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Pais de skatista vendem caldo de cana para acompanhar primeira disputa internacional da filha

Atleta da seleta seleção brasileira de skate, tricampeã estadual no Rio e Janeiro e vice-campeã brasileira, a skatista Virgínia Fortes Águas tem apenas 13 e um currículo de dar inveja a muitos veteranos.

A poucos dias de disputar a sua primeira competição internacional, o Circuito Mundial de Skate na Inglaterra, Vivi (como é chamada) enfrenta um desafio fora das pistas: arrecadar dinheiro para financiar a ida do pai a Londres, cidade sede do torneio.

A passagem e a estadia da atleta serão financiadas pela seleção brasileira, mas os custos não cobrem a viagem do acompanhante. E por ser menor de idade, Virginia não pode viajar sozinha.

A primeira fase do Mundial começa no dia 20. Para conseguir o dinheiro necessário, cerca de R$ 7 mil, os pais da skatista estão vendendo pastel e caldo de cana em uma rua de Niterói, cidade da região metropolitana do Rio onde a família mora.

“Criei uma vaquinha nas redes sociais e também faço campanha para ajudar meus pais a vender porque eles estão me dando muito incentivo. Meus amigos estão ajudando e estamos quase conseguindo o dinheiro”, contou Vivi em entrevista ao espnW.

O caldo de cana tem uma receita diferente criada pela mãe de Vivi, Raquel. É ela também a responsável pela dieta da filha atleta.

“Minha mãe me ajuda com a alimentação, é ela que faz meus pratos”, conta a skatista que, como toda adolescente, não resiste a um fast food de vez em quando. “Sou criança ainda e às vezes como hambúrguer e batata frita num fim de semana, mas evito”, admite.

Além de cuidar da alimentação com a ajuda da mãe, Virgínia faz natação e exercícios funcionais acompanhada por um preparador físico.

“O skate nunca foi uma brincadeira”

A viagem para o primeiro torneio internacional é, até agora, a etapa mais um importante de um caminho que Virgínia começou a trilhar quando tinha apenas 4 anos. Foi com essa idade que ela começou a andar de skate por incentivo do pai, Virgílio.

“Eu comecei a andar porque gostava, mas pra mim nunca foi só um hobby, uma brincadeira. Naquela época eu já queria ser profissional. Meu professor dizia que eu andava bem e isso me animou”, diz ela, com a segurança de quem sabe o que quer e onde quer chegar.

O primeiro campeonato, um intercolegial, foi disputado aos 6 anos. Na época, ela era obrigada a competir com meninos porque não havia meninas daquela faixa etária nas disputas.

Vivi conta que nunca foi discriminada por competir entre meninos. Fora das pistas, no entanto, o cenário era diferente. “Ouvi muitos comentários do tipo “mas você anda de skate mesmo, não quer fazer outra coisa?”Me incomodava um pouco, mas já aprendi a lidar. Porque sempre soube o que queria fazer”.

De olho em Tóquio 2020

O momento é de pensar no Mundial. O torneio é válido pela primeira etapa da Street League e Virgínia, que ocupa atualmente a quinta posição mundial na categoria e a segunda no ranking brasileiro na categoria, quer continuar bem colocada.

No entanto, ela não esconde que o seu maior sonho é representar o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio em 2020, primeiro ano em que o skate será modalidade olímpica.

Para conquistar uma vaga na equipe feminina, Vivi precisa conquistar uma das três vagas disponíveis na categoria street.

“É claro que toda atleta sonha com isso, a Olimpíada forma um esportista. Minha chance depende das competições de Street League. Preciso ficar entre as 20 do mundo no ranking, então é bem difícil. Mas a minha expectativa é boa”, disse.

Mesmo que não consiga ir pra Tóquio, Vivi sabe que tem muitas Olimpíadas pela frente. Em um futuro próximo, ela quer morar nos EUA e conseguir patrocinadores maiores para participar de mais competições internacionais.

Ela também planeja fazer faculdade de Educação Física para continuar trabalhando com esporte depois que parar de competir. “Sou boa aluna. Me dedico muito aos treinos, mas só depois da escola”.