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Com o sucesso da Fase 1, a Overwatch League busca sua expansão no mercado internacional

Será que o sucesso da Fase 1 da Overwatch League pode alavancar a venda de novas franquias no exterior? Divulgação/Blizzard

Um ano após o início do processo que convenceu 12 times dos Estados Unidos, Europa e Ásia a pagarem US$20 milhões para se juntar à liga em sua temporada inaugural, a Overwatch League buscará novas equipes para sua expansão. A diferença agora é que os executivos têm um produto mais sólido para vender, o que significa mais compradores interessados.

Ao longo de 2017, a Overwatch League recebeu mais "nãos" do que respostas positivas, ouvindo justificativas como a “falta de uma prova de conceito” e de “alguma tradição no esports”. O preço alto, a chance de baixa audiência e o potencial de pouca ou nenhuma receita afastou alguns dos compradores mais ricos e famosos do setor dos esportes eletrônicos. Foi, portanto, impressionante que a liga tenha recrutado um total de 12 participantes para início de conversa.

Nos últimos três meses, porém, a Overwatch League excedeu as expectativas de receita, com várias fontes afirmando que a liga ultrapassou quase quatro vezes sua projeção original. A Overwatch League obteve um acordo de U$90 milhões com o Twitch, e seus negócios com a HP Omen e a Intel valem, respectivamente, U$17 e U$10 milhões. Isto sequer incluir seus patrocinadores iniciais, que inclui companhias como a T-Mobile, Toyota e Sour Patch Kids.

As equipes que colocaram um total de U$ 240 milhões na mesa em taxas de adesão para se tornarem proprietárias de franquias na Overwatch League podem ter a sua fé recompensada antes do cronograma. A liga está a caminho de dar grandes retornos.

O próximo desafio consiste em incentivar os compradores internacionais. De suas 12 equipes, apenas a Shanghai Dragons pertence a uma empresa estrangeira. Os dois outros times do exterior, Seoul Dynasty e London Spitfire, são de propriedade de organizações americanas. Embora a liga almeje a expansão nos mercados europeu e asiático, o recrutamento de compradores nestas regiões é muito mais difícil do que no mercado interno.

A Overwatch League terá mais compradores na América do Norte. De acordo com fontes da liga, uma 13º equipe quase entrou antes do prazo final da temporada 1, sob o comando de Wesley Edens, proprietário da equipe Milwaukee Bucks (NBA) e do time de esports FlyQuest. Espera-se, assim, o retorno de Edens à mesa de negociações para 2019. Porém, se conseguir outra equipe na Europa continental - seja na Alemanha, França ou Dinamarca - e mais duas na Ásia, a Overwatch League se dará por satisfeita. O difícil será encontrar tais compradores.

A taxa de franquia para a expansão da segunda temporada ainda não foi estipulada, mas a Activision Blizzard confirmou que será mais alta do que na Temporada 1; fontes da liga especulam um valor entre U$35 a 60 milhões, o que representaria um aumento de ao menos U$15 milhões em relação à temporada inaugural. A liga teve problemas em convencer empresários e corporações europeias e asiáticas a investirem U$ 20 milhões. O que estes dirão agora?

O núcleo desta questão reside na forma como os investidores internacionais analisam tais oportunidades. Os capitalistas americanos, em particular, gostam de arriscar; eles estão dispostos a gastar e comprometer uma quantidade significativa de dólares em muitos campos. Se eles perdem, apenas seguem para a próxima. Porém, no exterior, este não é o caso, como nos mostra o cenário europeu de League of Legends. Os compradores europeus querem mais segurança - em outras palavras, querem o que a Overwatch League ainda não pode dar, mesmo após seu Ano 1.

Os compradores mais interessados da Overwatch League na Europa podem ser os investidores americanos que possuem equipes internacionais de futebol. Aqueles com interesse prévio em esports, incluindo Shad Khan (Fulham), a Harris Blitzer & Entertainment (Crystal Palace) e a Fenway Sports Group (Liverpool). Embora todos tenham participações no futebol no Reino Unido, há dúvidas de que a base de jogadores de Overwatch seja densa o suficiente a ponto de atender aos requisitos do mercado para mais de uma única equipe na região. Isso apresenta outro desafio à medida que a liga entra em expansão.

A Overwatch League é uma grande interrogação - algo que faz os donos de equipes de futebol não americanos na Europa e grandes investidores torcerem o nariz. A receita relatada e a audiência acima da média mudaram suas visões? Ou os apoiadores europeus ainda serão páreo duro para a Activision Blizzard? Não há uma resposta segura, ainda que os preços da Overwatch League tenham subido.

Os tradicionais investidores de esports na Ásia também não são incentivados a participar.

Na Coreia do Sul, muitas são as empresas de produtos e serviços - como a SK Telecom, a CJ Entus e a KT Rolster - que não vendem seus subprodutos fora de sua região de origem. Uma liga global não auxilia nos negócios para tais companhias, especialmente porque elas precisam criar uma marca completamente separada para a equipe que não se relacione com suas próprias marcas, como a OpTic Gaming teve que fazer com os Houston Outlaws para cumprir as regras estipuladas pela Blizzard.

Ainda que essas empresas tenham gasto altas somas em League of Legends, o valor não chega perto dos custos operacionais e anuais que a Overwatch League exigiria. Além disso, de acordo com fontes, muita gente ficou com um gosto azedo na boca depois que a Activision Blizzard acabou com o APEX, o principal torneio de Overwatch na Coreia do Sul.

Na China, onde Overwatch tem uma massiva base de jogadores, ocorre um problema diferente. Muitos dos prováveis compradores apresentam possíveis conflitos de interesse ou não têm um histórico transparente de suas operações em outros esports. O pai do Spitfire, Cloud9, possui um investimento da FunPlus Ventures, um dos novos proprietários da League of Legends Pro League. O LGD Gaming e o Royal Never Give Up, por sua vez, estiveram envolvidos em escândalos decorrentes de seus grupos proprietários.

Cada uma das regiões que a Overwatch League espera alcançar para tornar-se uma verdadeira mercadoria mundial apresenta um conjunto diferente de obstáculos que são exacerbados pelo aumento do custo de propriedade. Não importa onde os executivos sigam para negociar, eles devem explicar tais dificuldades e vender não apenas o sucesso do Ano 1, mas também soluções para os problemas que se colocarão na frente dos potenciais compradores.

A Overwatch League, independente de seu sucesso inicial, deverá encontrar um novo modelo para se vender se quiser construir franquias internacionais. O fato de ter convencido os compradores americanos, com ou sem prova de conceito, não é suficiente.