região que vive, o que acabou não acontecendo”, explica Cants.

O técnico detalha que, pela falta de uma regra estabelecida pela Blizzard sobre o servidor a ser utilizado ser o mesmo da região, os administradores da Open Division definiram uma própria. “[Eles] decidiram que quem tivesse o maior seed ‘hostearia’ o primeiro jogo no seu servidor, e quem perdesse ‘hostearia’ no seu. Isso é uma grande vantagem para o time que começa com o host, que quase sempre foram os mexicanos. Em uma série que vai até o último mapa, a vantagem é sempre do time que ‘hosteou’ primeiro, pois eles vão ter o host do último mapa”, diz Cants.

O seed, no caso, seria uma numeração gerada pela organização do campeonato para numerar os times na competição. Esse número pode ser gerado automaticamente ou baseado em uma edição passada do torneio.

Jogando contra a mexicana Predators na sexta rodada da fase regular, a WS E-sports sentiu na pele o problema. “Levamos o confronto até o último mapa, mas como eles tinham o maior seed, tivemos que enfrentá-los em um mapa de controle com 200 de ping para mais, o que gera um estresse mental nos jogadores”, afirma Cants, “Jogar uma série de 5 partidas já é demorado, o cansaço mental afeta muito os jogadores, e ainda encerrar a série com 200 de ping afeta qualquer um que esteja jogando”.

Cants também reclama da agressividade dos jogadores mexicanos quando estes tinham que jogar no servidor da América do Sul. “Eles reclamavam o tempo inteiro sobre os 200 de ping no chat geral do lobby e durante a partida, sendo que eles que estavam jogando na região errada”, desabafou o técnico. Para ele, seria impossível um time da América do Sul conseguir 'forçar' um servidor diferente caso estivesse jogando na Open Division da América do Norte.

“A Karma (atual top 1 da América do Sul), jogou toda a Open Division NA de 2017 em servidores norte-americanos. Nunca foi permitido a eles ‘forçarem’ um servidor da América do Sul”, garante Cants.

A WS não foi a única brasileira a sofrer com o problema. As equipes Uprising e North Lions Black também tiveram problemas com o host do servidor e perderam para a mexicana.

Durante as 10 rodadas da fase regular, somente dois times conseguiram vencer a Predators: as brasileiras Outlanders e Dogma E-sports. Todos os outros times, do Brasil ou de outro país da América do Sul, sofreram derrotas. Ao fim, a Predators passou para os playoffs na quinta colocação.

"A Karma (atual top 1 da América do Sul), jogou toda a Open Division NA de 2017 em servidores norte-americanos."

Gabriel 'Cants' Canto

Tito “eXquisite” Sonagere, jogador da Dogma, explicou ao ESPN Esports Brasil que sua equipe conseguiu ganhar da Predators por ter a vantagem de seed e poder escolher o servidor da primeira partida. “Isso basicamente resolveu o jogo”, afirmou ele.

O suporte também deu sua opinião sobre a polêmica, e apontou que o único problema foi a equipe não ser obrigada a jogar no servidor da região que escolheu. “Não teríamos nada contra [isso] se a participação da equipe houvesse ocorrido integralmente usando os servidores da nossa região, o que não foi o observado”, disse.

Segundo ele, “a Blizzard deveria ter agido tão logo estivesse ciente do problema, uma vez que, ao não especificar as regras de servidores, times da região específica acabaram prejudicados tanto em resultados, quanto com a própria eliminação”.

Além disso, lembrou que a Predator será obrigada a jogar no servidor da América do Sul na Contenders, já que existe uma regra específica (6.6) sobre isso na competição. Isso, para ele, “resultará em jogos de baixa qualidade [da equipe mexicana], uma vez que os times locais terão enorme vantagem devido à superior conexão”.

O LADO DOS MEXICANOS

Em uma publicação no Reddit, o suporte flex da Predators, Eduardo "Reptile" Javier tentou explicar a situação da equipe. Segundo ele, o time não quebrou regras ao decidir jogar na América do Sul e ‘forçar’ o servidor norte-americano nas disputas.

Além disso, afirmou que a escolha foi feita porque a Open Division da América do Norte dá apenas uma vaga ao Contenders da região, enquanto a da América do Sul disponibiliza 12 vagas.

O suporte também comenta sobre a acusação de sua equipe ter “kickado” jogadores brasileiros da Uprising do lobby para ‘forçar’ seu servidor, como gravado em um clip do Twitch. Reptile diz que isso aconteceu porque jogadores brasileiros são conhecidos por utilizarem VPN e que estava apenas tomando medidas preventivas para evitar que essa prática servisse para bloquear os servidores norte-americanos.

O ESPN Esports Brasil entrou em contato com a Predators para saber mais sobre a decisão de jogar na Open Division da América do Sul e como ela fará agora que precisará obrigatoriamente jogar nos servidores da região. Entretanto, a equipe não respondeu até o momento de publicação desta matéria.

DESCASO DOS ADMINISTRADORES

Para Cants, um agravante da situação foi o descaso demonstrado pelos administradores da Open Division na América do Sul. O técnico afirma que os times entraram em contato toda semana no chat exclusivo do campeonato para demonstrar a insatisfação com o problema, mas a resposta sempre foi a mesma. “[Eles] disseram que não mudariam nenhuma regra até a próxima edição do torneio”, disse Cants.

O brasileiro aponta que a regra de que o maior seed definiria o servidor inicial foi criada apenas para a Open Division da América do Sul. “O único administrador capaz de aplicar regras era o BlinkPlz, e ele raramente estava tentando resolver problemas”, relata Cants. “Argumentamos durante semanas para que o problema no servidor fosse resolvido e nada”.

Apesar da situação, Cants afirma não estar surpreso com o “descaso com a América do Sul, já que a própria Blizzard nunca demonstrou interesse no nosso competitivo”. O técnico lembra que, no passado, a desenvolvedora barrou campeonatos e adiou alguns por meses, e que esse descaso foi ainda mais claro na Open Division. “Não tínhamos nenhum administrador que conhecesse a região e o cenário. Aliás, vale mencionar que nenhum dos administradores falava português”, diz Cants.

"Times da região específica acabaram prejudicados tanto em resultados, quanto com a própria eliminação"

Tito 'eXquisite' Sonagere

O ESPN Esports Brasil entrou em contato com a Blizzard sobre o caso, mas a desenvolvedora apenas respondeu que “não há nenhuma regra específica limitando a participação de equipes de outras regiões” na Open Division, e que as seções 5.2.2.1 e 5.2.2.2 das regras falam sobre sobre a questão da hospedagem das partidas.

Procurado para falar sobre a questão, o administrador BlinkPlz pediu para a reportagem buscar a Blizzard.

BRASIL NA OVERWATCH CONTENDERS

Com 12 vagas no total, a Overwatch Contenders South America já tem preenchida oito delas - sendo cinco de equipes brasileiras. Por ficarem no Top 8 da Open Division, Brasil Gaming House, Team Jesus, LFTOWL, Outlanders e WS Blue estão garantidas na competição.

As equipes Karma e Chroma da Argentina e a própria Predators preenchem as três outras vagas disponibilizadas para o Open Division.

A disputa possui ainda quatro vagas em aberto, que serão preenchidas pelos quatro melhores times do Overwatch Contenders Trials, a ser disputado de 24 de fevereiro a 2 de março.