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Maratona de Boston: 'Quero ganhar de novo para ver se sou capaz', diz vencedora de 2018

AP Photo/Elise Amendola

Des Linden retorna às suas raízes todo inverno, mas essas raízes estão escondidas por baixo do solo enquanto ela termina um treinamento na pista de corrida da Universidade de Arizona State. Banners dourados que honram outras atletas que tiveram sucesso na NCAA contornam a pista. O nome da atual campeã da Maratona de Boston não está entre eles.

Quando a ausência é notada, Linden responde com sua autodepreciação característica.

“Eu não fiz m* nenhuma aqui,” ela diz. “Você não ganha um banner por não fazer nada.”

Tudo mudou para a Linden em 16 de abril passado, quando ela bateu um vento frio e uma chuva chata para vencer uma das corridas de maior prestígio do mundo – uma bela façanha de perseverança nas condições mais bestiais que se possa imaginar.

Foi também uma refutação singular ao seu mantra de muito tempo: sempre um fator, raramente favorita. Linden era, na verdade, uma All-American em cross-country na ASU, mas não virou uma estrela quando se tornou profissional.

Depois de um emocionante segundo lugar em 2011, na Maratona de Boston, ela teve uma sequência de colocações entre as dez primeiras colocadas em Majors, ganhando o respeito como uma corredora consistente e corajosa, mas raramente uma ameaça aos países africanos, que tinham as melhores corredoras do mundo.

Ela se irritou em ser rotulada, e mesmo no ano que seguiu seu triunfo em 2018, seu desafio permanece inalterado. A identidade de Linden está tão ligada a ser subestimada que ela mantém essa noção em sua caixa de ferramentas como uma pedra de afiar.

"Eu acho que as pessoas vão me colocar exatamente onde eu estava antes [em 2018].", diz ela durante o almoço em um pátio ao ar livre perto do campus. "Eu acho que isso seria míope. Se eu estivesse olhando para um campo ou resultado de uma corrida, eu diria: 'Uau, ela realmente conhece bem Boston; ela sempre foi bem nesta pista. Mas eu ainda acho que as pessoas vão levar meu sucesso como um acaso, o que é bom.”

"A medalha é real. Está na minha casa. O troféu está lá. Isso está na história. Daqui para frente, acho que é isso que me mantém com vontade. Uma vez que você tenha realizado aquilo que você sonhou em toda a sua vida, o que vai te fazer sair de casa para tentar de novo? Sim, eu quero ganhar Boston de novo, só para ver se sou capaz."

Este período de preparação para a sétima aparição de Linden em Boston foi tranquilo e calmo. Uma grande parte da preparação foi passada no sol de Arizona, com visitas esporádicas a sua casa no norte de Michigan, e viagens de negócios para a Costa Leste. Ela se declarou feliz com seu quinto lugar (1:11:22) no New York City Half Marathon no último mês.

É um contraste marcante da turbulência de um ano atrás, quando Linden, 35 anos, estava emergindo de um mal-estar prolongado em forma e atitude. No final de 2017, ela estava à beira de "pendurar os sapatos" ou, no mínimo, desistir de grandes maratonas, e deixou de fazer uma delas naquele outono.

Depois de um longo período de formação com a equipe Hansons-Brooks, durante a qual Linden foi de uma desconhecida, para uma maratonista top-10 do mundo, as tensões surgiram na véspera de Boston 2018, quando, em resposta a uma pergunta direta, ela expressou desconforto com a contratação de Dathan Ritzenhein do controverso Nike Oregon Project.

Um ponto de interrogação gigante tomou forma enquanto Linden estava pronta para começar a corrida. Isso se transformou em um ponto de exclamação quando ela encontrou suas pernas enquanto ajudava as colegas americanas Shalane Flanagan e Molly Huddle, e continuava coletando milhas enquanto corredoras de elite desistiam, algumas hipotérmicas, algumas mentalmente vencidas.

A descrença no rosto de Linden quando ela se inclinou para a fita e depois caiu nos braços de seu marido, Ryan, era real.

Passando o tempo em Tempe, Arizona, na primeira semana de março em um Camaro preto alugado, Linden está perto da exaltação daquele momento, mas nunca muito distante das frustrações que a precederam e do asterisco invisível que a prende: A primeira mulher americana a vencer em Boston em 33 anos o fez com o pior tempo em 40 anos.

"Eu senti que não conseguiria dar mais um passo. Se eu soubesse que a minha carreira de maratonista acabaria amanhã, eu ficaria satisfeita,” ela diz. "É tudo que eu esperava que fosse. Mas como ainda estou competindo, acho que coloco isso em mim: 'Vou mostrar a você!' Mesmo que não haja uma pessoa física para mostrar. Só quero provar a mim mesma para mim mesma.”

Dois meses após a vitória, Linden saiu oficialmente do grupo suburbano de Detroit dos Hanson (ela mantém Brooks como patrocinadora de calçados) e subsequentemente começou a trabalhar com seu ex-treinador na ASU, Walt Drenth. Foi uma transição fácil. Ambos têm casas no norte de Michigan. Ela e Drenth, que deixaram Tempe antes do último ano de Linden na ASU para assumir o cargo que ele ainda mantém em Michigan, nunca perderam contato. Quando ela estava em sua pior fase, ele a incentivou a voltar ao básico. E deu certo.

"Nós exageramos muito e começamos a cair em um buraco sem fim, 'Eu nunca vou sair dessa. Eu nunca vou alcançar meus objetivos'", ela diz. "Você pode ir para uma direção negativa muito rapidamente. Não, como vou ganhar uma maratona? Isso é muito grande. Traga tudo de volta para 'Por que você começou a correr? Você ainda ama correr?’ e torne isso sustentável.”

O ano passado trouxe à Linden uma mistura de oportunidades comerciais e outras vantagens, de lançar o arremesso inicial em um jogo do San Diego Padres, apresentar a Billboard Music Awards, acesso VIP para uma corrida de Fórmula 1 em Austin, sua maior paixão como fã.

Mas o tempo não resolveu exatamente o que vem a seguir para ela ou se ela continuará competindo e tentando entrar para o Team USA de 2020, a que seria sua terceira olimpíada. Seu calendário, ela diz, está em branco depois da próxima semana.

"No ano passado, eu aprendi o quanto Boston significa para mim, como é importante que eu faça o melhor que eu puder, e que eu seja dura para car*, se puder dizer isso,” diz Linden. “Mais durona do que eu imaginava. Isso é muito valioso para seguir em frente, você não estar sentindo pena de você mesma. Ou, se você não estiver tendo um bom dia, você pode se relevar um pouco. Você fez algo maravilhoso aqui antes, tente voltar para este sentimento outra vez.”

A previsão atual de segunda-feira parece incompleta. Linden vai correr com ambição, mas também com o luxo de saber que o céu pode cair e, ainda assim, ela ficará bem.

Maratona de Boston na ESPN
Segunda, 15/04
ESPN 2: 10h (ao vivo) e 23h30 (reprise)
ESPN Extra: 5h30 (reprise)