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Tifanny rebate crítica de Fernanda Venturini com elogio: 'Melhor levantadora que o Brasil já teve'

Acostumada a receber críticas, Tifanny Abreu sabe o peso que carrega por ser a primeira jogadora transexual da Superliga. O pioneirismo que deu notoriedade a jogadora também a transformou em alvo.

Frequentemente criticada por Ana Paula, ela foi citada recentemente por outra ex-jogadora da seleção. Em entrevista ao UOL, Fernanda Venturini disse que não acha certo ver Tifanny jogar em um time feminino.

Quando soube da declaração, a ponteira do Sesi-Bauru surpreendeu ao responder com um elogio à Fernanda. “Ela foi a melhor levantadora que o Brasil já teve. Essa é a opinião dela, não tenho que crucificar ou massacrar. É o que fazem comigo, me massacram antes de me conhecer”, desabafou em entrevista exclusiva ao espnW.

Inspiração para outras atletas trans

Tifanny é a única transexual na Superliga, mas há outras atletas como ela atuando no circuito amador. Uma delas é Priscila Fogaça. A jogadora, de 36 anos, defende o clube Studio Life, de Santa Catarina.

A atleta começou o processo de transição de gênero aos 16 anos e conta que já pensou em desistir do vôlei, mas se inspirou em Tifanny para seguir em frente.

“Joguei muitos anos no masculino por falta de uma regularização que me permitia jogar no feminino. Cheguei a me afastar do esporte por alguns anos por não me identificar jogando com homens. Quando começou a repercussão em torno da Tifanny e veio a liberação do COI, eu me motivei a voltar a jogar e me realizei finalmente como atleta. Sou muito grata a Tifanny Abreu”, disse.

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Partiu amistoso em Curitiba

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Priscila contou que nunca sofreu preconceito na atual equipe e também rebateu as críticas à presença de mulheres trans em equipes femininas. “Pouco se fala das desvantagens que o tratamento hormonal traz”, ponderou.

Outra jogadora transexual do circuito amador é Claudia Andrade, da equipe baiana Simões Filho. A jogadora de 38 anos foi mais enfática ao responder as críticas e detonou Ana Paula: “Não passa de uma atleta frustrada, preconceituosa que quer chamar atenção com seus comentários transfóbicos e cartinhas de ódio para o COI”, disse.

Claudia contou que já sofreu discriminação em outro time no qual jogou e que chegou a denunciar colegas de equipe por injúria e difamação. Ela também vê a ascensão de Tifanny na Superliga como uma motivação.

“A chegada dela foi maravilhosa para os preconceituosos acreditarem que realmente existem diretrizes que permitem a presença de trans nos jogos olímpicos em qualquer modalidade. Se a CBV aceita e segue as diretrizes do COI, quem vai descumprir nas competições amadoras?”